SELF

Sobre elas: Giovanna Bichels e Sandra Comodaro

No terceiro dia de homenagens às mulheres, a TOPVIEW apresenta mais dois perfis inspiradores. Confira!

Um ato de coragem
Por Izabelly Lira

“Ser mulher hoje em dia é quase um ato de coragem. Ao mesmo tempo que todos esperam muito da gente, cada conquista nossa é questionada em mínimos detalhes. Somos mulheres, mães, filhas empresárias, esposas, chefes de família, donas de casa, amigas, irmãs. Somos tudo e ao mesmo tempo nada”, define Giovanna Bichels.

Modelo há muitos anos e mãe aos 22, Giovanna conta que, prestes a completar 24, ainda está descobrindo como é ser mulher em um mundo que requer coragem para apenas ser. A moda, que está intrinsecamente ligada ao seu trabalho, é uma aliada: “ela [a moda] me ajuda a me expressar de muitas formas, seja no jeito de me vestir ou seguir uma certa tendência”. 

Apesar das delícias, também existem as dores da profissão – ainda mais para quem a enfrenta desde cedo. 

“Acredito que a carreira de modelo é feita de desafios diários. Como mulher, o maior deles é diariamente ter seu corpo avaliado e ser tratada literalmente como uma mercadoria, além de precisar se adequar a cada mudança que o mercado exige”, compartilha Giovanna.

Quando se tornou mãe, ela precisou utilizar ainda mais da coragem para ser mulher e viver uma nova fase: “a rotina muda completamente, tudo que a gente estava acostumado a fazer não existe mais. Precisamos nos adequar a uma nova vida. Acredito que o nascimento do nosso filho é quase como um enterro do que éramos antes dele nascer, nada nunca vai ser igual era antes”. 

Ela conta que o primeiro job que fez após o nascimento da Catarina é uma das histórias que mais gosta de compartilhar com os mais próximos. Foram cinco dias saindo de casa antes da neném acordar e retornando quando ela já estava dormindo. Tudo isso com uma única ajuda: a de Ravi, seu marido e pai de Catarina. 

“Não temos babá, nem rede de apoio pois moramos em São Paulo enquanto toda nossa família mora em Curitiba. Então desde de o dia que ela nasceu tinha sido eu e ela todo dia a dia todo, e o pai dela junto quando não estava trabalhando. Catarina ainda mamava livre demanda, então eu precisava tirar leite antes de sair de casa. Nas pausas no trabalho, quando eu chegava em casa de noite e antes de ir dormir. Passando esses cinco dias de trabalho, voltamos a nossa rotina normal, grudadinhas”, conta.

Apesar de sempre querer ser mãe e formar uma família – “Minhas amigas próximas sempre me ouviram falar ‘quando eu tiver 25 anos já quero estar casada e com pelo menos um filho’. Ainda não completei 24, e já atingi a meta!” -, ela reconhece que ninguém é perfeito em nenhum papel. E sabe, ainda mais, que todas as mulheres têm algo especial para atuar com coragem.

“Cada mulher me inspira de uma forma diferente. Num geral ninguém é perfeito, mas se pudermos nos inspirar em uma qualidade ou atitude que gostamos em outra pessoa, vamos cada vez mais evoluindo e nos construindo um ser humano, uma mulher, uma mãe melhor”, finaliza Giovanna.

Saber onde quer chegar
Por Thais Pörsch

(Foto: Divulgação)

Sandra Comodaro é primogênita de três filhos, nasceu em São Paulo, iniciou os estudos com sete anos e, mesmo com pouquíssimos recursos, estudou em um bom colégio. “Essa era a prioridade dos meus pais, educação docente e religiosa”, conta. 

Sobre sua infância, Sandra diz que se lembra de brincar na rua e das férias em um condomínio de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Na parte dos estudos, praticou piano ganhou medalha de ouro em concerto com 7 anos de idade. Também ia aos cultos todo domingo de manhã.

Formada em Direito, sua história com Curitiba começou em 2008, quando foi selecionada  para implementar a filial regional da Nelson Wilians & Advogados Associados, um dos maiores escritórios de advocacia do país. Após 15 anos de dedicação, ela deixou o escritório como sócia diretora. E a história de Sandra não parou por aí: ela já foi presidente do LIDE Mulher Paraná e hoje tem seu próprio escritório na Faria Lima, na cidade de São Paulo, com atuação na área tributária e M&A (mergers and acquisitions). Sandra diz que a mola propulsora para ela empreender vem do fato de nunca querer depender financeiramente de ninguém. 

“O trabalho para mim significa saúde, prazer, realização e satisfação em fazer acontecer.

Costumo dizer que gosto de criar raízes por onde eu passo. Talvez isso seja uma característica de quem nasceu pra ser leal, parceira.  Atuei ao longo da minha carreira profissional somente em duas empresas, a primeira foi com 17 anos de idade. Cursei Direito e passei a advogar em um escritório de advocacia de São Paulo, ato contínuo, aceitei o convite para implementar do zero uma filial em Curitiba, mesmo sem nunca ter estado, nem a passeio, no Paraná antes. Acho que tenho uma missão na vida: começar as coisas do zero.”

Conversando com Sandra, uma coisa é inquestionável: ela chegou onde queria chegar na carreira. Porém, ela revela que, uma lição que aprendeu, é que por mais que o trabalho seja prazeroso, nunca se deve deixar de viver e realizar os seus sonhos pessoais. Refletindo sobre isso, recentemente a advogada tentou adotar uma criança, mas desistiu. “Passando a pandemia pretendo rever este propósito.Esse sonho é bem antigo, mas a carreira acabou me consumindo”. 

Simples, mas determinada, a resposta de Sandra sobre o que é ser mulher é como ela: sinônimo de muita coragem e amor.

“Uma frase que carrego comigo é ‘Vá sempre além do esperado’, de Larry Page, co-fundador do Google”, finaliza.

Deixe um comentário