Luciana Almeida e seu trabalho com pessoas em situação de rua

O oposto do medo é o amor: conheça o Projeto Luz

Luciana Almeida decidiu sair da posição de conforto para se dedicar àqueles que as vezes só precisam de afe

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Luciana Almeida em mais uma atividade com pessoas em situação de rua

Durante anos passei com frequência por uma praça e observei as pessoas em situação de rua. Sentia medo, não queria chegar perto. Mas no isolamento seguro do meu carro, ficava me perguntando o que levaria uma pessoa a viver assim.

Desprotegidos do frio, sem conforto algum, sem garantia da próxima refeição, expostos à violência, solitários, por vezes perdendo a sanidade. Era muito assustador para alguém como eu, que tem proteção, uma família me esperando em casa, conforto, amigos, trabalho, amor e saúde. Éramos de mundos diferentes, pensava eu.

Porém um dia, recebi um convite insólito: ajudar a distribuir alimentos na Praça Tiradentes para pessoas em situação de rua. Minha primeira reação foi de pânico. Como eu poderia sair da minha posição distanciada e protegida e chegar perto daquelas pessoas tão diferentes de mim? Como derrubar a barreira de aço e me aproximar daqueles que eram invisíveis na cidade?

Por mais que tivesse medo, eu fui. A experiência foi transformadora, me senti realizada e nunca mais parei! Sei que existem vários motivos para estarem lá, conheço suas histórias, sei que sonhos frustrados, fatalidades, desilusão, doenças e drogas podem levar alguém à situação de rua, mas sei também que um olhar amoroso, um ouvido amigo, uma mão estendida ajudam a renovar a esperança e a semear a possibilidade de uma vida melhor.

Projeto Luz

Hoje, toda quarta-feira, estou com os voluntários do Projeto Luz na Praça Tiradentes levando cobertores, alimentos, banho e atenção a quem precisa. Entretanto, muitas vezes um abraço e uma conversa são a melhor coisa que se pode doar.

Quero que mais pessoas tenham a oportunidade de saírem de seus casulos a fim de experimentarem na prática o poder transformador do amor incondicional. Não se trata de ter condição material de doar, nem de doar o que não se tem, mas de compartilhar com o próximo o que todos nós temos: a nossa humanidade, a capacidade inata de reconhecer outro ser humano e ser solidário.

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