As tendências do mercado de luxo

Por Camila Gino, Juliana Reis e Luciane Horcel

Tendências no mundo digital, no mercado de luxo, no turismo e até no perfil dos profissionais que querem ter sucesso nas áreas de alto padrão foram alguns dos muitos temas abordados durante a 1ª Conferência de Luxo, que aconteceu nesta quinta (10), no Teatro Fernanda Montenegro no Shopping Batel.

O evento, com mais de sete horas de palestras, contou com a participação de Willy Arthur, Claudio Diniz, Renan Tavares, Ester Morgan, Laércio Xavier e a organizadora Angelita Siqueira.

A Top View fez a cobertura do evento em tempo real (confira os vídeos em nossas redes sociais) e selecionou cinco pontos principais expliados por cada um dos palestrantes. Confira:

WILLY ARTHUR

Graduado em Design com MBA Gestão Empresarial e Marketing, com experiência de 10 anos na área de marketing digital é atualmente owner da boutique de estratégias digitas Magnifi.co, Willy falou sobre construir valor no ambiente digital.
Segundo ele, as marcas premium e de luxo estão em busca de caminhos digitais para estender sua influência e ganhar o consumidor aliando conveniência e comodidade digital. Veja os cinco destaques da palestra:

1. Somos 100 milhões de brasileiros conectados à internet, sendo que 54% correspondem à classe A e B. Isso significa que há muita oportunidade para o comércio de luxo no Brasil por meio da internet. “ As pessoas estão recriando seu hábitos com as ferramentas digitais”, diz ele. Mas para prosperar nesse mercado é preciso se adaptar. Viu alguma loja vazia? Não se engane. Loja vazia? Algumas marcas de luxo já chegaram a registrar 70% de suas vendas via WhatsApp.

2. Hoje o mercado de luxo é considerado um mercado de massa porque a internet possibilita muitas conexões. Calma, o luxo continua sendo exclusivo. Mas o consumidor é bombardeado com cada vez mais informação sobre as marcas. E sobre as marcas concorrentes. É preciso estar presente no mundo online, promover relacionamento com o consumidor, conquistar o engajamento dele. Mais importante que ter um milhão de fãs, é criar engajamento com esse fãs.

3. O design responsivo dos sites da marcas é fundamental. “Você já imaginou a quantidade de plataformas que seu consumidor usa o dia todo? Ele passa do tablet, para o celular, para o computador… A marca precisa ser adaptável a todas as plataformas para manter o consumidor conectado a ela.

4. Compartilhar vale mais do que curtir. “Mostre sua excelência em qualidade”, diz Willy. Isso faz com que o consumidor compartilhe o conteúdo. O canal do You Tube da Dior, por exemplo, tem cerca 53 milhões de views por mês. O da Dolce e Gabanna, é menor, mas ainda alto: passou dos 13 milhões. Outra informação importante: instagram 15 vezes mais eficiente que o facebook, rede social pessoas e conexões. Pesquisa da consultoria empresarial L2 com 249 marcas de luxo mostra que 93% delas usa ativamente seu site e que o envolvimento dos usuários com os posts do instagram é 15 vezes maior que com os posts facebook.

5. Faça parte de algo que interessa muito ao cliente. É essencial estar em redes sociais como a Eleqt – considerada a mais exclusiva plataforma internacional focada no consumidor AAA – ou Dujour, aplicativo para quem curte moda e gosta de divulgar o “look do dia” e que tem uma página dedicada uma página destinada a “trendsetters”.

CLAUDIO DINIZ

Autor do livro “O Mercado do Luxo no Brasil”, coordenador da comissão de luxo da Câmara de Comércio França Brasil, coordenador do MBA em Gestão do Mercado de Luxo do Centro Europeu e idealizador da Maison du Luxe, Claudio priorizou a questão da qualificação de quem quer entrar no ramo do alto padrão.

1. A cada 24 minutos uma pessoa se torna milionária no Brasil. Esse é a hora do luxo no Brasil. Dezenas de marcas chegaram a partir de 2009, apesar da alta carga tributária e do sentimento de falta de segurança.

2. Qualificação para vender luxo é necessário em Curitiba. A cidade se tornou um dos portos do luxo do país, assim como o Sul também está em destaque com um crescimento extraordinário no setor. Os segmentos são vários: construção civil, náutico, automóveis, aviação executiva, bebidas, calçados, arquitetura e decoração. Dois segmentos, especialmente, precisam de investimentos e grandes melhorias: Hotelaria e gastronomia. “Quem trabalha no mercado de luxo não precisa ser consumidor, mas tem que saber vender para clientes cujas expectativas são altas.”

3. Luxo não é apenas dinheiro. Luxo é estilo de vida, sustentabilidade, conhecimento. As marcas precisam oferecer experiências, trabalhar com ética, enfim, mostrar significado. Luxo não é mais apenas possuir um objeto.

4. Apesar do cenário de preocupação econômica que impera no momento, brasileiros compram muito luxo. São o 3º público que mais consome Gucci e o 10º da Burberry, por exemplo.

5. O Brasil é único mercado de luxo a prazo no mundo. Só no Brasil você pode parcelar uma bolsa de R$ 5 mil reais em 10 vezes de R$ 500 reais. Isso torna o mercado de luxo no Brasil muito atrativo.

