Os donos das ruas: conheça os criadores d’A Ostra Bêbada e do Pizza

Os donos das ruas: conheça os criadores d’A Ostra Bêbada e do Pizza

Com uma receita simples que mescla boa gastronomia à cultura de rua em Curitiba, Lucas Cintra e Rafael Fusco celebram o sucesso de seus estabelecimentos

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Ao som de uma animada playlist e com chopes, os sócios Lucas Cintra e Rafael Fusco receberam a TOPVIEW n’A Ostra Bêbada, empreendimento com menos de um ano de história, mas já finalista do Prêmio TOPVIEW Gastronomia em duas categorias: Melhor Restaurante de Frutos do Mar e Novidade do Ano. A dupla – que tem ainda um terceiro sócio, Diego Gasparin – também é criadora do Pizza, lugar que trouxe a Curitiba, há seis anos, o conceito de comida boa e acessível na descontração da calçada.

O Pizza surgiu depois que Lucas retornou da Europa com a ideia de abrir um local em que as pessoas pudessem comer e beber nas ruas, conceito que Curitiba ainda não tinha visto tomar forma. Já A Ostra, cujo nome nasceu de uma piada com os amigos, também foi uma ideia construída aos poucos, principalmente pelo cardápio variado que apresenta. “A personalidade d’A Ostra foi se transformando”, acrescenta Lucas.

Hoje em três sócios Diego, único curitibano, fica no administrativo; Lucas, londrinense, é cozinheiro; e Rafael, carioca, cuida do marketing e do comercial – comandam 50 funcionários, distribuídos em três unidades do Pizza e A Ostra Bêbada. Trabalham para estruturar ambas as casas, ficando na excelência e na qualidade dos produtos.

Gostam de reforçar que, assim como o Pizza não é somente uma pizzaria, A Ostra Bêbada não é mais um restaurante de frutos do mar. Nesta entrevista, Lucas e Rafael falam sobre o desafio de levar gastronomia e cultura para as ruas de Curitiba – movimento que ajuda a re-aquecer o Centro da cidade.

“As pessoas se preocupam mais sobre o destino do dinheiro também. Comer em uma rede internacional ou em um empreendedor local virou uma questão”, Rafael Fusco

TOPVIEW: Em qual contexto foi criado o Pizza?
Rafael: O Lucas foi trabalhar em Portugal, em uma fazenda, com produtos orgânicos, e fez muita pizza lá. Em Roma, viu a pizza em fatia e, então, voltou para cá com esse modelo de negócio.
Lucas: O Pizza surgiu de uma vontade de empreender. Voltei da Europa com o conceito de pizza em fatia, que aqui é novidade, mas lá é muito comum. E, como nós já nos conhecíamos, eu lancei a ideia e o Diego e o Rafa compraram.
Rafael: Gastamos pouco para abrir, já tínhamos um pouco de equipamento. Nossa ideia sempre foi uma loja pequena, na [rua] Trajano [Reis], vendendo comida de rua.

TV: Até que ponto é possível modificar um prato típico como esse?
Lucas: Acho que depende muito da proposta. Pessoalmente, eu não gosto. Sou da cozinha tradicional e, no Pizza, nós seguimos muito o clássico da pizza italiana, desde o tempo da massa, a ordem dos ingredientes, os sabores… Mas as interpretações estão aí e, dentro do paladar, você pode fazer o que quiser. A liberdade criativa existe e, às vezes, é dela que surgem coisas bem legais.
Rafael: Hoje nós temos oito sabores de pizza, antes era até menos. Talvez a gente tenha até mais releituras no Ostra do que no Pizza.

