De hambúrguer a mobiliário de alto padrão: a trajetória de Leandro Lorca

De hambúrguer gourmet a mobiliário de alto padrão: a incrível trajetória de Leandro Lorca

Novo franqueado da S.C.A. Curitiba, o empreendedor fez carreira na rede Madero e foi um dos responsáveis pelo crescimento exponencial da marca

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Leandro Lorca. (Foto: Gustavo Sguissardi/Divulgação)

Você acredita em coincidências? A vida de Leandro Lorca é repleta delas. Provavelmente você o conhece do Madero, onde ele ficou por sete anos. Lá, foi o primeiro sócio-investidor do grupo e ocupou, por último, a função de Diretor de Marketing – a qual lhe rendeu o prêmio de Personalidade de Marketing da ADVB-PR em 2017. Ao se desligar da rede em maio de 2018, assumiu, quatro meses depois, a franquia da S.C.A. Curitiba. O que pouca gente sabe é que a relação dele com esse mercado não é de hoje: a família Lorca possui uma história de 45 anos no ramo de móveis e decoração.

Paulistano, Leandro se criou em Londrina, no Norte do Paraná, e veio para Curitiba aos 18 anos, em 2001, para cursar Administração na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O pai dele era sócio de uma empresa de móveis em São Paulo – que chegou a ter seis unidades –, a primeira franqueada Sierra do Brasil. A mãe teve uma loja do mesmo segmento em Londrina, onde eles chegaram a abrir até uma indústria, que ainda hoje fornece para grandes marcas.

Mesmo antes de começar as aulas na faculdade, Leandro já ajudava o pai e atuava como representante de móveis de alto padrão para clientes como Ton Sur Ton, Inove Design, Sierra Móveis, Studio Casa e Vanessa Taques Casa. “Tinha uma malinha, pegava o ônibus e ia para a região do Hugo Lange, Santa Felicidade, Ponta Grossa”, conta o empreendedor. Em um ano, ele comprou seu primeiro carro, pago à vista. “Obviamente não era um carro zero, né? Mas para quem trabalha de ônibus…”, conta, aos risos.

Antes de assumir a S.C.A., admite, recusou algumas ofertas. “O Madero me proporcionou uma visibilidade muito boa em diferentes setores.” Por seis meses conciliou a loja com a sociedade de uma das principais agências de marketing digital de performance do Brasil, a GhFly – considerada uma das Melhores Empresas para Trabalhar no Paraná em 2018. “Eu sentia que estava colaborando e aprendendo muito, mas a agência sobreviveria sem mim. A loja, não”, garante. Hoje, aos 36 anos, ele divide a administração da S.C.A. com o pai e um terceiro sócio, André Luis Coutinho.

Pai de Catarina, de 5 anos, e Frederico, de apenas 1 – do casamento de seis anos com a publicitária Ana Paula Lorca -, Leandro celebra essa nova fase desafiadora já com bons números. Em fevereiro, a S.C.A. vendeu o equivalente ao período entre setembro e janeiro. No bate-papo a seguir, ele conta como a marca entrou em sua vida, avalia as transformações pelas quais o empreendedorismo passou nesses 18 anos de carreira e conta como, por influência do chef Junior Durski, se tornou um baita gourmand.

TOPVIEW: Como a S.C.A. entrou na sua vida?
Leandro Lorca: Ao sair do Madero, eu estava procurando alguma atividade, então, estava indo a feiras de franquia. À convite do Junior [Durski, chef e fundador da rede Madero] tive uma última missão pelo Madero: fui à China visitar algumas indústrias. Quando voltei, estava conversando com o Ricardo [Fernandes, franqueado da S.C.A. em Balneário Camboriú] e ele comentou comigo que haveria a possibilidade da compra da revenda S.C.A. de Curitiba. Foi aí que eu me aproximei. Fui visitar a indústria em Bento Gonçalves, fiz algumas pesquisas de mercado com revendedores da marca, fui para São Paulo visitar algumas praças e conhecer a S.C.A…. A marca é realmente muito boa, a indústria impressiona. Um parque fabril fantástico, tecnologia de ponta mesmo. Me encantei pela marca e pelos produtos. É uma gestão familiar, na terceira geração já, então tem um envolvimento e um carinho muito grande deles nos negócios. Eu me identifiquei e topei o desafio.

“Não tem ninguém no mundo que possa me ensinar o que eu aprendi nesses sete anos [de Madero].”

