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Aleitamento exclusivo é desafio para 60% das mães

Em Agosto Dourado, a Febrasgo atenta para a importância do aleitamento materno para crianças e mães, mesmo durante a pandemia

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Segundo pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, apenas 39% das mães utilizam o leite materno como alimentação exclusiva de seus bebês até os seis meses. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta que esse baixo percentual pode impactar negativamente a vida da mãe e da criança, com potenciais reflexos em toda a vida. A meta mundial estabelecida pela Assembleia Mundial de Saúde é elevar esse percentual para 50% dos recém-nascidos, até 2025. Para chamar a atenção ao tema, o calendário mundial de saúde instituiu esse mês como Agosto Dourado.

A OMS ressalta que o desafio não é apenas brasileiro. Segundo a Instituição, os esforços para coibir a promoção prejudicial dos substitutivos do leite materno tem falhado em diversas Nações. Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Silvia R. Piza Ferreira Jorge, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Febrasgo, é necessário maior envolvimento e integração de ações de diversos segmentos da sociedade.

“Sem dúvida nenhuma, o número de mães que utilizam o aleitamento como alimento exclusivo não só pode, como deve aumentar. Para tanto, ações de diversos setores, sociais, políticos, econômicos e de saúde devem estar atuantes e concordantes. As boas práticas por parte das equipes de saúde devem ocorrer desde o atendimento pré-natal, assistência ao parto e nascimento, estendendo-se à rede de apoio domiciliar”.

Benefícios para bebês e mães
De acordo com a especialista, o ato de amamentar traz benefícios não apenas imediatos, mas que interferem inclusive na saúde da vida adulta. “O leite materno é rico em proteínas, fatores de crescimento e imunoglobulinas, com anticorpos que protegem, inicialmente, o recém-nascido do modo passivo. Interferem na formação de seu sistema imunológico, e no microbioma intestinal, reduzindo o risco de infecções, diarreia, além auxiliar na modulação de resposta imunológica e orgânica frente a diversos agravos, diminuindo o risco, inclusive, de doenças da vida adulta, como diabetes, hipertensão, obesidade e cânceres”.

Também na vida da mulher que amamenta, os benefícios são percebidos em curto e longo prazo. “Os benefícios imediatos estão principalmente na resposta mais acelerada da recuperação pós-parto, como involução uterina e redução de perdas sanguíneas, recuperação de peso corpóreo e, mais tardiamente, redução de fatores de risco para cânceres, especialmente de mama”, salienta Dra. Silvia.

Aleitamento na Pandemia

No atual contexto de pandemia por Covid-19, a especialista salienta que, até o momento, não existem evidências científicas consistentes da transmissão do vírus da Covid-19 pelo leite materno para a criança. Contudo, alguns cuidados devem ser observados. “Antes da amamentação, a mãe deve lavar as mãos e antebraços adequadamente, prender cabelos ou colocar touca, além do uso de máscaras. Caso apresente algum sintoma, como tosse, espirro, coriza, cefaleia, ou outros sintomas; ou ainda, sinta-se insegura quanto ao aleitamento – ela pode realizar a extração do leite, e oferecer ao bebê em um copinho ou colher, por alguém da sua confiança e que esteja bem”, explica a obstetra.

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