 
 
 
 
 
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#Repost @bbqlandoficial with @get_repost ・・・ Ele vem causando pequenos focos de incêndio em Curitiba há anos e agora parte para estragos de maior proporção. No forno do famoso “Pizza”, alimentando a boemia curitibana, e agora no coração enfartado do centrão velho da cidade com o seu sugestivo Bar da Ostra Bêbada, esse chef é a cara do bom humor gastronômico. O homem do bigode – segundo ele mesmo – cheiroso é o chef @lucastortatocintra. Com passagens por cozinhas da Itália e de Portugal, o domador de criaturas marinhas vem pra assar sardinhas na chama sagrada da BBQ Land. Vai um tira-gosto aí? BBQ LAND O que? CHURRAS E CERVEJA LIBERADOS. Quando? 17 de março, sábado. Onde? Museu do Olho, Curitiba – PR. INGRESSOS  Não fique de fora, acesse o site www.eventbrite.com.br (tem link na bio), e garanta sua entrada antecipada em até 6x no cartão. *6 vezes para compras com parcela mínima de R$50,00. BBQ LAND SIRVA-SE  #bbq #churrasco #bbqlandoficial

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TV: Vocês concordam que foram os pioneiros de comida de rua na capital?
Rafael: Acredito que sim. Antes, tinha O Torto, o Largo da Ordem ou o dog da esquina. Não tínhamos referências de lugares para beber na calçada, salvo alguns bares, porém, precisava pagar para entrar ou para sair. Assim, você ficava refém do lugar, da música que tocava e nós nunca gostamos disso. A gente gostava da rua, de transitar. Quando começamos com o Pizza, lá na Trajano, queríamos ser uma alimentação da galera da rua. Nunca nos propomos a ser um bar, queríamos que fosse um ponto final ou um ‘esquenta’.

TV: No Pizza, às pessoas comem em pé, ouvem uma música, conversam e caminham pela rua. De que forma essa postura modifica nossos hábitos alimentares?
Lucas: Eu vejo que vivemos uma transição e é a gastronomia que encaminha isso. As pessoas pensam mais sobre o que estão comendo e como estão comendo. Até os restaurantes mais sofisticados estão apresentando um conceito mais dinâmico, com responsabilidade social, usando produtos locais. O pessoal procura mais a desconstrução do que aquela coisa mais engessada.
Rafael: As pessoas se preocupam mais sobre o destino do dinheiro também. Comer em uma rede internacional ou em um empreendedor local virou uma questão.

“A gente está no Centro, valoriza a rua, queremos fazer parte da cidade e queremos mudar a cidade”, Rafael Fusco

TV: Vocês parecem ter uma preferência pelo Centro. É isso mesmo?
Lucas: Nós somos entusiastas do Centro. Nossas lojas são para as pessoas, de preferência, não virem de carro, mas de bike ou o Uber.
Rafael: Nosso público vem muito a pé, porque são pessoas que já frequentam o Centro. À noite o pessoal é um pouco mais receoso, e não imaginávamos que tantas pessoas viriam de longe para nos conhecer.

 
 
 
 
 
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A esquina mais charmosa de #Curitiba, no coração da cidade. @curitibacool #centrovivo #vidaincrivel

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TV: Vocês incentivaram bastante a música de rua, especialmente no Pizza da rua São Francisco, mas enfrentaram dificuldades. Como foi?
Lucas: Nós já tivemos uma banda (risos).
Rafael: Coisa de adolescente, né. A gente gostava de tocar.
Lucas: Nos nossos negócios, sempre mexemos com arte, cultura, com a ideia de ir para a rua. A gente sempre deu a cara a tapa: usávamos nosso CNPJ e chamávamos os amigos para tocar ou pessoas que queríamos valorizar.

TV: E enfrentaram dificuldades quanto à música?
Lucas: Bastante. Quase tivemos nosso alvará cassado.
Rafael: Curitiba sempre foi muito conservadora e organizada. É preciso paciência. Mas nós fizemos festas na Vicente Machado com decoração, com a participação de circenses e baterias. Muitas crianças vinham prestigiar com os pais, porque era tudo aberto e gratuito. Tentamos viabilizar a cultura. O que esperamos do poder público é a autorização. Embora seja uma pizzaria, nós consideramos como bar. E bar é lugar de confraternização, de cultura e de vida noturna… E é isso que a gente gosta e acredita.