Você já tinha experiência com o mercado de móveis de alto padrão. Inclusive fora do Brasil. Como foi isso?
Depois que eu me formei, morei três anos em Miami como representante de móveis de alto padrão também. Eu e meu irmão usamos a estrutura da Apex-Brasil [Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos] e ficamos três anos sediados. Em seis meses já éramos os associados que mais faturavam entre os 115. Só que a gente pegou uma época muito difícil, no auge da crise imobiliária, de 2006 até 2009. Para você ter uma ideia, nos dois primeiros anos, fecharam 19 clientes em Miami. Participávamos de feiras e, a partir daí, começamos a abrir mercado na América Central, Caribe e América do Sul. Meu irmão até hoje exporta móveis, mas eu mudei de segmento. Voltei para o Brasil e trabalhei na Nutrimental como executivo da America Latina. Fui pra 25 países e abri 18 unidades para eles, inclusive em Cuba, Suriname, Guiana Francesa, uns países bem exóticos.

Tanto na Nutrimental, onde você respondia pelo desenvolvimento da empresa, quanto no Madero você atuava diretamente na expansão das marcas. De que forma essas experiências podem contribuir para a S.C.A.?
De certa forma, apesar de hoje estarmos focados em Curitiba e Região, a gente tem que fazer um trabalho de expansão. No fundo, somos vendedores, voltamos às origens. Tem que se apresentar, mostrar os diferenciais, não só fazer uma venda, mas um excelente pós-venda. Aí trago um pouco da minha experiência. [Temos que] Retomar mercado, trazer novos arquitetos que ainda não conhecem a marca, e por que não, atuar em outras frentes do segmento de decoração.

Antes dos 30 você já tinha muitas experiências profissionais importantes. A que atribui isso?
A minha família sempre foi muito empreendedora. Os exemplos que eu tive em casa sempre foram de pessoas à frente da gestão, então isso contou muito. Na minha família não lembro de ter alguém fazendo carreira executiva ou trabalhando muitos anos para os outros, em cargos públicos. Meus exemplos foram sempre de empresários muito dinâmicos.

Quando você entrou no Madero, havia sete unidades da rede. Hoje, são 130. O que você carrega dessa experiência? Quais eram os principais desafios?
Fui o primeiro sócio-investidor do Madero. Comecei com três franquias e aí me chamaram para ser sócio do grupo e ajudar em diferentes frentes que pintavam, mas basicamente atuava em gestão comercial, relacionamento com fabricantes, fornecedores, parcerias, campanhas, também ajudava na parte de gestão gerencial dos restaurantes, enfim, mais na parte de operações. Minha última função foi Diretor de Marketing, em que fiquei por três anos, e fazia parte do comitê de expansão da marca. A todas as aberturas do Madero eu ia, ou o Junior ou o vice-presidente. Viajei bastante. Quando entrei, o Madero não era essa potência que é hoje, para mim foi uma escola. Esses anos trabalhando com o Junior foram um privilégio. Não tem ninguém no mundo que possa me ensinar o que eu aprendi nesses sete anos. O desafio maior sempre foi crescer mantendo a qualidade em todos os pontos, do produto ao atendimento, construção, marketing. A gente não cuidava só em manter, mas em melhorar. O Junior sempre repetia muito: “todos os dias, de alguma forma, a gente está um pouco melhor”. Ele sempre lembrava a gente disso: quem está parado nunca mantém, não tem a opção de ficar parado porque o mundo se mexe. Essa filosofia motivava a gente a fazer melhor. Ele é muito focado em qualidade, satisfação dos clientes, funcionários. Hoje, enquanto empresário, eu trago muito do que aprendi no meu dia a dia, essa busca constante pela qualidade e excelência. Ele é muito detalhista, sabe que não vende um sanduíche, vende uma experiência. O prêmio de consolação foi manter a nossa amizade, isso é algo que não se compra. E quem sabe no futuro a gente ainda faça algum negócio junto – vontade e interesse dos dois existe.

Por que sair do Madero? Você ainda é sócio?
No ano passado eu acabei vendendo as minhas ações para o Junior. Foi uma saída bastante amigável, até hoje temos um relacionamento pessoal muito bom, tanto é que defini minha saída no final de 2017 e fiquei oito meses em transição. Os dois chegaram à conclusão de que, talvez, seria o fim de um ciclo. Eu fiz o que tinha que fazer, o Madero contribuiu muito para a minha vida. Ambas as partes saíram satisfeitas com as entregas.

