Eduardo Bekin discute as premissas futuras no mercado de investimentos - TOPVIEW

Eduardo Bekin discute as premissas futuras no mercado de investimentos

O Presidente da Invest Paraná indica os caminhos pelos quais os investidores devem seguir para superar a crise do coronavírus

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Em momentos de incerteza como este em que estamos vivendo, é sempre bom contar com o conhecimento de quem entende do mercado de investimentos para conseguir superar qualquer obstáculo. Confira a entrevista que fiz com o Presidente da Agência Paraná Invest, Eduardo Bekin, sobre os programas e incentivos no nosso estado.

Como está sendo a atuação da Agência Paraná Desenvolvimento nesta pandemia?
A atuação da Invest Paraná na questão da pandemia é bem interessante porque, por mais que tenha dado uma parada na procura de empresas querendo investir no estado, ela teve um papel muito bom. Nós começamos a buscar quem eram os fabricantes de produtos da área médica, da área de saúde e identificamos que o maior fornecedor de tecidos para as máscaras descartáveis era do Paraná, da cidade de São José dos Pinhais. Conseguimos, através da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), adquirir o tecido e dar serviços às pequenas fábricas de tecidos, de roupas e confecção, enquanto outros outros estados tiveram problema de aquisição das máscaras junto ao mercado chinês, até pelo elevado preço, bem como pelo problema de quando o avião parava tanto nos EUA como na Europa e, pela necessidade do produto, havia a requisição por parte desse país. Então nós encontramos a solução dupla. Primeiro, nós conseguimos o produto a um preço extremamente adequado e na quantidade abundante. Segundo, conseguimos dar trabalho, conseguimos dar receita às pequenas confecções e costureiras, então isso foi uma lição. Nós conseguimos ativar a economia e mostrar que somos sim capazes de produzir produtos de qualidade. Tanto é que hoje, a fábrica de tecidos, que fica na região de SJP, está triplicando o seu tamanho, em função dessa demanda que nós começamos e hoje é um ponto muito legal. Esse é um dos papéis da Invest Paraná, entre outros.

O que é o Programa Paraná Competitivo?
O Programa Paraná Competitivo é um dos dois programas da Invest Paraná. Um deles é o PMAI, Programa Municipal de Atração de Investimento que, nós fazemos um levantamento por município, por região, de qual é a aptidão ou qual é a vocação dessas cidades ou dessa região para a atração de investimentos. O segundo é o Paraná Competitivo, um grande guarda-chuva de incentivos fiscais em vários investimentos e vários ramos de atividades que a gente dá para as empresas, a fim de que elas venham a abrir as suas portas aqui no Paraná, bem como ampliar as suas atividades aqui no estado. Recentemente nós estendemos o Paraná Competitivo para duas áreas muito importantes, uma delas é a área de importação e a segunda é a área de e-commerce. Nós queremos transformar o estado do Paraná no estado do e-commerce no Brasil.

Como funciona a parceria com a Invest Paraná?
A Invest Paraná, na verdade, quando eu entrei aqui, não existia as parcerias. Hoje nós estamos buscando algumas parcerias, que são pontos avançados fora do Paraná, com isso, logicamente, a gente não pode atacar os outros estados, não seria nem de maneira correta fazer isso. Veja, eu sempre adoto uma postura de que “eu não faço com os outros aquilo que eu não gostaria que fizessem comigo”, então não está certo o Paraná atacar São Paulo, Santa Catarina, os estados do Nordeste, por isso, nós temos pontos avançados fora do Brasil. Isso a Invest Paraná, junto com esse atual governo, fez muito bem. Nós abrimos parcerias na Suíça, Alemanha, Israel, abrimos duas parcerias nos Estados Unidos, ou seja, são empresários que estão falando do Paraná e tentando trazer negócios para o Paraná. Se não fosse agora o Covid, a nossa ideia era abrir o primeiro ponto avançado do Paraná em Miami, nos Estados Unidos, e levar os nossos produtos lá para fora. Ou seja, a gente teria um ponto de não mais trazer empresas para dentro do Paraná, mas pegar a nossa produção local, prepará-la e vendê-la  para os mercados internacionais.

“Nós queremos transformar o estado do Paraná no estado do e-commerce no Brasil.”

Houve aumento dos incentivos às importações com a quarentena?
Em função da pandemia, era um pleito muito antigo aqui da Invest Paraná, de pelo menos quase 8 ou 9 meses, a gente melhorar os nossos incentivos com respeito a importação. Com a quarentena, nós conseguimos sensibilizar ainda mais a Secretaria da Fazenda, que é quem concede de fato os benefícios, nós somos só um órgão que faz a conexão entre o setor privado e o setor público, e a gente alimenta o setor privado de informações nas quais nós somos competitivos ou não. Nós conseguimos, tem um decreto novo colocando o estado do Paraná como um dos mais competitivos na questão da importação hoje.

Quais os setores prioritários para investimento?
Os setores que a gente coloca como prioritários para investimentos são esses que atendem três pilares: o pilar da geração de emprego, o pilar que atenda o desenvolvimento local e regional, e o pilar que atrai e que gera mais arrecadação. Não é aumento da carga tributária, mas é aumento da arrecadação, porque a máquina é pesada. Então, se atendeu esses três pilares, eu posso dizer tranquilamente que se torna prioritário.

