Depois do salto da edição genética, conheça seus avanços e riscos?

A edição genética deu um salto em 2018! Você conhece seus avanços e riscos?

Os primeiros bebês editados geneticamente foram anunciados. A edição genética avança – mas quais são os seus riscos?

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Por Anderson Gonçalves

No fim de novembro, o mundo foi surpreendido com uma notícia tão promissora quanto preocupante: o cientista chinês He Jiankui disse ter ajudado a criar os primeiros bebês editados geneticamente do mundo.

O anúncio do pesquisador He Jiankui, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, em Shenzhen, caiu como uma bomba no meio científico. Cientistas se disseram surpresos com o experimento, que teria sido feito sem o conhecimento da comunidade acadêmica e que, para muitos, seria eticamente condenável e de consequências imprevisíveis.

O trabalho de He Jiankui é mais um passo em um dos maiores e mais controversos desafios da ciência contemporânea: a edição genética. Tudo começou em 2012, quando pesquisadores desenvolveram o Crispr, uma ferramenta que possibilita eliminar partes indesejadas do genoma que causam doenças e, se necessário, inserir novas sequências no local. Com isso, é possível atuar diretamente no gene defeituoso, tornando mais fácil a resolução de doenças, especialmente as de difícil tratamento.

Em 2015, foram anunciados os primeiros resultados significativos da técnica em animais, como cães e porcos, e em espécies agrícolas, como amendoins e trigo. No ano seguinte, pesquisadores da Universidade de Sichuan, na China, injetaram pela primeira vez genes editados com o Crispr em seres humanos, mais precisamente em um paciente com câncer de pulmão.

No ano seguinte, a revista Nature, uma das mais conceituadas na área de ciência, publicou que genes defeituosos foram modificados em embriões humanos, a fim de evitar uma condição cardíaca hereditária. O resultado foi bem-sucedido: por meio do Crispr, foram gerados embriões totalmente saudáveis.

No caso de He Jiankui, seu experimento causou espanto por ter sido o primeiro a criar novos seres humanos a partir da edição genética. Ele disse ter alterado os embriões para sete casais durante tratamentos de fertilidade, com apenas uma gravidez resultante. Daí nasceram as gêmeas batizadas de Lulu e Nana.

O cientista declarou que seu objetivo não era curar ou prevenir alguma doença hereditária, mas dar resistência a uma possível infecção pelo HIV, o vírus da Aids.

Sob análise

Apesar dos avanços, a edição genética ainda é vista com ressalvas pela comunidade científica. Em março do ano passado, a FDA – Food and Drug Administration, agência de saúde pública dos Estados Unidos – interrompeu os primeiros testes em humanos com o Crispr. Diferentemente dos EUA, a China permite a edição de genes, o que fez com que Jiankui realizasse suas pesquisas nesse país.

A preocupação com experimentos genéticos em humanos é respaldada em alguns estudos recentes. A Nature noticiou que alguns dos que usaram o Crispr para editar células humanas e de camundongos geraram mutações genéticas “extensas”.

Já outro estudo, também divulgado pela revista, mostrou que a técnica poderia aumentar o risco de câncer. Após a polêmica do anúncio, He Jiankui está sendo investigado e todas as pesquisas sobre edição genética na China estão suspensas. Enquanto isso, novos avanços nesse campo também deverão aguardar.

Leia mais: Entenda a polêmica envolvendo a pesquisa de He Jiankui.

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