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Setor de moda descobre o live commerce

Marcas do mercado de moda conquistam cada vez mais espaço no universo de setores que hoje despontam nessa nova modalidade de vendas

A moda está desbravando novas fronteiras, levando a experiência de compra da loja física para o mundo virtual. O setor adotou o live commerce como novo canal de vendas de seus produtos. E o assunto ganhou a atenção dos consumidores.

Um levantamento feito pela Mimo Live Sales, empresa que trouxe o live commerce para a América Latina, mostrou que 40% das empresas que realizaram ações de vendas por meio de Lives no último ano são ligadas à moda. As demais 60% estão diluídas entre comida, bebida, acessórios e beleza. Além disso, os dados da análise mostram que a maioria daqueles que realizaram ações por meio da plataforma da Mimo pretendem aderir de forma contínua ao live commerce.

Segundo a CEO da Mimo, Monique Lima, o live commerce trouxe muitos benefícios para o setor de moda. Uma delas é uma conversão maior de vendas em relação ao e-commerce. “Uma live de produtos de moda registra uma conversão de vendas entre 7% e 15%, enquanto o e-commerce tradicional chega próximo de 2%”.

Um dos grandes pontos altos das lives de moda, de acordo com Monique, é, além da presença dos influenciadores, vários modelos de diversos biotipos experimentam os itens para que o consumidor que está do outro lado da tela tenha a real dimensão de como a peça fica em seu corpo. “A pessoa que está assistindo a live tangibiliza a experiência dela no outro e faz a compra”, ressalta a CEO da Mimo.

No portfólio de lives para o mercado de moda da Mimo existem vários cases bem-sucedidos de marcas como Khelf, Loft Style, Overcome, Ateliê das Calças e Privalia. E, de acordo com Monique, há várias marcas do setor que estão com lives programadas lives na plataforma da empresa. Tanto na plataforma própria da Mimo, como no site da marca com a nova tecnologia Mimo Whitelabel.

Como exemplo de sucesso, Monique ressalta uma live feita para a loja Ateliê das Calças. “Normalmente, quando as pessoas precisam comprar uma calça, elas vão a uma loja por conta da necessidade de experimentar as peças e ver como elas ficam no corpo. A live feita para o Ateliê das Calças mostrou que a fórmula de apostar em modelos para mostrar como é o caimento dos produtos em diversos tipos de corpos deu muito certo. O índice de conversão de vendas foi altíssimo e o engajamento no chat também. A consumidora entrava pedia para a modelo x provar um produto tirava suas dúvidas do tecido ou caimento e comprava em menos de 10min.”, conta a CEO.

Maior acesso ao público

“Uma das maiores vantagens da live commerce, de acordo Júlia Spengler, gerente de Marketing da Khelf, é seu potencial gigantesco de alcance de público. “Enquanto uma loja física recebe cinco ou dez clientes por vez, em uma live é possível ter mil pessoas presentes no encontro de vendas ao vivo. Nossa experiência superou todas as expectativas”, afirmou.

Mas assim como o formato permite reunir milhares de pessoas, também podem ser realizados petit comités, com um grupo mais seleto, por meio das pocket lives, que também ganharam força no mercado de moda.

“As vendedoras das lojas fazem lives específicas para seu mailing de clientes, seja para falar de uma coleção nova que está chegando, uma nova collab entre marcas, promoções, entre tantas outras finalidades”, destaca Monique.

Camila Ortiz proprietária da Lofty Style, destaca a importância da interação direta e em tempo real com o consumidor durante a live: “Isso permite que a apresentação do produto seja ainda mais completa, mostrando diferentes ângulos, combinações com a mesma blusa e é muito mais efetiva do que uma compra realizada pelo e-commerce. Na live, o apresentador recebe a pergunta e responde na hora e enquanto mostra o produto permitindo que não apenas a pessoa que teve a dúvida tenha acesso às informações, mas todas as que estiverem assistindo também. Isso aproxima a marca do consumidor”, explica.

Com o varejo de moda reduzindo o número de pontos físicos, o live commerce ganha mais espaço, na visão da CEO da Mimo. “O live commerce é um shopping digital, que não demanda espaços físicos específicos para realizar o evento. Muitas marcas já estão entendendo esse movimento e apostando cada vez mais nesse formato de venda”, analisa.

Além disso, o live commerce permite que a empresa faça não somente um reforço de marca, mas também realize vendas ao mesmo tempo, além do contato mais próximo com o cliente virtual.

Lá fora

Enquanto no Brasil o live commerce abre espaço com grande potencial de vendas para setores como moda, lá fora essa prática comercial está disseminada, principalmente na China, que é o berço da modalidade.

Segundo dados da KPMG e Ali Research, o live commerce se tornou o formato de venda de maior crescimento dos últimos anos na China. No ano passado foram realizadas, em média, 50 mil transmissões ao vivo por dia, acumulando mais de 50 bilhões de visualizações. Com potencial de movimentar mais de 1 trilhão de iuanes ao ano.

E a estimativa é de que a indústria global de live commerce fature US$ 600 bilhões até 2027, segundo estudo da Research and Markets.

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