RENAN TAVARES

Diretor responsável pela Kangoroo Tours de Curitiba, que atua no segmento de viagens personalizadas e de experiência, Renan falou sobre a procura cada vez mais frequente por momentos únicos em destinos diferentes, entre outras tendências no turismo:

1. Viagens personalizadas. Pacotes prontos ou destinos comuns não são atrativos aos viajantes de luxo, que gostam de ter uma viagem absolutamente exclusiva.

2. Turismo de experiência. De acordo com Renan, o público de luxo quer passeios únicos, que ofereçam experiências inesquecíveis. “Boas experiências não são nem quantificáveis e é isso que esse público alto-padrão quer. Ele busca o que não tem aqui, quer viver algo único”.

3. Cultura e praias da Ásia. Há sempre os destinos que estão em alta e, no caso do público de luxo, é preciso levar em consideração que são todos viajantes experientes. Sendo assim, conhecem muito bem vários destinos dos Estados Unidos e Europa. Os procurados para quem quer ir a lugares únicos são as praias asiáticas e destinos de ilhas – Maldivas e Seychelles, por exemplo.

4. Hotéis de marca como Armani. Grandes grifes agora têm hotéis e, é claro, mantém todo o glamour já incorporado pelas grifes. Na Indonésia tem um da Bulgary, em Dubai da Armani e nas Maldivas o da Louis Vuitton.

5. Serviço personalizado. “Pessoas de alta classe social estão acostumadas a serem muito bem tratadas e valorizadas pelo que são. Sendo assim, lugares que dão essa importância são bem avaliados”, diz Renan. Um dos pontos cruciais é se adiantar às preferências do cliente. Saber do que ele gosta, como gosta de ser chamado ou que tipo de travesseiro prefere, antes mesmo de ele chegar, é um serviço de luxo.

ESTER MORGAN

Docente do Instituto Europeu de Design (IED) e palestrante da Universidade de São Paulo (USP), Ester Morgan é diretora da Excelência RH, que tem em sua lista de clientes marcas como Sephora, Dior, H.Stern e Gucci. Confira seu olhar sobre o atendimento no mercado brasileiro de luxo e as tendências para o segmento:

1.  Excelência no atendimento: “porque a concorrência existe e vai crescer mais, visto que vivemos em um mundo globalizado”.

2.  Diferenciais em capacitação e serviços especiais: “o Brasil tem um enorme potencial no mercado de luxo e estas são áreas que vão fazer diferença para as marcas”.

3. Responsabilidade e conduta ética: “estar antenado com as questões sociais, agir com ética e ter uma equipe que reflita esta conduta são imprescindíveis”

4.Pensar nas pessoas: “a tendência é pensar nas pessoas, ter respeito: é muito mais pessoas do que produto; “é uma questão de engajamento da equipe interna, é preciso conquistá-la”

5. Storytelling e brands stands: “produtos e marcas têm uma história que os explica e é isso que vai conquistar o consumidor”.

LAERCIO XAVIER

Depois de 23 anos em Nova York, atuando em marcas como Montblanc, Louis Vuitton e Asprey, Laercio Xavier retornou ao Brasil como diretor da primeira loja da Van Cleef & Arpels na América Latina. Entre as tendências para o mercado de luxo, ele destaca:

1. Luxo autoindulgente: “uma das tendências mundiais é que as pessoas estão comprando luxo para elas mesmas, elas não dão de presente, é como se o luxo fosse o foco da vez”.

2.Serviço em primeiro lugar: “há muitos produtos excelentes, em diversas lojas, o que faz a diferença é o atendimento, a percepção do sonho do cliente”.

3. Discrição e confidencialidade: “é importante que o consumidor de luxo saiba que pode confiar em você, que ninguém vai saber que este esteve na loja e o que comprou”.

4. Ultraexclusividade: “não é tendência, é o próprio luxo, unique: essa exclusividade é o luxo, não vai nunca sair de moda”.

5. Fator Uau!: “é importante conhecer o cliente, anotar aspectos importantes sobre ele e o que gosta, para surpreendê-lo”.

ANGELITA SIQUEIRA

Com expertise em gestão de estilo de vida e conciergerie, Angelita Siqueira foi a promotora da Conferência do Luxo em Curitiba. Ela atua como coaching em mercado de luxo e está trazendo com Ester Morgan uma filial da Excelência RH para o mercado curitibano. Para Angelita, a tendência no mercado de luxo passa pela simplicidade:

1. Menos produtos e mais experiências: “as pessoas estão preferindo experiências ao consumo de produtos, somente”.

2. Valores: “as pessoas estão deixando de fazer coisas muito complexas e se voltando para valores mais perpétuos, como a família” .

3. Slow life: “calmaria virou um grande valor; vivemos uma turbulência muito grande, então, aqueles pequenos momentos que podemos ter, são verdadeiras joias”.

4. Reinvenção: “para o mercado, a tendência é a reinvenção; vivemos um momento de crise, porém, o segmento de luxo é um mercado em ascensão”.

5. Novas profissões: “também em termos de carreira é importante se reinventar, novas profissões podem ser inventadas e o mercado de luxo permite isso”.

 

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