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Atitudes para ter um bom coração

Avanços em intervenções cirúrgicas são fundamentais, mas a adoção de hábitos saudáveis é essencial para mudar as perigosas estatísticas

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Quem acompanhar o cardiômetro criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (cardiometro.com.br) vai perceber que, a cada minuto, uma pessoa morre no Brasil vítima de doenças cardiovasculares. Em 2017, foram mais de 325 mil óbitos por essas que são a principal causa de morte não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2016, 17 milhões de pessoas foram vítimas de problemas coronarianos, como ataques cardíacos e derrames. Mas, para os especialistas, a adoção de hábitos saudáveis, como dieta balanceada, prática de atividade física regular e combate ao tabagismo, contribui para mudar esses números.

O cirurgião cardiovascular do Hospital São Lucas, Luiz Cesar Guarita Souza, que é doutor PhD pela Universidade de Paris, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e livre docente da USP-Incor, destaca que a incidência de óbitos por doenças cardiovasculares chega a quase duas vezes o número de mortes decorrentes por causa do câncer.

A hipertensão arterial e o infarto do miocárdio, destaca o cirurgião, são as doenças mais frequentes e chegam a atingir 35% da população. No entanto, o médico comenta que vem aumentando o número de pacientes com diagnóstico de insuficiência cardíaca: são pessoas com sintomas como falta de ar e cansaço e que acabam com a qualidade de vida limitada.

Além de buscar um estilo de vida saudável, a cardiologista Fernanda Tavares, do Hospital Cardiológico Costantini, enfatiza a necessidade de cada pessoa conhecer seu próprio histórico familiar. Pacientes com precedentes de doenças cardiovasculares ou outros fatores de risco, como hipertensão, colesterol elevado, diabetes e obesidade precisam ser monitorados com mais atenção. “Se há um traço genético que não favorece, todos os outros fatores precisam ser controlados”, destaca.

Para Fernanda, esses pacientes precisam “ser amigos de seus médicos”, o que, segundo ela, significa fazer as avaliações de rotina, o uso correto das medicações – quando necessárias – e seguir as orientações e diretrizes do profissional de saúde.

As doenças cardíacas podem ocorrer em qualquer idade e a ausência de fatores de risco não significa estar livre delas, lembra o cardiologista Rafael Luís Marchetti, do INC – Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba: “Há uma série de outras doenças que prejudicam o coração”, alerta.

Marchetti enfatiza que a atividade física é recomendada para todos os tipos de pacientes, aqueles que nunca tiveram doença cardíaca e os que precisam fazer um trabalho preventivo secundário por já terem sido submetidos a procedimentos de intervenção cardíaca. “São pessoas que, além dos medicamentos corretos, precisam manter um estilo de vida saudável e uma rotina esportiva supervisionada para continuar com qualidade de vida”, comenta.

Músculos cardíacos fortes

Alimentação equilibrada: procure manter uma dieta equilibrada, alternando proteínas, carboidratos, fibras, legumes, verduras e gorduras. Não exagere no uso do sal, que não deve passar de seis gramas por dia (uma colher de café), e do açúcar, no máximo 25 gramas diárias (duas colheres e meia de sopa).
Exercite-se: faça alguma atividade física: caminhe, dance, nade, o que dê prazer. Além de reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, o esporte também ajuda a combater o estresse.
Trate os fatores de risco: consumo de álcool, cigarro ou outras drogas, sedentarismo, obesidade, diabetes e hipertensão arterial aumentam as chances de doenças cardíacas.
Consulte um médico regularmente: pessoas com fatores de risco ou histórico familiar de doenças cardíacas devem fazer exames médicos com regularidade.
Preste atenção aos sintomas: alguns problemas do coração não apresentam sinais, por isso, é importante ficar atento a qualquer dor ou sensação diferente no peito ou na região do tórax, assim como palpitações, desmaio, falta de ar e tontura.
Alimentação: hábitos alimentares saudáveis são essenciais para a saúde do coração. Segundo o cardiologista Rafael Marchetti, dietas baseadas no consumo de alimentos frescos e naturais, como é o caso das dietas Mediterrânea e DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), que priorizam o consumo de grãos e alimentos integrais, são as mais recomendadas para evitar problemas cardiovasculares ao longo da vida. Na prática, evite alimentos processados, industrializados e comida congelada ou com alto teor de sódio e invista em azeite, nozes, grãos integrais, frutas, legumes, cereais e laticínios desnatados.

NOTA
Como médicos avaliam o risco de doença cardíaca? O New York Times responde quais fatores devem ser levados em consideração: bit.ly/NYTdoencacardiaca.
Outro artigo do jornal norte-americano mostra, em números, como a prevenção é eficaz em reduzir os riscos, mesmo de quem possui tendência genética: bit.ly/NYTdoencascardiacas2.

*Matéria escrita originalmente por Danielle Blaskievicz na edição 207 da revista TOPVIEW.

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