Givago Ferentz: o arquiteto referência em gastronomia e entretenimento

Givago Ferentz: o jovem arquiteto que é referência em gastronomia e entretenimento

Referência em projetos gastronômicos em Curitiba, o arquiteto coleciona mais de 300 obras concluídas em 6 anos de atuação – aos 28 anos de idade

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Ele cresceu entre o vai e vem dos hóspedes que passavam pelo Curitiba Palace Hotel – um dos estabelecimentos mais  tradicionais da capital paranaense, onde sua mãe, Ana Ferentz, trabalha desde que saiu de Papanduva, no interior de Santa Catarina. Foi ali, brincando com seus legos e cadernos de pintar, que Givago Ferentz vislumbrou a arquitetura.

De família de agricultores, Ana criou sozinha o único filho. “[Os chefes] aumentaram o salário dela para eu conseguir pagar metade da faculdade [na Universidade Positivo]. A outra metade, financiamos e paguei depois de formado”, conta Givago. Conseguir “alguma coisa” era sempre uma batalha. Não ter um pai presente lhe fez amadurecer mais cedo e, acredita,  ter “a vontade de fazer acontecer”. Hoje, sua ambição não é pouca: “Quero ser referência nacional em gastronomia e entretenimento”, afirma o arquiteto, que já soma mais de 300 projetos assinados em seis anos de marca – dos quais 120 gastronômicos.

Para chegar até aí, foi uma longa trajetória. Aos 15 anos, Givago já trabalhava no caixa de uma lan house. De lá, foi pra Vidri, onde pintava pastilhas de vidro e viu desenvolver seu lado artístico. Com a faculdade, precisou se dedicar a estágios. Esteve na Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, Fávaro Arquitetos – “como era especializada em projetos de churrascarias, tive meu primeiro contato com a gastronomia”–, Luiz Maganhoto & Daniel Casagrande – “onde aprendi a gostar de design de interiores” –, até que passou em um concurso público para residência técnica na Secretaria de Educação. Mas algo lhe dizia que estava no lugar errado.

Veja também: TOP Talk apresenta Givago Ferentz

Paralelamente ao trabalho público, abriu seu escritório no início de 2013. “Trabalhava de manhã, buscava cliente à tarde”, lembra. A demanda aumentou, contratou um estagiário, depois outro e mais um. Decidiu reformar a casa onde vive com a mãe, no São Braz, transformando-a em um escritório. Lá, viu o negócio quadruplicar, nos últimos quatro anos, e projetos como o Café Municipal (2014) e o Café do Viajante (2016) ganharem vida – para citar dois grandes marcos na carreira dele.

“Fico muito grato porque vejo que o que eu projeto ajuda as pessoas a se projetarem.”

Faz sete meses que Givago e a equipe de oito colaboradores estão instalados em um charmoso endereço nas Mercês, uma espécie de hub de decoração e arquitetura.

Na entrevista a seguir, Givago Ferentz relembra alguns dos mais de 300 projetos assinados por ele nestes seis anos de marca – dos quais 120 gastronômicos – e mostra que a relação com a gastronomia vai muito além dos projetos arquitetônicos.

 
 
 
 
 
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Mais uma da @jackpizzaria! Um projeto #givagoferentzarquitetura! 📷 @zequinao #givagoferentzarquitetura #entrenimento #gastronomia #arquitetura #interiores #industrial #compartilhe #jackpizza #gphaus #projeto #pizzaria

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Em que momento você entendeu que se especializaria no mercado gastronômico e de entretenimento?
Givago Ferentz: Dentro da hotelaria, fiz muitos “padrinhos”. Eles me deram meu primeiro projeto, o restaurante-café do Hotel Marabá. Eu faço residencial, de público A e B, com estilo clássico até contemporâneo, industrial. Mas a hotelaria me abriu o olhar para esse mercado… Veio o Galeria [café], Café Municipal (um dos primeiros cafés-bistrô de Curitiba), o Café do Viajante – outro super case que estourou a nível nacional. A Jack [pizzaria], que revolucionou Pinhais. Imagina, uma pizzaria de 700 m²… Fico muito grato, porque vejo que o que eu projeto ajuda as pessoas a se projetarem. É como se a arquitetura fosse um cartão de visitas… Comecei a realmente me capacitar nesse segmento e, hoje, ele representa 70% do escritório. Quero ser referência nacional em gastronomia e entretenimento.

O Café Municipal foi o primeiro marco na carreira meteórica do arquiteto.
Outro sucesso, o Café do Viajante, deve ganhar uma segunda unidade em 2019, desta vez, no bairro Água Verde.

TV: Qual o principal desafio ao atender esse segmento?
GF: O problema é que todo mundo acha que é tudo muito bonito, é só festa. Há um lado muito forte de processos, de estudo, pesquisa. Já errei muito. Teve caso em que coloquei um forno onde não podia. Depois entendi que era preciso estudar o forno. Os erros acontecem, mas abrem teus olhos para o que é preciso se atentar. No entretenimento, mais ainda. Você se vê lidando com mil pessoas, muitas normativas, leis, não é uma coisa simples. Mas o profissional especializado vai sair na frente pelo know how, por evitar que o cliente final tenha prejuízos, por exemplo. Gastronomia é convívio. Se você não entende isso, não vai conseguir fazer o projeto.

“Quero deixar boas iniciativas, bons lugares para as pessoas se divertirem e terem boas experiências.”

