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Dia da Saúde e Nutrição: Instituto defende a segurança sanitária e saudabilidade das proteínas alternativas

Alimentos à base de plantas e a inovadora carne cultivada ainda suscitam dúvidas e questionamentos: esses alimentos realmente representam uma opção mais segura e saudável para o consumidor?

Em 31 de março é comemorado o Dia da Saúde e Nutrição, conforme definido pelo calendário oficial do Ministério da Saúde. A data visa chamar atenção para a prática da boa alimentação e convida todos a refletir sobre as escolhas dos alimentos e refeições diárias. A adoção de uma nova postura aliada a hábitos alimentares mais saudáveis pode evitar diversos problemas e complicações de saúde.

Há quatro anos no Brasil, o The Good Food Institute (GFI), uma instituição global que promove o desenvolvimento do setor de proteínas alternativas, acredita que as novas tecnologias desenvolvidas para a produção de carnes, leites e ovos feitos a base de vegetais, cultivados a partir de células ou obtidos por fermentação oferecem ao consumidor produtos mais saudáveis e seguros.

Onde estão os impactos

Menos carne – Existe um consenso cada vez maior entre as autoridades de saúde mundiais ao recomendar a diminuição no consumo de carne, a fim de criar uma dieta com menos gordura, especialmente do tipo saturada, colesterol e sódio. Dados da “Our World in Data”, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, mostram que o consumo de carne vermelha cozida não deveria ultrapassar 300g por semana (42,8g por dia), pois quando ingerida em excesso facilita o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, bem como doenças cardiovasculares e diabetes. Ainda assim, um estudo da OMS aponta que 80% dos brasileiros consomem mais que o dobro disso, em torno de 88g por dia. O consumo per capita anual chega a 42,12Kg.

Para os que não conseguem abrir mão do churrasquinho de domingo, a boa notícia é a chegada da carne cultivada, tecnologia que permite produzir carne de verdade, mas sem a necessidade de criar e abater animais.

“Acredito que essa nova forma de produção de carne pode ajudar a enfrentar dois dos maiores desafios de segurança associados à produção da carne convencional: a contaminação microbiana e a resistência aos antimicrobianos. Por ser um processo fabril controlado, o risco de contaminação é muito baixo, dispensando o uso de antibióticos, que é um dos grandes problemas envolvidos na produção de carne atualmente, além de reduzir as infecções alimentares causadas por contaminações ao longo do processo de abate e processamento da carne convencional”, explica a diretora de ciência e tecnologia do GFI, Dra. Katherine de Matos.

Flexitarianos – Paralelamente ao ainda significativo consumo de carne, a preocupação com a saúde também ajuda a definir as escolhas alimentares dos brasileiros. O país ocupa o quarto lugar no ranking de consumo de alimentos saudáveis, segundo a consultoria Euromonitor. O crescimento do público flexitariano – pessoas que reduzem o consumo de alimentos de origem animal sem abandoná-los completamente – foi o maior responsável pela expansão do mercado consumidor de proteínas alternativas no Brasil. Para esse grupo, uma das maiores motivações na hora de reduzir o consumo de carnes, ovos e produtos lácteos é a preocupação com a saúde. Em pesquisa realizada pelo GFI Brasil em parceria com o IBOPE, 50% dos entrevistados afirmam ter reduzido o consumo de carne. Quase metade das substituições (47%) é feita exclusivamente por legumes, verduras e grãos e 12% por carnes vegetais.

Mesmo assim, ainda há certo ceticismo acerca das carnes vegetais e se estas são realmente uma opção mais saudável. E a resposta curta é sim. Uma pesquisa realizada pela organização Food Frontier revela que as carnes vegetais possuem quantidade de proteína maior ou comparável aos alimentos animais; menos gordura, especialmente a saturada; são boas fontes de fibras; são livres de colesterol; e ainda apresentam quantidade de sódio menor ou comparável ao produto de origem animal.

Em outro estudo recente, publicado pela Escola de Medicina de Stanford, cientistas compararam o consumo de carne de origem vegetal com a carne de origem animal. Os resultados apontaram que o consumo de produtos de carne à base de plantas levou a um impacto positivo sobre os níveis de colesterol e peso corporal dos indivíduos avaliados, que os níveis gerais de proteína e sódio na dieta eram os mesmos em ambas as dietas, o consumo de fibra era maior ao comer carne de origem vegetal e que o consumo de gordura saturada era menor ao comer carne de base vegetal em vez de carne animal.

“Aos consumidores que querem reduzir o consumo de carne e estão buscando alternativas ricas em proteína, as carnes vegetais servem como opção mais saudável que a convencional mesmo quando processadas da mesma forma que seus equivalentes de origem animal”, afirma Katherine. No caso de produtos vegetais, o processamento é benéfico pois, em muitos casos, adiciona nutrientes como cálcio, ômega 3 e vitaminas D e B12 – aumentando a saudabilidade desses produtos.

Viver mais – Pesquisas ainda revelam que, ao priorizar alimentos de origem vegetal, o indivíduo tem acesso também aos principais meios de se obter naturalmente os compostos bioativos e nutrientes que concedem maiores benefícios à saúde e longevidade. “Motivados pelos crescentes e consistentes estudos que sugerem a redução da ingestão de carne vermelha para redução de risco cardiovascular, as carnes à base de plantas oferecem uma alternativa potencialmente mais saudável”, explica a nutricionista e chefe da área de nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira, Alessandra Luglio.

Nesse sentido, as carnes vegetais que já ocupam significativos espaços nas gôndolas dos mercados, cardápios dos restaurantes e mesas dos brasileiros são de grande valia. Além de entregar cada vez mais características sensoriais similares às do produto original, como sabor, aroma e textura, que facilitam a transição ou uma redução maior do consumo de produtos de origem animal, as proteínas alternativas estão alinhadas a um consumo consciente imprescindível para o planeta e a humanidade.

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