Hamilton de Holanda, o explorador do bandolim, traz jazz brasileiro a Curitiba - TOPVIEW

Hamilton de Holanda, o explorador do bandolim, traz jazz brasileiro a Curitiba

Um dos grandes nomes brasileiros no universo do jazz mundial, Hamilton de Holanda vem a Curitiba com seu quarteto para show no TOPVIEW Jazz Sessions

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Quando ganhou um bandolim do avô, aos seis anos, como presente de Natal, ele não imaginava que conquistaria o título de “Jimi Hendrix do bandolim” e se tornaria referência no instrumento. O bandolinista e compositor Hamilton de Holanda, desde então, acumula 38 trabalhos inéditos em 38 anos de carreira – o último – Harmonize – será tocado na íntegra, pela primeira vez, no TOPVIEW Jazz Sessions, na Ópera de Arame, no próximo dia 16.

Desde então, ele e o bandolim construíram uma relação tão íntima que Hamilton chegou a transformá-lo – acrescentou cordas e segue explorando suas sonoridades. “Eu amo, é uma necessidade como ar e água. É igual a acordar, lavar o rosto, escovar os dentes – essas coisas que a gente nem pensa que vai fazer, mas faz”, conta à TOPVIEW, por telefone.

O carioca criado em Brasília, aprendeu a tocar antes mesmo de saber ler e escrever. Mas quase caiu para o lado dos números: após terminar o ensino médio, prestou vestibular para contabilidade e engenharia civil, em parte para apaziguar os receios da mãe quanto a essa vida de artista. “Cursei um ano e meio de contabilidade, acredita?”

Conhecido como “príncipe do bandolim” na França, Hamilton já apresentou o jeitinho brasileiro de fazer música a públicos das mais variadas nacionalidades. Mas sua casa é no Rio, onde faz questão de manter o Baile do Almeidinha, fenômeno que reúne centenas de espectadores há seis anos. O sucesso ultrapassou fronteiras e teve edições em outras cidades. No Carnaval deste ano, o baile animou os foliões em São Paulo.

Hamilton de Holanda Quarteto: Daniel Santiago (violão), Edu Ribeiro (bateria) e Thiago do Espirito Santo (baixo). Foto: Dani Gurgel/divulgação.

Com ar divertido de quem viaja mundo afora fazendo o que ama, Hamilton quer mesmo é espalhar amor pelo mundo. Mesmo em meio a tantas viagens, mantém os olhos voltados a suas outras inspirações: seus filhos, sua esposa e os projetos sociais que participa, a Escola de Música da Rocinha, o Rio de Música e a Abrace, em Brasília.

A paixão pelo estilo musical que o chamou para a música, o choro, motivou o bandolinista a criar o Dia Nacional do Choro, celebrado em 23 de abril, aniversário do Pixinguinha, pai do gênero. Bastou uma ligação ao assessor de um senador e estava feito: a partir de 4 de setembro de 2000, o Brasil passou a comemorar, oficialmente, uma parte tão importante da brasilidade.

Aos 15 anos descobriu o jazz, mas foi só há dois que Hamilton sentiu o ápice dessa relação: foi convidado para tocar no Jazz at Lincoln Center, em Nova York. “Eu sempre digo: o choro e o jazz são aqueles primos que a gente tem na família e considera irmão, é a mesma coisa”, reforça.

“Isso de querer/ser exatamente aquilo/que a gente é/ainda vai/nos levar além”, diz o poema de Paulo Leminski. Hamilton, fã do poeta curitibano, parece convicto: vai espalhar amor através do dedilhar de seus dedos e de suas composições e mostrar ao mundo o que é que a música brasileira tem.

No bate-papo a seguir, feito por telefone logo após o desembarque do artista no Brasil, Hamilton conta sobre sua trajetória e inspirações, analisa a cena do jazz no Brasil e ainda nos diz o que podemos esperar de seu show em Curitiba.

Você começou a se apresentar aos 6 anos. Como foi esse início de carreira? Por que escolheu o bandolim?
O início foi familiar: meu pai foi meu primeiro professor, meu irmão também me ensinou algumas coisas. A gente já tinha um conjunto em casa, o Dois de Ouro, e tocávamos em Brasília. Todo fim de ano a gente gravava uma fita cassete para dar de presente aos amigos e familiares. Ao mesmo tempo, comecei a estudar violino, depois violão, na escola de música. Em casa tinha vários instrumentos além do bandolim, o cavaquinho, o violão de seis e de sete [cordas], pandeiro, órgão no cantinho da sala. Tudo isso foi me alimentando como músico. Até tocava um pouco de cavaquinho, dedilhava o violão, toquei escaleta, mas o bandolim me pegou de um jeito que não sei explicar. Escolhi o bandolim por conta de um presente: no Natal, quando eu tinha cinco anos, meu avô me deu o bandolim e eu gostei muito.