TV: Imagino que haja também um cuidado em não fazer algo parecido com o que já foi feito…
GF: A minha regra é: nenhum projeto pode perder identidade. Todos devem ter uma experiência única. Sempre gosto de colocar um amarelo da sorte, da alegria, do convívio e da infância (risos). Já escutei de cliente: “Givago, quero você, mas não quero amarelo” (risos). Eles brincam, mas se me procuram é porque buscam a minha personalidade. Não sou um arquiteto minimalista. Sou maximalista. Aquela pessoa que consegue compor com muita informação sem deixar feio, over, brega.

TV: Além da ligação com arquitetura, qual a sua relação com gastronomia?
GF: Gastronomia sempre foi uma paixão. Comecei a buscar de onde veio isso e minhas tias, por exemplo, quase todas estão envolvidas na área. Minha mãe é uma cozinheira de mão cheia! Eu cozinho para meus amigos, meus clientes. Quero ainda chegar num GNT um dia, num programa de arquitetura e gastronomia (risos). Fiz amigos chefs, baristas, consultores de gastronomia. Vou fazer um curso no Espaço Gourmet, mas sem a pretensão de ser chef. Não quero ser chef, quero ter um olhar de chef sobre as coisas. Quero deixar boas iniciativas, bons lugares para as pessoas se divertirem e terem boas experiências.

“Me perguntam por que eu não faço CASA COR. Digo ‘quando estiver mais colorida, eu vou’ (risos).”

TV: Já que tocou no assunto… Onde gosta de ir, onde teve boas experiências?
GF: Gosto muito da boa gastronomia do Coco Bambu, do Terrazza 40, que tem essa coisa de experiência em três picos – almoço, café da tarde e jantar. O Bistrô do Victor, gosto muito da comida. De cafeteria, amei o Botanique, das meninas da Moca Arquitetura… Pelo menos três vezes por semana eu saio pra comer, estudar, fazer essa imersão em algum lugar diferente. O Fresh [Live Market] me marcou muito como arquitetura. Mas um lugar que amo de paixão e se tornou até atemporal, pra mim, é o Mustang Sally, que, inclusive, foi projetado pelo Gastão Lima, um ídolo e grande mestre da arquitetura de gastronomia.

TV: Falando em mestre… Quem são suas referências na área?
GF: Além dele, gosto dos transformadores Marcio Kogan, Isay Weinfeld… E coloridos, mais meu estilo, como Marcelo Rosenbaum, Irmãos Campana – gosto do estilo provocativo deles. Mas amo de paixão o trabalho do Guilherme Torres, um profissional jovem – inclusive cancelei minha agenda esses dias quando ele esteve por aqui. Gosto de como ele pensa a arquitetura. E, veja, ele é extremamente minimalista (risos). Essa é a sacada da arquitetura. Tem tanto espaço, tanto nicho não explorado. Eu sempre falo “estude algum nicho, torne-se um especialista em alguma coisa”… A gente está perdendo muito mercado… Me perguntam por que eu não faço CASA COR. Digo: “quando estiver mais colorida, eu vou” (risos).

 
 
 
 
 
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Sou fã ❤️ @guilhermetorres

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TV: E seu projeto arquitetônico preferido em Curitiba?
GF: Eu sou um apaixonado pela história do MON. Era uma escola, o Instituto de Educação era para ser lá, depois virou um prédio abandonado por anos. Veio um arquiteto com olhar urbano e viu um mega parque atrás, vislumbrou um verdadeiro monumento, que é aquela esplanada, e fez um “olho”, tipo “olhem para isso que vocês estavam ignorando”. A história dele é, para mim, o que deve ser a arquitetura, algo que transforma. Em São Paulo, dois lugares nos quais vivi boas experiências foram o Paris 6, uma cafeteria bem temática, louca, e o Eataly. Falei: “É isso que eu quero, uma arquitetura de um lado cênica, até circense, e, de outro, contemporânea, industrial”.

TV: Profissionalmente, qual é o seu sonho de consumo? Tem algum projeto que tem vontade de fazer?
GF: Meu sonho é fazer um shopping center. Tenho certeza que faria algo bem sensorial, cheio de experiências.

TV: Como está o escritório? Já conseguiu recuperar o investimento?
GF: Hoje, posso dizer que estamos estáveis. Temos credibilidade, referência, mas onde eu quero chegar ainda está longe. Quero mil m² de escritório, muita gente, um espaço com ateliê, galeria de arte, tudo junto…

TV: Quais os planos para 2019?
GF: Ano que vem, vou dar aula de Arquitetura Comercial Gastronômica dentro do curso de pós-graduação em Arquitetura Comercial, da Universidade Tuiuti do Paraná. Estamos cogitando fazer a CASAR COR em Florianópolis. Tenho alguns projetos novos, um bem grande – um novo complexo gastronômico em Curitiba. Vamos lançar também o 2º Café do Viajante, no Água Verde, com uma temática incrível, com lago, bichos… Em 2018, arrumei a casa. Quero que 2019 seja o ano do ouro, de colher o que plantamos.

TV: E o fim de ano? Vai ser em Papanduva?
GF: O Natal, sim (risos). Vai ser em Papanduva, no sítio, com a família de 200 pessoas (risos). Réveillon, ainda não sei. Queria fazer uma viagem sozinho, mas como agora estou namorado, talvez deixe para outro ano. Mas desejo que 2019 seja um ano de muito brilho. Que as pessoas encontrem suas essências.

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