Diversidade como identidade: uma viagem ao Mianmar - TOPVIEW

Diversidade como identidade: uma viagem ao Mianmar

Conheça a imensa riqueza cultural de Mianmar

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diversidade como identidade

Para começar, vamos nos situar. Estamos no Sudeste Asiático, mais precisamente no Mianmar (antiga Birmânia), que faz fronteira com Tailândia, Laos, Bangladesh e com os gigantes China e Índia. Um país pequeno, com área total um pouco maior do que o estado de Minas Gerais, mas com riqueza cultural imensa. Um verdadeiro representante de diversidade como identidade.

O Mianmar passou décadas sob um governo fechado e apenas em 2015 conquistou uma forma, pelo menos parcialmente, democrática. A maior parte dos viajantes que busca o destino está interessada em conhecer seus templos e vivenciar o budismo e uma cultura intocada, mas é só chegando lá que se pode perceber um pouco mais da sua diversidade cultural.

Hoje, o Mianmar possui 135 grupos étnicos espalhados pelas suas montanhas, cidades, rios e costa, cada um com sua história, costumes, dialeto e forma de trabalho. Para nós, estrangeiros, a diferenciação vem muito por conta das diferentes vestimentas, mas há muito mais por trás. O grupo de Bamar é a grande maioria e está espalhado pelo país, mas a maior parte das etnias está mais isolada, mantendo suas tradições de séculos atrás. Nesta última viagem para lá, encontramos a tribo Pa O, no lago Inle, um grupo étnico que vive no campo e usa turbantes como vestimenta para se assemelhar a “mother dragon”, de quem eles acreditam que originaram.

Ao visitarmos o mercado itinerante e encontrar essas pessoas com tradições tão antigas, temos a sensação de ter voltado no tempo. A diversidade está presente também na religião. Apesar de mais de 80% da população ser budista, em várias cidades é possível ver templos cristãos, muçulmanos, judeus e hindus. O sincretismo religioso também acontece por aqui: o budismo adotou os Nats, que são espíritos protetores, como parte da religião. Tanto nos templos mais importantes do país como em seus lugares de culto em casa, as imagens de Buddha dividem espaço com os Nats. Com certeza, uma das coisas mais bonitas de ver na viagem é o orgulho que eles têm de toda essa diversidade que, de certa forma, cria a identidade do país. Toda essa pluralidade é um dos seus maiores desafios e ao mesmo tempo uma das suas maiores riquezas.

Depois da minha segunda visita ao país, posso afirmar que visitar seus templos imponentes, admirar suas paisagens, participar de cerimônias e conhecer sua história são experiências muito enriquecedoras, mas a mais especial é estar em contato com as pessoas. Um povo de sorriso genuíno, cheio de boa vontade, que, munido de esperança, está se descobrindo e vive em busca de melhorias para o país. Uma viagem que é uma escola para a vida. Se você tiver interesse em conhecer o país, dou uma dica valiosa: vá! De coração e mente aberta! E vá logo!

*Coluna originalmente publicada na edição 231 da revista TOPVIEW.

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