Qual trabalho mais te marcou em todo esse tempo?
Olha, vai ser o próximo (risos). Difícil falar um trabalho só. É sempre um prazer, uma alegria, cada trabalho tem uma relação com os músicos, com o pessoal todo que faz acontecer, o estúdio. A plateia, às vezes um show gostoso. Mas realmente acho que o último trabalho é o melhor de todos os tempos desse momento (risos).

“Chegar no lugar e tocar a músicas do meu país, pisar no palco e a pessoa saber que aquilo ali é manifestação cultural do Brasil, é muito forte para mim. Isso com certeza é uma das minhas motivações na vida.”

Nos Estados Unidos, você é conhecido como “Jimi Hendrix do bandolim”. Na França, virou “príncipe do bandolim”. Você esperava essa fama internacional?
Eu não tinha ideia. Quando comecei a tocar, e mesmo depois que eu já comecei a minha carreira profissional após a universidade, não imaginava a repercussão que meu trabalho teria fora do Brasil. Cada vez que eu vou, me surpreendo, porque tem cada vez mais gente que conhece e os shows estão mais cheios. As pessoas conhecem as músicas, é uma alegria. Além disso, chegar no lugar e tocar a músicas do meu país, pisar no palco e a pessoa saber que aquilo ali é manifestação cultural do Brasil, é muito forte para mim. Isso com certeza é uma das minhas motivações na vida.

Hamilton é conhecido com o “príncipe do bandolim” na França. Foto: Dani Gurgel/divulgação.

Sente o mesmo reconhecimento no Brasil?
Sinto parecido. Na verdade, no Brasil parece que não, mas o brasileiro adora música instrumental, jazz, choro… A gente tem uma tradição que é diferente da europeia. A Europa é um continente muito antigo, então eles já convivem com música clássica há muito mais tempo que a gente. É claro que lá tem muitos festivais de jazz, mas aqui as pessoas gostam também. Eu vou tocar em cada lugar diferente, praça pública, teatro e sempre tem gente que se amarra. Tem essa ligação da música brasileira com o jazz. É só uma maneira diferente de curtir a música, mas não sei se é mais ou menos.

“O jazz no Brasil aparece na bossa nova, como um primo legítimo do choro.” – Hamilton de Holanda

Então, existe uma cena de jazz expressiva no país?
A cena de jazz se mistura um pouco, porque o Brasil é um continente, artisticamente falando. O Brasil tem muitos gêneros musicais e manifestações culturais. O jazz ao mesmo tempo se tornou uma manifestação mundial, ele não é mais só norte-americano. Então, o jazz no Brasil aparece na bossa nova, como um primo legítimo do choro. O Brasil entende o jazz junto com a própria música brasileira, a bossa nova e a MPB. Em especial com essa capacidade que o brasileiro tem na improvisação. A gente tem essa união e essa relação muito saudável com o jazz.

Quais as características do novo jazz que se produz atualmente?
Na verdade, o novo jazz que é feito no Brasil vem de uma coisa antiga, que o Hermeto Pascoal já tinha desenvolvido lá atrás e os trios do samba-jazz, na época da bossa nova, faziam. Hoje tem toda essa mistura, a influência até do próprio hip-hop. O jazz é um gênero que está sempre se modernizando, é um gênero que está em constante mutação. Então, acho que a cena nova no Brasil está muito ligada a essa característica antiga, que já foi feita de maneira sensacional. Como já falamos, vem muito da mistura e da improvisação.

“O Brasil está sempre revelando artistas que conseguem entender essa pluralidade da música brasileira e essa relação com o jazz.” – Hamilton de Holanda

Em quais artistas devemos ficar de olho?
O Pedro Martins está lançamento um disco agora, o Vox. Ele é um guitarrista, multi-instrumentista, compositor e cantor de Brasília. Ele fez um disco muito legal misturando pop e música mineira, tem esse sabor jazzístico, é um trabalho muito lindo. Ele ganhou o Festival de Montreux [Montreux Jazz Festival, na Suíça], em 2015, como melhor guitarrista. É jovem e já está quebrando tudo, tocando e compondo muito bem. Tem outro cara que está aparecendo muito na cena jazzística, o pianista Amaro Freitas, de Recife. O Brasil está sempre revelando artistas que conseguem entender essa pluralidade da música brasileira e essa relação com o jazz.

