TOPVIEW

Agito, logo existo

O déficit de atenção é um distúrbio que se caracteriza pela falta de concentração em atividades do cotidiano

Quando pensamos em como não devemos tratar nossos pets, imediatamente nos vem à mente a figura emblemática de Felícia. De tanto amor e obsessão pelos bichinhos, ela os sufoca e os machuca. Você já deve ter encontrado alguma criança parecida com ela por aí. Facilmente irritável, que não aceitava limites, que se atravessava nas conversas para fazer valer sua opinião, agitada e bagunceira e, claro, correndo atrás de algum pet enlouquecidamente. Mas basta um olhar mais apurado para percebermos também que era esperta e articulada.

Uma outra versão desse tipo de criança é aquela que domina a irritabilidade para ser líder e agregadora. Todos gostam dela – bem, acho que os pets não. Uma característica é o desejo de se opor às regras, ao status quo, de desafiar. Há também a criança, bem diferente, que “não liga para o mundo”. Passa um carro, ela olha. Passa uma bicicleta, demoradamente, ela olha. E, para a professora dando aula, claro que ela não olha. Mas fica horas no videogame. O quarto é uma bagunça sem fim. E perde o material da escola o tempo todo. Desatenção total.

O que os pais desses tipos de crianças têm em comum? São chamados frequentemente no colégio: uns pela confusão que os filhos causam, outros pelo péssimo desempenho escolar. Essas crianças compartilham a mesma doença, que, provavelmente, herdaram dos pais: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Normalmente, o diagnóstico é feito quando a criança entra na escola. A ação do colégio é fundamental na detecção do problema e no processo de tratamento. Essas crianças precisam receber atendimento adequado, pois a falta de cuidados na infância pode ser nefasta para o resto da vida.

Felícia deve ser tratada não só porque amamos os bichinhos e queremos que ela pare de maltratá-los, mas também porque ela é encantadora e gostamos muito dela. É assim que temos que encarar as crianças com TDAH. Espero que sejam tratadas enquanto crianças, para que precisem menos dos neurologistas quando forem “gente grande”.

3 livros para entender o TDAH

MENTES INQUIETAS – Ana Beatriz Barbosa Silva- Editora Principium

(Foto: divulgação)

NO MUNDO DA LUA – Paulo Mattos – Editora Autêntica

(Foto: divulgação)

TDAH – Sharon – Editora Büzz

(Foto: divulgação)

*Coluna originalmente publicada na edição #251 da revista TOPVIEW.

Deixe um comentário