Balé Teatro Guaíra celebra 50 anos de história! - TOPVIEW

Meio século de história: Balé Teatro Guaíra celebra 50 anos apresentando seus melhores espetáculos

Conheça a incrível trajetória da companhia, que vai apresentar sucessos como A Sagração da Primavera e Segundo Sopro na primeira quinzena de maio

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É muito raro encontrar por aí alguém que não conheça o Teatro Guaíra. Até mesmo quem não entende ou não é fã de arte conhece esse grandioso teatro, sede de uma das companhias de dança mais respeitadas do país, o Balé Teatro Guaíra. Prestes a completar 50 anos de existência, a companhia passou por uma trajetória marcante, cheia de desafios e obstáculos – vencidos com sucesso. Isso quem mostra é o próprio patamar alcançado pelo grupo com muito suor, dedicação, técnica e horas de ensaio – e olha que disso eu, Thaís, entendo muito bem, afinal, meus 12 anos de carreira como bailarina me ensinaram muita coisa.

Quer mergulhar por dentro dessa história e conhecer a incrível caminhada dessa companhia surreal? Vem comigo!

A história

Espetáculo “O Grande Circo Místico”, de Carlos Trincheiras, em 1983. (Foto: divulgação).

Criado em 1969 pela Secretaria de Educação e Cultura, o “Corpo de Baile da Fundação Teatro Guaíra” – como era chamado na época –, é a terceira companhia pública mais antiga do país e teve como primeiros diretores Ceme Jambay e Yara de Cunto.

Diversos coreógrafos e diretores de renome nacional e internacional passaram pelo Balé Teatro Guaíra, assim chamado a partir de 1979, enquanto era comandado pelo coreógrafo português, Carlos Trincheiras. Ana Botafogo, uma das bailarinas mais prestigiadas e respeitadas do país, também passou pela companhia curitibana e não foi para pouca coisa não! Ela estreou como solista (a primeira bailarina) em espetáculos como o ballet Giselle – um dos meus favoritos, por sinal!

Trincheiras foi muito marcado na companhia pelas diversas obras que coreografou. Entre elas, a mais aclamada e popular é O Grande Circo Místico, de 1983, que teve música exclusiva criada por Edu Lobo e Chico Buarque. Icônico, né? Após a morte do coreógrafo, quem assumiu a direção do BTG foi outro nome marcante para a história do grupo, o (até então) primeiro bailarino Jair Moraes – até nas minhas aulas de ballet com outros professores, eles passavam ensinamentos e citavam Jair.

A companhia é dirigida por Cintia Napoli desde 2012 e possui, atualmente, 23 bailarinos contratados pelo projeto Palco Paraná – criado como a audição que reestabeleceu o novo quadro de profissionais do BTG. Durante todo o seu percurso, foram realizadas mais de 140 coreografias e, hoje, a Cia. apresenta um repertório mais focado na dança contemporânea – que é incrível e você não pode deixar de conhecer!

As dificuldades do Balé

Bailarinos do BTG protestaram contra a exoneração dos cargos. (Foto: Thaís Mota).

Pela minha experiência, posso dizer o quão difícil é a vida para quem vive de dança. Sim, existem pessoas que vivem da arte e que, inclusive, sofrem preconceito em frases como “mas você só dança?” ou “você é bailarino, mas trabalha com o quê?”. Isso acontece, talvez, porque algumas pessoas não entendam a arte como profissão, ou até mesmo porque sabem que existe uma enorme falta de apoio e remuneração aos artistas no país.

Esses dois importantes fatos são as principais dificuldades dentro do universo cultural e, consequentemente, das companhias de dança – que raramente conseguem uma trajetória de sucesso sem conflitos financeiros. No caso do Balé Guaíra, mostro a vocês dois graves conflitos que marcaram a história da companhia.

O primeiro deles aconteceu em 2009 e foi considerada pelos bailarinos da época como uma das piores fases por que a Instituição já passou. A escassez de recursos, claro, foi a pauta que levou os diretores da companhia a bater nas portas da Secretaria de Educação e Cultura para conseguir verbas. Muitos bailarinos deixaram o BTG para participarem de novas audições em busca de melhores condições de vida e perspectivas de crescimento – e isso inclui um salário digno. Além disso, a festa que comemorou os 40 anos da companhia não permitiu apresentações no Teatro Guaíra. O que foi dito aos bailarinos é que não havia agenda e nem recursos.

O ano de 2017 também foi marcante – e desesperador – para os bailarinos do Balé Teatro Guaíra. Todos eles, sem exceções, foram exonerados de seus cargos sem previsão de retorno das atividades. Já pensou ter que parar uma carreira, não receber salário e ainda não ter previsão de retorno da companhia? O motivo foi uma ação do Ministério Público do Paraná, que considerou irregular a contratação dos bailarinos – que assumiam cargos comissionados. Até a regularização do processo, o corpo de baile esteve demitido e uma nova audição foi feita para integrar o novo quadro.

Os sucessos na trajetória

“O Lago dos Cisnes”, espetáculo apresentado durante 2018. (Foto: Cayo Vieira).

Muitos coreógrafos brilharam durante a trajetória do Balé Teatro Guaíra com obras inesquecíveis e aclamadas pelo público – são MUITAS, afinal, estamos falando de uma história de meio século!