Sua matriz é a Música Popular Brasileira. Como transita entre os estilos musicais?
A minha matriz é o choro. As primeiras 100, 200 músicas que aprendi na vida foram de compositores que eu adoro, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, essa é minha raiz. De uma maneira muito direta, está relacionada com o jazz. O jazz nasceu na mesma época e também é a mistura da música europeia com a africana, é o negro com branco, as melodias da música clássica com ritmos africanos. Eu fui conhecer o jazz já com 15 anos de idade. Até então o que eu conhecia era bossa nova e choro, samba, frevo – minha família é pernambucana –, mas aí comecei a conhecer artistas incríveis e me ligar ao jazz. O ápice da minha relação com o jazz aconteceu há dois anos, quando fui convidado para tocar no Jazz at Lincoln Center, em Nova York, com a orquestra do Wynton Marsalis: no meio daqueles caras incríveis, tocando do meu jeito, mas dialogando com eles. Eu sempre digo: o choro e o jazz são aqueles primos que a gente tem na família e considera irmão, é a mesma coisa.

“Eu quero criar uma música que seja lembrada para sempre, que seja contemporânea e mostre a realidade, mas que possa ser escutada daqui a 50, 100 anos.” – Hamilton de Holanda

Você já transitou entre diversas formações, solo, duo, quarteto, quinteto, orquestra. Qual prefere?
A preferência é sempre estar com alguém. Acho que a música é um elemento agregador acima de tudo, aprendi assim. Cada formação tem uma característica. Em duo é muito difícil, porque, para explicar tudo em duas pessoas, a responsabilidade de cada um é muito maior. O oposto disso, uma orquestra, é difícil, porque juntar muita gente pulsando em um mesmo tempo é difícil também, mas quando pulsa todo mundo é um resultado que não tem nada igual. O trio, para mim, tem sido o arroz com feijão – o bandolim, baixo e percussão. Nesse caso, consigo levar o bandolim para um lugar especial de harmonizador, que faz a melodia e a polifonia. Essa é minha busca no desenvolvimento do instrumento: quando criei o bandolim de dez cordas, a minha busca era encontrar a polifonia, tocar como se toca um piano ou violão, do jeito cheio, completo. Então, a formação do trio me propicia realizar isso de uma maneira única. Gosto de tocar sozinho também porque é uma maneira muito íntima e verdadeira de mostrar para o público como penso sobre determinada música. Adoro tocar com meu irmão em duo, ele é o violão de sete cordas na minha vida inteira, já tem um afeto, uma outra relação. Apesar de que, 99,9%, é sempre com afeto, é difícil uma formação que eu participe e não role esse carinho, essa conexão. É fundamental.

Como é sua rotina durante as viagens? Tem hobbies?
Eu gosto de passear. Eu gosto de chegar nos lugares e dar um rolé, é a primeira coisa que faço. Às vezes tem uma feirinha, como algo, dou uma caminhada, gosto de entender a temperatura para o corpo já entrar no clima. Conhecer mesmo: agora na Itália comi um risoto delicioso. Já fui à Malásia, aos Estados Unidos, à Holanda. Tento conhecer cada país, ir a museus, tenho essa curiosidade, então quase nunca fico de bobeira – só nos casos de viagens cansativas e muito rápidas.

“Ela [a música Harmonize] foi ganhando destaque muito também pelo momento que o mundo está passando, essa transição bem complexa, e acho que eu, como artista, tenho a obrigação de espalhar amor.” – Hamilton de Holanda

Tem um lugar preferido?
Poxa, vai ser o próximo que eu conhecer (risos). Já passei bons momentos na França – morei lá um ano, então tenho um carinho especial –, adoro Nova York, assim como gosto de Recife, é uma cidade com que tenho uma relação muito forte. Já fui muitas vezes à Venezuela, tenho muitos amigos lá, gravei até um disco com um grupo venezuelano. Já toquei em Israel, em Jerusalém, e foi lindo. A África do Sul foi um espetáculo… cada lugar tem um lance legal. Toquei na Philharmonie, em Colônia, na Alemanha, uma sala maravilhosa, onde foi gravado o The Köln Concert, do Keith Jarrett, uma acústica maravilhosa. Luxemburgo também tem uma sala incrível. Enfim, tenho sorte e procuro curtir e aproveitar esses momentos.

