SELF

Artigo: Como você acredita que a inteligência emocional pode contribuir para o desenvolvimento de uma pessoa?

Vou construir um racional para expressar minha opinião sobre este tema, considerando que este raciocínio está puramente baseado nas minhas crenças, nos meus estudos e na forma como encaro a vida. 

Para mim, estamos neste mundo para sermos felizes. E felicidade, no sentido mais amplo da palavra, significa viver a nossa essência e entender que essa tal felicidade que tanto buscamos, está nas coisas mais simples da vida. É poder viver a felicidade genuína – eudaimonica, que significa alcançar as melhores condições de vida possível para si e para os outros. 

Porém, este é um exercício diário. Temos nossos desafios de vida sejam eles terrenos – como trabalhar, cuidar da família, pagar contas, estudar ou espirituais  – e aqui cada um tem uma interpretação sobre este aspecto, que podem nos tirar ou nos desviar daquilo que realmente é a essência da nossa vida. Vamos nos “embolando” nas histórias que a vida nos oferece e terminamos o dia exaustos, só querendo descansar para no outro dia, continuar a “luta”.

E assim vamos criando um ciclo vicioso e sem nos darmos conta de tudo isso. Por que, afinal, temos que trabalhar, estudar, ficar no trânsito, pagar conta. Ufa!

Felicidade não é não ter problemas. Isto é ilusão. É ter inteligência emocional para saber lidar com todas as oportunidades e desafios que a vida nos oferece.

E o que é essa tal inteligência emocional? O filme “Divertidamente” nos ajudou muito a entender e a nomear os nossos sentimentos. Destinado ao público infantil, os adultos puderam aprender e muito sobre como as emoções funcionam. Nele vimos as emoções universais atuando: a alegria, o nojo/aversão, a tristeza, o medo e a raiva. Mas não são só essas emoções existentes. Temos muitas outras, mas desafio a você a pensar sobre quantas emoções você consegue reconhecer em você.

Pois é. Este é o começo de tudo. Se permitir pensar e reconhecer que como seres humanos, temos sentimentos que surgem a partir das nossas experiências no dia a dia. Às vezes divergentes, às vezes até incompreensíveis. Querendo ou não, eles estão lá. Acontecem independente da nossa vontade. São acionados por gatilhos e em milésimos de segundos. Esta consciência é fundamental.

E saber lidar com eles, é o X da questão. Quando falamos da inteligência emocional é poder fazer escolhas de como agir a partir de um gatilho. Vamos a um exemplo prático

Você está no trânsito e numa longa fila. De repente, surge um carro cortando todos e quer entrar na sua frente. Só de imaginar esta cena você já deve ter acionado algum gatilho. A inteligência emocional entra nessa fração de segundos, onde você decide o quê fazer. E aqui você tem duas possibilidades: uma ação destrutiva (abaixar o vidro, xingar, encostar no carro da frente, jogar o carro em cima dele, etc) ou uma ação construtiva (continuar ouvindo sua música, seu podcast, manter no ritmo que o trânsito estava e não se abalar pelo motorista apressadinho).

Sua escolha neste momento, definirá o seu estado emocional pelos próximos minutos, ou horas, ou dia. Mas esta consciência só é possível pelo estado de presença. É você estar conectado com o que está acontecendo agora, reconhecer os gatilhos que irão disparar as emoções e, mesmo assim, escolher ter ações construtivas. Não é fácil. Mas é possível. É um exercício diário. E quanto mais você exercita este ciclo virtuoso, mais condições você tem de ir ao encontro daquilo que lhe faz feliz. 

Estou presente – reconheço as minhas emoções – opto por ações construtivas. Este exercício lhe trará mais equilíbrio, maior clareza sobre as situações e possibilitará que você leve seu dia com mais leveza e siga ao encontro dos seus objetivos pessoais. 

Uma vida em que nos deixamos levar pelas turbulências do outro nos tira do nosso caminho, porque nos leva a um alto nível de estresse, de constante prontidão, de ação/reação, e acabamos o dia exaustos, como se um caminhão tivesse nos atropelado. No dia seguinte, acordamos repetindo os mesmos comportamentos. 

Romper este ciclo e assumir as rédeas da nossa felicidade faz parte do nosso desenvolvimento e isto só é possível, a partir do autoconhecimento e do aprimoramento da nossa inteligência emocional.

É trazer luz para nossas emoções e para nossas escolhas. É ser o comandante da nossa vida. A felicidade? Com certeza estará ao longo de todo esse caminho. 

*Escrito por Célia Foja, diretora da People+Strategy

Deixe um comentário