Os desafios de "ser pai" da geração conectada - TOPVIEW

Os desafios de “ser pai” da geração conectada

Quatro pais falam sobre os desafios de criar os filhos em um mundo em que a tecnologia dita o estilo de vida

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Simone Grocoske, 47 anos, empresária

Mãe de Maria Augusta, 15 anos, e Maria Rosa, 9 anos

“Na minha opinião, hoje é mais fácil criar os filhos. Tanto eles quanto nós, pais, temos muito mais facilidade, principalmente na parte de educação, pois as pesquisas e tarefas podem ser feitas com a ajuda da internet. Também é muito mais simples saber onde nossos filhos estão. Antes, eles saíam à noite e os pais não faziam ideia de onde eles estavam. Por outro lado, o que vai ser daqui para a frente é uma incógnita. Essa geração tem o mundo nas mãos e é preocupante o que vem aí. As redes sociais acabam deixando as pessoas muito ansiosas e vemos cada vez mais casos de crianças medicadas.
Eu acho que a minha infância foi mais saudável: ficava no sol, brincava na rua. Hoje, a diversão é dentro de casa. Entre as minhas filhas, a Maria Rosa é mais conectada do que a mais velha: adora ver séries e tem os grupos de WhatsApp com os amigos da escola. Maria Augusta fica mais no Twitter, no Instagram e no WhatsApp. As duas entendem mais de tecnologia do que eu e o combinado é que elas só podem usar o celular depois de fazer as tarefas. Mas, como eu passo quase o dia todo fora de casa, para controlar mesmo, só se eu levasse seus celulares comigo. Por outro lado, a mais velha já ficou quase 30 dias sem o celular e nem deu bola. Eu resolvo tudo pelo celular. O fato de usar muito acaba dando a elas o direito de usar. Por isso, tento me policiar. Criar os filhos no mundo de hoje tem vantagens, mas perigos também.”

Cláudio Stringari, 43 anos, e Lorena Nogaroli, 40 anos, empresários da comunicação

Pais de Paola, 15 anos, e Enrico, 12 anos

“Como pai, hoje, meu maior desafio é acompanhar a evolução tecnológica com meus filhos e usá-la como nossa aliada. A tecnologia vai ditar o futuro dessa geração. Não haverá emprego para quem não acompanhar a tecnologia. Não adianta fechar os olhos e querer trancar a criança em um mundo analógico ideal, como vivemos há 20, 30 anos, porque essa criança vai crescer e sofrer por não saber lidar com a tecnologia. Por isso, é importante muita conversa, para dividirmos com elas as expectativas e descobertas – e mostrarmos os benefícios e os riscos dessa realidade digital. Meus filhos fazem pesquisas de trabalhos para a escola, jogam e acessam algumas redes sociais, como Instagram e WhatsApp. Temos um grupo de família no WhatsApp que facilita bastante a nossa rotina de levar-buscar, saber onde estão, dividir tarefas, fotos e compromissos. Tentamos dosar o uso da internet da melhor maneira, mas nem sempre conseguimos.

Procuramos criar uma relação muito aberta e transparente. Todos os aplicativos, para serem baixados, necessitam da autorização dos pais, que analisam caso a caso. Conversamos muito com nossos filhos sobre os riscos da internet: roubo de dados, vírus, bullying, desafios, nudes, entre outros. Assim, eles se sentem seguros com a nossa supervisão, mas não sem privacidade. A gente dá privacidade de acordo com a maturidade que eles nos mostram.
Não tem nem como comparar a minha adolescência com a deles. Tudo o que acontecia em nosso tempo acontece hoje ainda, mas de forma muito mais rápida e em proporções muito maiores, por conta da internet. Antes, tínhamos uma sensação maior de paz, de tempo para cada coisa. Hoje, a ansiedade acompanha a tecnologia, mas, por outro lado, o mundo todo está a um clique de distância.”

Fabbi Cunha Muricy, 37 anos, jornalista

Mãe de José Ricardo, 9 anos, e Pedro Henrique, 6 anos

“A geração dos meus filhos é muito diferente da minha. Eles já nasceram na era digital e não sabem o que é viver sem isso. Então, eu busco, como mãe, maneiras de conviver com a tecnologia. Em casa, existem algumas regras, pois acho que limites são necessários. Só o meu filho mais velho tem celular, por exemplo. Utilizá-lo na escola é proibido! Ele sabe que, se precisar falar comigo, é só pedir e, imediatamente, a escola vai me ligar. Em casa, ele assiste ao que gosta, porém, sempre estou atenta. Os aplicativos do seu celular estão no meu nome, então, ele não baixa nada sem que eu saiba.
Conversamos muito sobre o que pode acontecer na internet, os perigos. Quando chega mensagem no WhatsApp dele, quando ele não conhece o número, corre para me mostrar, preocupado, pedindo para eu bloquear. Eu trabalho com meu celular o tempo inteiro e também coloco regras para mim. Quando estou com eles, não fico com o celular na mão o tempo inteiro. À mesa, durante as refeições, cada um deixa o seu celular no aparador e a televisão fica desligada. No começo, não foi fácil criar essa rotina, porém, hoje eles mesmos desligam a TV.

Na minha opinião, a tecnologia ajuda. Há muitos aplicativos incríveis para ajudar com a matemática e o raciocínio rápido, por exemplo. Mas temos que manter a nossa posição como pais, instruir e educar com amor, participando e direcionando nossos filhos.”

*Matéria publicada originalmente na edição 216 da revista TOPVIEW. 

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