“Eu gosto bastante mesmo é de comer, aprendi bem com o Junior.” (Foto: Instagram)

Fora do horário comercial, o que você gosta de fazer?
Gosto bastante de jogar futebol. Jogo há 15 anos toda terça-feira. Gosto de jogar tênis, andar de bicicleta, faço natação – agora tô retornando com a minha filha… Gosto de fazer algo com ela no fim de semana. Faço academia no prédio. Mas o que eu gosto bastante mesmo é de comer, aprendi bem com o Junior (risos). Vinho não consigo acompanhar, porque ele tem um gosto extremamente refinado (risos).

 
 
 
 
 
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Ninguém segura esse trio!!! Valeu meus parças @henriquediashd @leandro.lorca hj não teve pra nós!!! #mpm #futebol #resenha #friends #bestfriends

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Você cozinha?
Cozinho, gosto. Acabei de construir uma adega bonita em casa, reformei a churrasqueira, tudo móveis S.C.A. (risos). Cozinho em casa quando a gente recebe amigos, minha esposa também cozinha bem, às vezes ela faz as entradas e eu os pratos. Gosto de fazer ostra na churrasqueira, cordeiro também, gosto bastante.

E quando sai para jantar, aonde vai?
Gosto muito do Madero Prime (risos). Às vezes, eu como sanduíche, tem que matar a vontade.

Comia muito Madero?
Umas 10 vezes por semana. Fazia parte do trabalho, né? (risos) Quando viajava para um ponto novo, tinha que ir no restaurante até para ver se estava tudo ok. Mas gosto muito do [restaurante] Durski, o Swadisht, a feijoada que tem no Pantagruel, gosto do Peixinho, da Forneria Copacabana, a pizza do Funiculí… Curitiba é uma cidade privilegiadíssima gastronomicamente. A gente come bem com preço super competitivo.

Com 18 anos de carreira, como você enxerga que o empreendedorismo evoluiu?
Hoje as pessoas estão tendo muito mais acesso à informação, a números em tempo real. A tecnologia ajuda muito por um lado e, por outro, ela trouxe um ritmo diferente para os negócios. Como as pessoas estão mais ocupadas, a gente tem que dar atenção aos pequenos detalhes, aí está o diferencial. Quem quer fazer tudo ao mesmo tempo acaba não fazendo nada. Tem que saber usar a tecnologia em prol da eficiência, mas sem perder a essência, a atenção às pessoas, qualidade aos produtos.

 
 
 
 
 
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Novo @maderobrasil no Morumbi Shopping sucesso absoluto! #TheBestBurgerinTheWorld🍔

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O que define o empreender hoje?
Para ser empreendedor, você tem que assumir riscos. Por mais que você estude e conheça, no fundo você está assumindo riscos, está apostando capital ou tempo em um negócio. A linha entre dar certo ou errado é muito tênue. Empreender é você pensar 24h no seu negócio. Está vindo uma geração nova também. Querendo ou não eles estão sendo colaboradores e clientes nossos, então, a gente precisa entendê-los mais.

Para onde caminha esse segmento?
O empreendedor tem que ser muito criativo, inovador, antenado, tem que estar sempre conectado a várias pontes. Está muito na moda falar de soft skills – o empreendedor tem que entender um pouco de tudo e trazer tudo isso para o seu negócio. Criatividade é a palavra do futuro. O nosso público é o arquiteto e o nosso cliente. A gente precisa entender o que eles querem. Vejo bastante séries de arquitetura do mundo inteiro na Netflix e é inspirador… Uma coisa que hoje é fato é que você tem living, cozinha e sala de jantar em uma coisa só. O térreo é um grande salão para as pessoas estarem juntas.

E quais os planos para o 2019?
Neste ano, a gente vai participar da Feira de Milão: teremos duas atualizações de showroom, alguns eventos aqui na loja, almoços agendados com arquitetos… Tivemos uma palestra com a Glaucia Binda [especialista em design de móveis e design emocional] que reuniu 115 participantes. Devemos ter mais umas três palestras de conteúdo durante o ano. Estamos programando trazer o chef Felipe Bronze para falar um pouco de cozinha, funcionalidade, o que está em alta e, obviamente, cozinhar para a gente. Também estamos programando duas viagens com profissionais para a indústria. Entre elas, uma para a mídia especializada para conhecer a S.C.A., a história e a potência que é essa indústria. A gente quer trazer arquitetos que ainda não conhecem a marca. Vamos atualizar nossa vitrine com uma cor que está em alta, o borgonha, e a cristaleira Paros – muito versátil, funciona como cristaleira e como um armário de altíssimo padrão, perfil fino, lindíssimo, com mais de 40 opções de acabamento em vidros e metais. Vamos trazer a estante Tazos, lançamento da CASACOR SP ano passado… Até o fim do ano 80% do showroom será atualizado.

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