Um rio chamado porcelana - TOPVIEW
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Aleverson e Luiz são criadores curitibanos que nos projetam internacionalmente. Ao fundarem a Holaria, em 2006, nos surpreendem com um original e variado repertório de peças em porcelana. Expostos ao redor do mundo e inúmeras vezes premiados: do mais importante prêmio de design brasileiro, pelo Museu da Casa
 Brasileira, ao prestigiadíssimo iF Design Award, na Alemanha, com a luminária em porcelana Wool, para citar
alguns. Adequadamente instalados na região de Campo Largo, conhecido polo produtor de porcelana brasileiro,
se apropriam de mão de obra e indústrias locais, contribuindo para sua modernização, seu desenvolvimento e
sua sustentabilidade. Suas peças não economizam nas formas, sempre exuberantes e complexas, em contínuos movimentos e desdobramentos, que acabam por exaurir as possibilidades técnicas de sua fabricação. Ao lado dessas criações, que, de tão estimulantes ao olhar, permanecem coladas às nossas retinas, convivem peças de caráter mais lúdico e riferimento pop, como os utilitários Booh! Robin Pighood, entre outros. Ótima leitura!
— Marcos Bertoldi

A Holaria é uma empresa que está profundamente ligada a uma matéria-prima: a porcelana. É por meio dela que nossa criatividade encontrou seu caminho para fluir. Vale, aqui, comentar um pouquinho sobre esse material, porque ele já define toda uma necessidade técnica e uma linguagem estética.

A porcelana pode ser um material de “águas agitadas”. Tanto é que, por longos anos, o Ocidente perseguiu
seus segredos de produção, restritos que estavam à China que Marco Polo visitou. Nessa época, ela era tida como o “ouro branco”.

(Foto: Divulgação | Holaria).

A porcelana possui um processo produtivo muito complexo, que envolve desde a composição correta de diversos minerais, passando pela mudança de estados físicos para sua conformação (líquido, pastoso, sólido), indo até a queima, que se faz em temperaturas muito altas (acima dos 1.300°C). Durante a queima, por exemplo, a massa adquire um aspecto muito plástico e pode colapsar se a geometria da peça não tiver sido bem estudada.

(Foto: Divulgação | Holaria).

Assim, ao se trabalhar com porcelanas, há muito que se possa dar errado e, por isso, o projeto de design assume uma importância fundamental, ao antecipar problemas e permitir a expressão criativa. Essa noção de projeto é muito cara à Holaria, tanto é que está presente até em seu nome: HOLOS+OLARIA.

(Foto: Divulgação | Holaria).

O conceito do “todo” se refere ao caráter sistêmico que a atividade de projetar adquire no universo do design.
Imaginamos desde sempre a Holaria como um laboratório técnico-estético. Técnico porque tentamos explorar os limites da deformação e da expressividade plástica da porcelana sem perder de vista a viabilidade produtiva.
Estético porque almejamos incluir mais camadas de informação e significados, tornando a leitura de um objeto mais rica, mais instigante.

(Foto: Divulgação | Holaria).

Gostamos de pensar que, ao seu modo, o design também pode ser um tipo de literatura.

*Coluna originalmente escrita por Alerverson Ecker e Luiz Pellanda, convidados de Marcos Bertoldi, e publicada na edição #237 da revista TOPVIEW.

 

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