Oriovisto Guimarães, o super empresário e senador brasileiro - TOPVIEW

Oriovisto Guimarães, o super empresário e senador brasileiro

Uma linda história de empreendedorismo brasileiro

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A primeira coisa que encanta nesse grande empresário e senador é sua simplicidade e simpatia. Oriovisto Guimarães, nascido em Batatais, interior de São Paulo, é o filho mais novo de oitos irmãos. Ainda muito jovem, aos 17 anos, estabeleceu-se em Curitiba. Inicialmente, ganhava a vida dando aula particulares de matemática.

Prestou vestibular para Ciências Econômicas e Engenharia Civil, na Universidade Federal do Paraná, e cursou ambos. Juntamente com outros professores, fundou o Curso Positivo, em 1972. O curso fez história e se transformou no Sistema Positivo de Ensino, que se espalhou por todo o Brasil. Para ele, “o que caracteriza as pessoas que são mais empreendedoras é uma certa inquietação.” Essa inquietação é visivelmente perceptível no empresário.

Aos 73 anos, Oriovisto Guimarães, apaixonado por política, candidatou-se ao cargo de senador e foi o mais votado no estado do Paraná, com 3 milhões de votos. Além disso, ele faz parte do movimento “Muda Senado, Muda Brasil”, um grupo de senadores que querem propor mudanças reais. Em um momento político tão conturbado em nosso país, o senador é um dos autores da PEC 05/2019, que prevê a execução da pena com a condenação na segunda instância. Mais de 500 mil assinaturas constam em carta aberta, apoiando a proposta.

Na segunda semana deste mês, entretanto, o Supremo Tribunal Federal julgou contra a prisão em segunda instância. Para ele, a PEC deve ser votada em regime de urgência.

Sobrevivente dos duros tempos ditatoriais no Brasil, Oriovisto Guimarães acredita piamente que as mudanças no nosso país só vão acontecer quando a população brasileira acordar: “os nossos políticos são um reflexo da nossa sociedade.”

Uma importante reflexão vinda de uma pessoa que, diante dos longos anos dedicados aos estudos e às mudanças, faz acontecer.

Confira a entrevista completa:

Qual o conselho daria para os jovens empreendedores e empresários?
O que caracteriza as pessoas que são mais empreendedoras é uma certa inquietação, existem vários livros escritos sobre essa inquietação que ninguém sabe de onde vem, se ela é natural, se a pessoa já nasce com ela ou é adquirida.
Eu acho difícil que ela seja adquirida, porque a pessoa pode fazer as melhores faculdades ou escolas, mas não é possível formar um Pelé ou Bethoven. Não precisa ser gênio para ser empreendedor.
Para ser empreendedor você precisa querer muito fazer alguma coisa, se dedicar muito, estudar bem aquele assunto e entender porque as pessoas vão querer comprar o seu produto ou o seu serviço. Você não pode obrigar ninguém a usar o seu produto, as pessoas são livres, mas se você for capaz de antever o que as pessoas querem do seu serviço e produto e for capaz de satisfazer isso por um preço razoável a sua empresa vai ter sucesso.

A política veio antes do empresário?
Participei de movimento estudantil na época da ditatura de 64, mas era muito comum e havia todo um conjunto de forças que queriam restaurar a democracia no Brasil, fiz parte do congresso de Ibiúna, fui preso, depois teve o AI5 e a coisa endureceu muito e todos que eram revolucionários casaram e a revolução acabou, a família foi mais importante, e trazer o sustendo para casa, e já não tinha mais tempo para pensar em política estudantil.

Pode nos contar um pouco do episódio que impossibilitou sua ida a Harvard?
Teve um concurso da Associação Universitária Americana, onde eram feitos testes por psicólogos americanos patrocinados pela Fundação Rockfeller e eles vieram detectar pessoas com potencial de liderança, que futuramente pudessem ser grandes empresários ou políticos, e quem passasse ne teste passaria um mês em Harvard. Naquele tempo era um sonho porque eu era completamente sem recursos, e a viagem era paga, com hospedagem gratuita e eu fiquei em primeiro lugar no estado do Paraná, mas não foi possível ir porque o meu passaporte não saiu devido ao regime militar, mesmo com intervenção do embaixador americano.