“Nós somos entusiastas do Centro. Nossas lojas são para as pessoas, de preferência, não virem de carro, mas de bike ou o Uber”, Lucas Cintra

TV: Como a gastronomia de vocês se relaciona com a cultura que já existe?
Lucas: Bom, gastronomia é uma cultura. E a maioria das nossas lojas estava abandonada. Isso também traz vida para região.
Rafael: É como se nós fossemos um palco: nosso show é a pizza, a ostra e a bebida. Nós não deixamos faltar cerveja gelada e comida boa. E, então, chamamos outras pessoas para o nosso palco. A galera da cultura conhece a gente. Já veio muita gente de filme, de projeto de faculdade, skate, bike… já fizemos muita coisa nesses seis anos. E a gente gastou dinheiro, mas sempre apoiando cultura. Já promovemos até debate. Dia da Mulher, empoderamento feminino, palestras, várias atividades que não têm muito a ver com a gente, mas como temos o espaço…

TV: Trabalhar na noite deve ter rendido boas histórias. Alguma que lembram e possam compartilhar?
Lucas: Tem muitas. Na Trajano, por exemplo, todos os dias algo maluco estava acontecendo.
Rafael: Dá para escrever um livro. Ali na Trajano a gente atendia desde o traficante até o policial, o cobrador de ônibus. Às vezes, eles desciam correndo do ônibus, compravam uma fatia de pizza e voltavam [ao trabalho].

TV: O que o Pizza e A Ostra Bêbada têm em comum?
Lucas: Os dois são democráticos. Aqui [na Ostra Bêbada], claro, trabalhamos com outros produtos e outro tíquete médio, mas ambos são dinâmicos, descontraídos, é tudo feito na hora, a nossa cozinha é aberta.
Rafael: Têm produtos de qualidade, um preço justo. Não tem aquele fru-fru. É a mesma coisa com o Pizza: você come uma autêntica pizza como a nossa em outros lugares. Mas nunca pelo nosso preço. E essa comida do Ostra, a mesma coisa. A gente está no Centro, valoriza a rua, queremos fazer parte da cidade e queremos mudar a cidade.
Lucas: E temos muito respeito pelos bares centenários, como o Stuart. A gente imagina eles com 200 anos de história e a gente com 100. Queremos fazer parte dessa quadra.

 
 
 
 
 
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Mangia bene!

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TV: Tornar mais acessíveis ingredientes mais caros, como frutos do mar, é uma preocupação?
Lucas: O Brasil tem isso de elitizar certos produtos que não precisaria. Ostra, estamos perto do litoral, não é um dos produtos mais caros.
Rafael: Na Espanha, o pessoal come frutos do mar na rua, e aqui, não. Mas o real problema da ostra é que ela não é algo fácil de se cuidar. Então, muitas vezes você perde dinheiro, porque frutos do mar é muito perecível. Como é o nosso carro-chefe, nós vendemos fácil. E como ostra é mais delicada, a gente continua pesquisando.

TV: Em menos de um ano, o empreendimento já foi indicado ao Prêmio TOPVIEW Gastronomia em duas categorias. A que atribuem esse sucesso?
Lucas: A Ostra é inovadora. Nós colocamos toda a nossa energia nela. A comida é boa, fresca, de verdade. Nossa cozinha é aberta. Todo dia eu saio de casa e abro as portas do meu bar para receber meus convidados. É como um evento para mim: tento atender da melhor forma possível, com o melhor chope e a melhor comida.

TV: Como misturar pão com bife, mariscos, carne de onça e jamon dá certo?
Lucas: São várias coisas boas. Como não daria certo? (risos)

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