Entre as diversas coreografias de Trincheiras estão: “Dimitriana”, “Canto de Morte”, “Sinfonia 3”, “Petruchka”, “Sagração da Primavera” e “Lendas do Iguaçú”, encenada nas Cataratas do Iguaçú. A obra “O Grande Circo Místico” foi um destaque importantíssimo, pois consagrou o BTG e o fez ser reconhecido internacionalmente.

Entre os pontos altos dessa caminhada, posso citar repertórios como “Pas de Trois”, “Grand Pas Classique”, “O Lago dos Cisnes”, “Romeu e Julieta”, “Quebra Nozes”… são tantos! Dando releituras aos grandes clássicos, obras como “Carmen” e “O Lago dos Cisnes” marcaram a atual fase do Balé. Ah, “Cinderela” também ganhou uma releitura em versão super contemporânea e foi apresentada em 2016, em um dos palcos mais incríveis do país – e que me dá arrepios e borboletas no estômago só de lembrar a sensação de pisar nele: o Centreventos Cau Hansen, em Joinville.

Na trajetória do BTG, ainda podemos citar o projeto “Balé Teatro Guaíra e Cias”, que envolveu 7 companhias públicas do Brasil, e a grande turnê internacional “Balé Teatro Guaíra dança Wachter, Winkler, Scafati”, que percorreu 9 cidades da Alemanha.

Parece muito, mas é uma pequena parte dos grandes sucessos protagonizados pelo Corpo de Baile, juro!

A comemoração dos 50 anos de história!

O elenco do Balé Teatro Guaíra está preparado para uma programação de espetáculos em comemoração aos 50 anos da companhia. (Foto: Maringas Maciel).

Para celebrar os 50 anos – MEIO SÉCULO – de trajetória da companhia, em maio acontece a Mostra de Repertório no Guairão, onde o público vai poder rever os grandes sucessos da história do BTG, como “A Sagração da Primavera”, “Carmen”, “Segundo Sopro” e, claro, o tão famoso “O Circo Místico” terá um trecho apresentado na abertura de todos os espetáculos – YES!

De 3 a 5 de maio, o Balé Teatro Guaíra dança “A Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Paraná. A coreografia apresentada pelo BTG é da portuguesa Olga Roriz e estreou em 2012. Para atingir a estrutura rítmica e as nuances da música elaborada por Stravinsky, é necessário uma orquestra com 94 músicos, incluindo duas tubas wagnerianas – hoje, somente a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) tem esses instrumentos entre todas as orquestras do Brasil. Para as apresentações de “A Sagração”, 32 músicos extras foram contratados.

A primeira apresentação de “A Sagração da Primavera”, em 29 de maio de 1913, em Paris, marcou o início do modernismo. Com um estilo de dança e composição musical nunca antes apresentado, o compositor Stravinsky e o coreógrafo Nijinsky chocaram a plateia. A versão com o Balé Teatro Guaíra é ousada e visceral, um apelo à redenção e à confiança no futuro, uma demonstração de luta contra a submissão ou o medo. Não há vítima – a eleita, ainda que sua escolha signifique a morte, abraça sua missão como uma honra, bate no peito e sorri desafiadora.

No dia 8 de maio, o BTG apresenta “Carmen”, do coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni. Ele iniciou uma parceria com a companhia em 2008 de releitura de clássicos como “Romeu e Julieta”. O objetivo é aproximar o público da dança contemporânea e democratizar o acesso à cultura, trabalhando com formação de plateia.

“O Segundo Sopro”, espetáculo conhecido como “O Ballet das Águas”. (Foto: divulgação).

Para fechar as apresentações em Curitiba, o BTG dança “O Segundo Sopro”, um grande sucesso dos anos 90 que ficou conhecido como “balé das águas” – foi a primeira coreografia nacional em que chovia no palco. A equipe técnica do Teatro Guaíra desenvolveu uma tecnologia própria que possibilita a chuva e a formação de um espelho d’água no palco, fazendo os bailarinos literalmente deslizarem na água.

Na semana seguinte, os bailarinos da companhia iniciam uma turnê pelo Paraná e passam por Ponta Grossa, Cascavel, Campo Mourão, Maringá, Foz do Iguaçu, Paranaguá, Guarapuava. Em todas essas cidades, a equipe técnica e os bailarinos do Guaíra fazem oficinas para a população.

Que incrível e inspiradora essa trajetória, né? O BTG ainda pulsa e segue forte, mesmo depois de tantos obstáculos e superações. É isso que faz o nosso coração ficar quentinho e respirar arte nessa capital! Para não perder a programação especial em comemoração aos 50 anos da companhia, fique atento ao serviço!

Serviço
Balé Teatro Guaíra 50 anos – Mostra de Repertório

Trechos de O Grande Circo Místico + A Sagração da Primavera com participação da Orquestra Sinfônica do Paraná
De 03 a 05 de maio: sexta e sábado, às 20h30, e domingo, às 19h.

Trechos de  O Grande Circo Místico + Carmen
Dia 08 maio: quarta-feira, às 20h30.

Trechos de O Grande Circo Místico + O Segundo Sopro
Dias 11 e 12 de maio: sábado, às 20h30, e domingo, às 19h
Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto – Guairão

Classificação: Livre
Preço: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

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