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Mundo dos games aproxima as empresas da Geração Z

Desafios promovem atração e retenção de talentos das novas gerações em organizações como a Japan Tobacco International (JTI)

A gamificação tem sido a aposta de muitas empresas para engajar seus colaboradores em diferentes processos de recursos humanos. Por meio de mecanismos utilizados em jogos, como o feedback em tempo real, dinamicidade e recompensas, ela tem se consagrado na área como um método capaz de gerar engajamento, colaboração e satisfação nos seus participantes. Agora, além de ser utilizada para o público interno, é usada para atrair e reter novos talentos da Geração Z. Esse é o caso do programa Make It Bright, da Japan Tobacco International (JTI).

A estratégia é aplicar ferramentas utilizadas em jogos em situações que não se restringem ao entretenimento. Alguns recursos adotados de maneira conjunta são pontuação, storytelling, fases e prêmios. A ideia é criar uma dinâmica que seja motivadora e capaz de conquistar o engajamento dos participantes na atividade proposta.

Fórmula para a motivação

Dessa forma, a gamificação tem avançado, sendo aplicada por empresas como Microsoft, SAP e Salesforce com diferentes propostas e objetivos. Uma pesquisa de 2019 da TalentLMS que entrevistou 900 empregados, dos quais 526 afirmaram notar algum elemento de gamificação nos softwares ou aplicativos que utilizavam para trabalhar, identificou que 89% deles se sentiam mais produtivos e 88% mais felizes com essa metodologia. Além disso, 33% apontaram que gostariam de mais recursos de gamificação nos softwares de treinamento e 78% dos entrevistados afirmam que sua utilização em processos de recrutamento torna a empresa mais desejável.

Uma das premissas dessa metodologia é que esses benefícios vêm do fato de que as pessoas estão familiarizadas com esses elementos de jogos que promovem sentimentos de competitividade, autossuperação e a motivação na busca pela recompensa. Para a geração Z, de pessoas nascidas entre 1996 a 2010, a tendência é que o uso da gamificação se torne ainda mais importante, pois são consideradas nativos digitais e tiveram muita influência dos videogames em sua formação. A Pesquisa Game Brasil de 2021, por exemplo, indica que eles representam mais de 22,5% dos gamers do país.

Oportunidade de estágio global faz uso da estratégia

É nesse contexto que a Japan Tobacco International (JTI) tem apostado no seu desafio global Make It Bright para se aproximar ainda mais dessa geração que já representa  24% do mercado de trabalho brasileiro, segundo a pesquisa Millennials – Unravelling the Habits of Generation Y in Brazil. Ele funciona da seguinte forma: jovens estudantes de 18 a 24 anos precisam formar duplas para elaborar um projeto sobre um problema de negócio da organização. Após a inscrição, as melhores ideias são selecionadas e as duplas que avançam de fase passam por um processo de mentoria com colaboradores voluntários da JTI, além de receberem um curso conceituado sobre técnicas de apresentação. A dupla vencedora da etapa nacional compete no evento final global, concorrendo com os mais variados países nos quais a JTI está presente. Cada um dos jovens vencedores na final global ganha US$ 2.000 para investimentos em educação/treinamento, um Macbook e o principal, um estágio remunerado de 6 meses em um dos escritórios da JTI espalhados pelo mundo. O segundo e terceiro lugares recebem US$ 1.500 / IPad e US$ 1.000 / Apple Watch, respectivamente.

A primeira edição do programa no Brasil ocorreu em 2019 e de lá pra cá vem conquistando o engajamento de cada vez mais jovens. Em 2020, o número de inscritos foi o triplo do ano anterior e a expectativa é de que neste ano esse número seja mais uma vez superado.

“No Make It Bright utilizamos a gamificação para a formação e o desenvolvimento de habilidades dos participantes enquanto vamos nos relacionando e aprendendo sobre as características e expectativas dessa nova geração de talentos. Dessa forma, eles podem vislumbrar oportunidades de carreira enquanto passam por uma vivência de desenvolvimento de projeto, apresentação e avaliação. Já nós conseguimos ir gradualmente ampliando nossas estratégias para atração e retenção desses talentos”, afirma Thiago Dotto, Diretor de Pessoas & Cultura da JTI.

A empresa compreende o programa como uma estratégia de Employer Branding voltada para um novo grupo de líderes que ainda estão em processo de formação. Sendo assim, buscam jovens proativos, competitivos, estudiosos e com desejo de terem carreiras promissoras, oferecendo um desafio que desperta interesse e curiosidade e promove o desenvolvimento de habilidades que poderão ser aplicadas ao longo de toda sua carreira.

André Carrara e André Mafei, ambos alunos do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), são dois estudantes com esse perfil que participaram do programa em 2020, sendo os finalistas do Brasil.  Segundo Mafei, a oportunidade proporcionou um olhar diferente sobre como propor soluções disruptivas.

“Eu adoro participar de competições de inovação, é que elas me motivam a ir além do que já existe de mais novo num segmento por meio da tecnologia. Esse aprendizado intenso que o Make It Bright nos proporcionou aperfeiçoa uma visão mais rápida e criativa de resolução de problemas. E ainda tivemos a chance de conquistar um espaço no time da JTI internacionalmente, o que é surreal e life-changing”, afirma.

José Henrique Brixius, de Santa Cruz do Sul (RS), participou da edição do programa em 2019 e é um dos talentos identificados por meio do programa. Ele e sua dupla, André Lopes, de Passo do Sobrado (RS), chegaram a viajar à Suíça para apresentar o projeto que desenvolveram. Hoje, após ter estagiado na área de melhoria contínua da JTI, José Henrique foi efetivado como Auxiliar de Melhoria Contínua.

“O programa contribuiu muito com a minha carreira, pois foi minha porta de entrada na empresa e pude mostrar quem eu era e meu trabalho. Além disso, tive diversos outros ensinamentos por meio da mentoria com profissionais experientes, a oportunidade de viajar para outro País, apresentar o projeto e conviver com pessoas de diferentes nacionalidades. Experiências e aprendizados que foram muito importantes”, afirma.

Para Dotto, a experiência positiva do Make It Bright nas suas três edições até aqui demonstra o potencial da gamificação. “Compreendemos que essa metodologia tem conseguido cumprir os seus objetivos de engajamento e atração de talentos. Por esse motivo, ela vai estar cada vez mais presente em nossas práticas”, ressalta.

Make It Bright

A edição do Make It Bright 2021 está com inscrições abertas até o dia 30 de abril. Para participar é necessário que os participantes formem duplas, além de precisar atender a alguns requisitos: ter entre 18 e 24 anos, ter inglês avançado, estar motivado a inovar por meio da criação de projetos e ter menos de dois anos de trabalho com carteira assinada. Os inscritos devem enviar até o dia 31 de maio uma ideia de negócios que responda a um dos desafios propostos pela empresa. Quem quiser participar ou conferir mais informações deve acessar o site

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