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Dia Nacional da Saúde: Hospital chega a 2 mil vidas salvas da covid desde início da pandemia

A cada alta hospitalar, uma história de superação, aprendizado e ânimo para profissionais, pacientes e famílias

“A melhor coisa que aconteceu neste ano para mim foi voltar para casa e encontrar minha família”. Esse é o depoimento de Wenillton de Paula Cavalheiro, 63 anos, que passou cinco meses internado no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), para se recuperar das complicações da covid-19. Assim como ele, outras 2 mil pessoas internadas na instituição devido ao coronavírus venceram a doença e puderam voltar para suas famílias desde o início da pandemia. 

Wenillton de Paula Cavalheiro (Foto: Divulgação)

“Cada vez que acompanhamos uma alta e vemos o encontro do paciente com a família, é uma sensação indescritível, de que estamos vencendo os desafios impostos pela pandemia”, explica o médico intensivista e coordenador médico das UTIs, Jarbas da Silva Motta Junior. O hospital foi o primeiro a receber pacientes graves com covid-19 no estado do Paraná, com a internação do médico do SUS Jamal Munir Bark. Sem doenças prévias, ele deu entrada no dia 19 de março de 2020, quando acabou sendo intubado. Foram 40 dias na UTI e 10 na unidade de internação do hospital. 

Após esse período, o médico precisou de 90 dias de fisioterapia domiciliar para então voltar ao trabalho e se tornou um símbolo da luta contra a doença. “Sentia muita fraqueza e tinha muito medo de não conseguir andar mais, devido à perda da massa muscular. É muito difícil passar por todo esse processo e sem o acompanhamento multidisciplinar seria ainda mais complicado”, ressalta Jamal. “A doença é única para cada paciente e, nesses quase 18 meses da covid-19, precisamos nos adaptar às novas maneiras de cuidado que o vírus impôs, com pacientes muito mais graves e com tempo maior de internação, fazendo com que as pessoas fiquem por meses dentro do hospital para se recuperarem da infecção”, complementa o intensivista Jarbas.

Reestruturação

Para que histórias de sucesso nessa batalha pudessem ser contadas, a palavra de ordem quando a pandemia dava os primeiros sinais de que chegava ao Brasil foi reestruturação. Os hospitais organizaram espaços físicos, construindo novos fluxos para atendimento dos casos suspeitos da covid, separados dos de outras doenças, que não deixaram de existir e não podiam esperar a pandemia passar, como casos de doenças crônicas, AVCs, infartos, urgências e emergências. 

Foi necessária uma força-tarefa que uniu profissionais da assistência e de gestão. “Não havia repertório para trabalharmos com a infecção, mas conseguimos nos adaptar de maneira rápida e integrada, graças ao intercâmbio com outras instituições e à experiência trazida por acreditações internacionais de segurança. Foi praticamente criado um novo hospital dentro do que já existia, com investimentos em equipamentos e agilidade para que a estrutura física fosse praticamente dividida em duas, com fluxos totalmente separados e treinamento de toda a equipe em tempo recorde”, conta o diretor geral do Hospital Marcelino Champagnat, José Octávio Leme. 

Avanços e descobertas

E as conquistas só foram possíveis graças à rede de intercâmbio de experiências e observações que se formou entre universidades, hospitais, pesquisadores e profissionais de saúde, sem esquecer do papel essencial de pacientes e familiares que se dispuseram a participar dos estudos. Em pouco tempo foram descobertas as diferentes formas como o coronavírus age no organismo e, agora, as pesquisas se voltam às sequelas da doença. “Mais do que nunca, é preciso enxergar as pessoas por trás desses números. Esse talvez seja um dos principais aprendizados da pandemia. Porque são essas pessoas que nos motivam e também tornam possíveis os avanços que tivemos até aqui”, reforça a fisioterapeuta e pesquisadora do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação dos hospitais Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Cristina Baena.

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