Como surgiu o nome positivo?
Foi idéia do meu sócio, Samuel Ramos Lago, nós estávamos em uma conversa informal e decidimos positivo sem pensar muito, na época todos acharam estranho, mas hoje ninguém acha mais e essa palavra sempre foi sinônimo de coisa boa.

O que se deve ter sido o candidato mais votado?
Foi um esforço concentrado, em 3 meses de muito trabalho, viagem. Tínhamos nas primeiras pesquisas apenas 1% da intenção de voto, nas primeiras pesquisas, quando entrou o horário eleitoral gratuito, eu gravei todos sem texto e naturalmente com base em uma plataforma de coisas que eu queria fazer e o povo viu que eu estava falando a verdade. E deu certo. Tive muita ajuda de ex alunos. Acho que fui um bom professor e eles cofiaram em mim como bom político também. A propaganda boca a boca foi muito importante.

O senhor é contra o empreendedorismo político, o que seria empreendedorismo político?
Pessoas que ficam a vida toda ocupando um cargo político, que fazem do cargo político uma profissão, eu não gosto disso, acho que a política devia ser como um serviço voluntário, por no máximo 4 anos, depois viver a vida pagando os impostos que ele criou e sob as leis que ele ajudou a fazer. Eu acho que tem que haver renovação, a vida é renovação, caso contrário da uma sensação de bolor, a chance de mudança diminui e os vícios se perpetuam.
Esse empreendedorismo na política está muito ligado com nosso estado patrimonialista, ou seja, dessa confusão do público e do privado. O que é público tem que ser só público e o que é privado tem que ser privado e não podem se misturar. E toda essa operação lava jato mostrou todo esse lado podre.

O senhor acha que é possível mudança?
Só vai mudar quando a população brasileira acordar. Os nossos políticos são reflexos da nossa sociedade. A população tem que aprender a não reeleger, se for reeleger o político deve ter feito um grande trabalho para a nação.

O que é o movimento “Muda Senado, Muda Brasil”?
É um grupo de senadores que não são políticos profissionais e querem propor mudanças reais. Pessoas com as quais me identifiquei e que pensam o país como um todo. Propomos importantes projetos de lei como a PEC 12/2019 e 05/2019.
Não somos condenados a sermos eternamente subdesenvolvidos, depende de nós. A esperança precisa ser restaurada. E acreditar em uma nova mensagem que é essa que o Grupo pretende passar.

Qual o andamento da PEC 05/2019?
Deve ser votada em regime de urgência, tem um caminho para andar, temos um longo caminho que pode ser barrado porque tem muitas pessoas que estão sendo processada com foro privilegiado. É o que acontece é o mal ajudando o mal. O Governo não deve ter uma cúpula blindada. O Brasil não deve ter dono. Tem muito o que fazer nesse país e só é possível com o apoio da população.

Qual característica mais admira nas pessoas?
Honestidade, inteligência, vontade

O que gosta de fazer nas horas vagas?
Faço exercícios físicos que é onde descanso minha cabeça, passear e ler.

Um filme que marcou?
Um filme que eu sempre me lembro muito, é um faroeste que impressiona um adolescente de 16 que foi marcante para mim que é “Os Brutos Também Amam”, depois vieram uma centena de filmes intelectuais lindíssimos.

Uma pessoa inspiradora?
Eu gosto muito dos grandes pensadores filósofos, desde Sócrates até os modernos eu gosto muito. Para falar dos modernos eu gosto muito do Luc Ferry e André Comte-Sponville.
E inspiração política eu gosto muito do Fernando Henrique Cardoso, o considero uma pessoa excepcional

*Matéria originalmente publicada na edição 230 da revista TOPVIEW.

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