O Estado do Paraná está sendo considerado o mais inovador do País, a que se deve isso?
Eu acho que a principal inovação do estado do Paraná que a gente atribui ao governador Carlos Massa Ratinho Junior, é a questão da gente levar a tecnologia à população. A partir do momento que conseguimos transformar a vida do cidadão comum de alguma forma menos burocrático, mais simples, abertura de empresas em questão de horas, em questão de minutos, acho que isso é inovação. Inovação é quando a gente consegue fazer a vida do cidadão melhor. E aí a gente gera mais coisa, a gente se torna hoje um estado que dá muito valor às startups. Nós estávamos e 3º, 4º lugar, hoje nós já estamos em 2º lugar, estamos à frente de Santa Catarina, então as startups estão olhando com bons olhos, o mercado de inovação, o mercado que fomenta a TI está olhando o Paraná e eu acho que uma das grandes premissas o estado é a velocidade da resposta, tanto para dizer sim como para dizer não. O não às vezes também é importante.

Quais sãos os diferenciais dos portos paranaense?
Primeiro, nós estamos batendo, a cada dia, os recordes nas transações dentro dos portos, tanto na importação quanto na exportação, principalmente na exportação de grãos. Mas eu acho que a principal diferença é a competência que levou os portos do Paraná a serem portos independentes, os primeiros portos independentes. Ou seja, a gestão portuária gerida pelo estado tem independência do Governo Federal, podendo fazer uma série de ações sem ter a dependência da União. Isso é um grande resultado da administração da gestão atual portuária, como o compliance que o todo o estado do Paraná executa: transparência total nas ações, nos contratos e tudo mais. 

Os indicadores no início de 2020 para o Paraná eram positivos, como está o cenário atual?
Eu acho que o Paraná finalizou 2019 e iniciou 2020 numa ascendência muito alta, crescendo muito rápido. Isso talvez nos dê um fôlego extra comparado aos demais estados, principalmente aos nossos vizinhos, como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nós temos ainda uma gordura para queimar. Sabemos as dificuldades que vamos passar e já estamos trabalhando com cenários de 2021 e 2022 não tão favoráveis, mas estamos na luta, olhando e procurando alternativas e qual vai ser a maneira de, o mais rápido possível, iniciar a retomada economia, a retomada das atividades, sempre com a preservação da vida humana, ela em primeiro lugar. Estamos com o olho lá na frente e sabemos que vamos repetir a dose. Se nós não formos os primeiros, vamos ser um dos primeiros a sair dessa crise e retomar.

Existe a possibilidade da AGPD investir em Startup?
Veja, a Invest Paraná não tem como investir recursos em startups. Mas, sim, nós da Invest junto com a Fomento Paraná, com BRDE, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Planejamento, estamos colocando como um dos planos para sair da crise o investimento muito forte em nível de startups. Nós sabemos que, construção civil e alguns setores da agricultura são importantes para a retomada, mas as startups têm capacidade de colocar uma grande quantidade de jovens para trabalhar. Uma startup, se ela se torna um unicórnio,  gera um valor de recursos de economia dentro do estado muito grande. Então, sim, nós acreditamos que um dos pilares são as startups e nós estamos com um pé embaixo desse setor.

Qual seu aconselhamento para os jovens empreendedores?
Eu acho que o jovem empreendedor não tem que ter medo de errar. Nos Estados Unidos, quando alguém erra ou ocorre de ter uma falência, essa pessoa volta e se torna um herói. Aqui no Brasil, no modo como se opera tudo, todo mundo tem muito medo de errar. Eu acho que um grande problema nosso é não incentivar os jovens empreendedores, é não mostrar para eles os recursos que estão disponíveis. Por exemplo, no Paraná nós temos o BRLab, nós temos a Celepar criando uma série de atividades, temos o Tecpar, uma das primeira incubadoras que o Paraná e o Brasil já tiveram. O jovem tem que aprender a investir, não ter medo de errar. Quanto mais cedo ele errar, mais rápido ele vai entender os caminhos do porquê errou, então errar e se levantar vai transformar o jovem paranaense em um jovem empreendedor. Este ano, a minha ideia junto com a Invest Paraná é rodar as universidades, principalmente os últimos anos, e fazer todos os trabalhos desses programas, tanto o PMAI como o Paraná Competitivo, junto às universidades, passar esses conhecimentos. O conhecimento tem que estar na mão do jovem, tem que estar sendo compartilhado.

Um dica de livro
O livro que tem tudo a ver com o que estamos conversando é o Novo Poder. O jovem tem que ler esse livro, para mim, é leitura obrigatória.

Uma dica de filme
Eu vou indicar uma série que está na Netflix e que eu gosto muito, La Catedral del Mar.

Uma inspiração
Até agora, inclusive vivendo esse momento de estar em isolamento social e que conseguiu escrever um diário. Nós estamos há 20,30, 40 dias de isolamento, essa pessoa já viveu muito, mas muito tempo, estamos falando de mais de meses em isolamento, foi Anne Frank. Então, é uma coisa que, mesmo em um isolamento terrível, de guerra e inimaginável para nós, hoje, de isolamento com Netflix, internet, a gente se sente às vezes sofrendo, eu fico imaginando essa menina que escreveu um diário na época da Segunda Guerra Mundial por perseguição e tudo mais, então, para mim isso é uma inspiração. 

Quais são, na sua opinião, os aspectos importantes para a superação do momento atual?
É uma frase que meu pai falava há muito tempo e minha mãe repetia: “Em momentos de crise, em momentos difíceis, sempre vai ter muita gente chorando e vão existir aqueles que vendem lenços.” Eu acho que temos que procurar ser os fabricantes e os vendedores de lenços, pensar fora da caixa. Acho que essa é a superação e isso que tem que estar na cabeça de todo mundo. Pensar fora da caixa e ser os fabricantes ou os vendedores de lenços, porque muita gente está chorando.

*Coluna originalmente publicada na edição #236 da revista TOPVIEW.

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