Você lançou seu 38° trabalho autoral, o Harmonize. O que ele traz de novo?
Depois de três trabalhos com tributos a compositores que eu adoro, que foi o Samba de Chico, para o Chico Buarque, Casa de Bituca, para o Milton Nascimento e o Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim, para o mestre Jacob, me veio a vontade de fazer um disco autoral, já que eu estou sempre compondo. Foi a necessidade do momento. Me juntei com Thiago Espírito Santo, um baixista e compositor sensacional, amigo de longa data, Edu Ribeiro, um baterista que já ganhou Grammy, e o Daniel Santiago, violonista e produtor, meu parceiro de muitos anos. Fizemos alguns shows em São Paulo, um deles foi na Paulista Aberta que foi muito legal. Foi tanta emoção que a gente gerou ali que falei: ‘pô, a gente precisa gravar esse negócio’. Foi o pontapé inicial, no final do ano passado. Esse disco também é um elo de ligação com o Brasilianos, uma série de três discos que fiz entre 2006 e 2011. Foi um trabalho que fizemos a ligação entre a música brasileira e o jazz. O Harmonize é uma volta a essa concepção de trabalho, em que a improvisação tem uma importância especial. Acho que o pessoal vai gostar, fiquei muito feliz que a gente conseguiu captar a alegria que a gente tinha gravando, o momento de descontração, de afeto, de vontade de fazer um disco bonito e tocar. A música [homônima] começou como um estudo, eu descobrindo um acorde por dia no bandolim e pensando na harmonização do dia, aí quando completou 31 [dias] eu notei que era uma música – depois coloquei uma batida, um ritmo e fiz uma gravação em casa. Ela foi ganhando destaque muito também pelo momento que o mundo está passando, essa transição bem complexa, e acho que eu, como artista, tenho a obrigação de espalhar amor. Parece até uma maneira simplista de falar das coisas, meio piegas, mas acho que é isso, o amor, a solidariedade, a boa convivência, a colaboração, o Harmonize significa tudo isso. Não foi premeditado, mas caiu perfeitamente bem com o momento que a gente passa.

“O que me move, na verdade, é encontrar uma coisa nova, diferente, descobrir algo, uma sonoridade de um instrumento, poder ajudar as causas sociais em que estou envolvido. Tenho essa vontade de fazer coisas bonitas e que aquilo faça diferença na vida de alguma pessoa.” – Hamilton de Holanda

Qual é a sua relação com Curitiba?
Sabe eu tenho uma relação com Curitiba há anos, foi a cidade onde consegui fazer muitos shows e sempre com uma receptividade maravilhosa. Vejo que as pessoas gostam muito de instrumental e jazz, do tipo de música que eu faço, está sempre cheio. Fiquei feliz de dar certo esse encontro, porque vai ser inédito no Brasil, com o Joshua Redman, um saxofonista incrível. É mais especial por ser em Curitiba, que eu tenho um carinho muito grande profissionalmente, e na Ópera de Arame, esse lugar fantástico. Não tinha lugar melhor para fazer esse encontro. E vai ser a primeira vez que vamos apresentar o repertório completo do disco, coincidiu de tudo ser aí. É uma honra para mim.

TOPVIEW traz Hamilton de Holanda e Joshua Redman a Curitiba

Quais são os temas/assuntos que o movem atualmente?
Tudo que acontece me move. Uma pessoa amiga, alguém que morreu, quem nasceu, uma notícia do jornal – se bem que tenho lido menos, porque tem rolado tanta notícia ruim que eu estou me segurando. O que me move, na verdade, é encontrar uma coisa nova, diferente, descobrir algo, uma sonoridade de um instrumento, poder ajudar as causas sociais em que estou envolvido. Tenho essa vontade de fazer coisas bonitas e que aquilo faça diferença na vida de alguma pessoa.

Só no ano passado você lançou quatro álbuns e já acumula 38 trabalhos autorais. O que te motiva a criar tanto?
É muita coisa. Tenho 43 anos, então quero dar uma acelerada para igualar minha idade ao número de álbuns e depois fazer um por ano (risos). Eu quero criar uma música que seja lembrada para sempre, que seja contemporânea e mostre a realidade, mas que possa ser escutada daqui a 50, 100 anos. É o lema que escrevo os meus discos: o moderno é tradição. Olho para o futuro, mas faço a música hoje. O que vale para mim é o agora, o melhor do dia.

Sobre o show: “Tenho certa que quem for ao show vai se emocionar, descobrir novas sonoridades, reencontrar sons do jazz e da música brasileira em uma noite única.”

Quem te inspira?
Tanta gente. Dentro do universo musical, todos os meus mestres, como o Jacob [do Bandolim], Pixinguinha, Baden Powell me inspira muito na hora de compor, Hermeto Pascoal. Meus filhos me inspiram, tenho um amor tão grande que quer vê-los bem é uma motivação para mim. Tenho um amor muito grande pelas crianças no geral, elas são a justificativa do mundo. Quando nasce uma criança, o amor revive e traz amor aos adultos. Isso é uma fonte eterna de inspiração.

O que podemos esperar do seu show no TOPVIEW Jazz Sessions?
O show vai ser inesquecível, estamos com uma sede de tocar esse repertório que será apresentado pela primeira vez. Tenho certa que quem for ao show vai se emocionar, descobrir novas sonoridades, reencontrar sons do jazz e da música brasileira em uma noite única.

JOGO RÁPIDO COM HAMILTON DE HOLANDA:

Um álbum: Harmonize.
Uma música: Tema de amor de Cinema Paradiso.
Um show: Hermeto Pascoal, em 1996, em Brasília.
Um país: Brasil.

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