Conheça Caio Bocuti, o curitibano por trás da produtora Catalunya Filmes

Conheça Caio Bocuti, o curitibano por trás da produtora que pregou uma peça na internet e já viajou com ALOK

Sócio e diretor comercial da Catalunya Filmes, o curitibano encabeça projetos para clientes como Warner, Volvo, Vaio e já passou seis meses trabalhando com o famoso DJ

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“O dono deixou aviso que ali tem sinal de Wi-Fi aberto.” “Parece obra de arte.” “Alienígenas pedem Wi-Fi.” “E.T., telefone, minha casa!” Foram alguns dos comentários postados por internautas nas notícias que circularam em portais na internet dando conta de uma misteriosa marca encontrada em Piraí do Sul, cidade paranaense distante 290 quilômetros de Curitiba. O agroglifo – como são chamados esses desenhos criados por achatamento em plantações – fazia parte de uma ação de marketing da HughesNet, líder mundial no fornecimento de banda larga via satélite. Por trás da produção e execução da ação está a produtora audiovisual curitibana Catalunya Filmes, focada no público A e liderada pelo diretor comercial Caio Bocuti.

O símbolo do Wi-Fi media 90 x 70 metros.

A ideia era produzir um vídeo publicitário ficcional da empresa – que tem como público-alvo justamente produtores rurais –, mas gerar também um buzz. Um dia depois de criar o desenho, a equipe soube que um ufólogo foi até uma rádio de Curitiba afirmar que havia, em Piraí, um desenho feito por ETs. “Uma pessoa analisou a numerologia das coordenadas geográficas de Piraí do Sul, de acordo com a Cabala, chegando à conclusão que tinha sido um contato extraterrestre”, conta João Marcelo, diretor de cena. “Lendo isso de noite, no hotel, até eu acreditei que era um ET”, brinca Caio. O sucesso foi imediato e rendeu uma repercussão mundial – seis milhões de views no Facebook, cerca de 600 mil no Instagram e mais de 44 mil no YouTube!

Alguns dias depois, revelado o significado por trás da “pegadinha”, a Catalunya veio à tona, decepcionando os ufólogos de plantão e consolidando a ação como um dos trabalhos de maior destaque do ano para a produtora curitibana. 2018, aliás, foi um grande ano para eles: mais de 45 produções entre publicidades, web séries, videoclipes, fashion films e festas. Trabalhos realizados para clientes como Warner, Volvo e Vaio, por meio de agências como MIRUM, 433ag e SoWhat. Além de uma parceria de seis meses com o DJ e produtor musical Alok.

Aos 27 anos, Caio lidera uma equipe cuja integrante sênior tem 35 anos. Formado em Rádio e TV, ele define a Catalunya como uma produtora audiovisual eclética voltada para internet e novas mídias. “Quem trabalha com criatividade tem que abrir a cabeça”, declara, ao garantir que não há nada que eles não façam. A seguir, você confere o resultado do nosso bate-papo, no qual ele compartilha detalhes do processo de produção do agroglifo – e os desafios exigidos! – e alguns dos principais trabalhos da produtora ao longo desses quatro anos.

TOPVIEW: Como surgiu a produtora?
Caio Bocuti: Eu fui diretor comercial da Dance Paradise por dois anos [plataforma de música eletrônica do Grupo RIC Paraná], participei do processo criativo do programa deles no canal Bis… Fazia a venda de todos os produtos da DP, web rádio, anúncios no programa da rádio, portal, caminhão, ações e, dentre eles, o vídeo. E sentia que, para vender o vídeo, eu tinha uma facilidade muito grande. Pensei: “Se o vídeo é tão fácil, quer dizer que o mercado pede isso”. Então, comecei a dar uma maior atenção para o vídeo. E não tem curso que ensine. São alguns workshops da vida. Os equipamentos são caros… É muito mais se interessar pelo mercado e começar a fazer, pôr a mão na massa.

O que foi mais difícil na ação da HughesNet: fazer o desenho ou blindar a ação?
Achar o terreno foi muito difícil. Essa demanda chegou pra gente por meio de uma agência de Curitiba. A gente precisou achar uma plantação que fosse visível, que ficasse na beira da estrada, que tivesse o grão na altura que a gente precisava…. Da primeira reunião até começar a fazer foi um ano e meio. Muitos estudos, uma busca diária. Por conta da altura que a gente precisava, só dava para fazer na aveia, no trigo ou no milho. Foi bem complicado. Esse povo de fazenda não tem contato com celular. O dono da plantação não fica respondendo o WhatsApp. Então, nossa primeira dificuldade foi conseguir manter um contato… Nessa casa em que a gente gravou não tem sinal de nenhuma operadora. A única forma de eles se comunicarem é pelo Wi-Fi, que, por coincidência, é do cliente (risos). A gente foi várias vezes para São Paulo, em reuniões, e achamos três possíveis cidades. Conseguimos contato com as cooperativas agrícolas, eles indicaram alguns fazendeiros, produtores rurais que estavam plantando naquela época e a gente foi até lá e falou com eles diretamente. Achamos um e compramos um hectare de terra dele.

Vocês compraram?
Sim (risos)… Ah, e outra coisa, a gente não podia ter desperdício do grão, então, teve que achar essa plantação de aveia que já ia ser amassada. Eles amassam para o solo absorver os nutrientes e daí plantar trigo em cima. Ou seja, eles já iam amassar. A gente ainda fez o trabalho por eles (risos). Fomos com 23 pessoas e um caminhão.

Quanto tempo levou?
A gravação durou 16h, sem contar com o tempo que a gente demorou para fazer o desenho, 5h e durante a madrugada, para as pessoas não verem.

Desde quando a produtora surgiu, em 2014, já tinham essa ideia de focar em internet e novas mídias?
A gente tinha essa ideia de que tudo na área de vídeo era muito segmentado: uma produtora que só faz festa ou só publicidade… A gente quis abrir a Catalunya para descontinuar isso. Hoje, o nosso grande diferencial é esse: atendemos pequenos eventos, festas, fechamos um filme, publicidades enormes… Fazemos coisas gigantescas com uma equipe de 30/40 pessoas e coisas com um time que sou só eu, bem mais restrito. Mas desde o início com essa ideia de não ser segmentado em nada e conseguir atender todos os públicos.

O que esses projetos tão diferentes têm em comum?
A linguagem: diferente, dinâmica, um olhar especial que traz um pouco desse diferencial. Uma linguagem mais limpa… A gente não gosta muito de efeitos gráficos. Trabalhamos com cortes secos, uma linguagem com bastante movimento, cortes meio rápidos, uma edição um pouco mais dinâmica, mas tudo sendo trabalhado de uma forma mais crua. É mais conseguir mostrar a essência, tentar transmitir um pouco  do que a pessoa estava passando, sentindo – tentar passar um pouco dessa emoção.

O que vocês não fazem?
Nada. A gente topa qualquer desafio. Tudo o que chega hoje eu recebo, sento e discuto com a equipe uma forma de fazer, de atender o cliente. Lógico, trabalhando dentro de um orçamento que seja coerente. Pelos equipamentos que a gente usa, tem um valor que é um pouco elevado [em relação a] outros produtores independentes, por exemplo.

As pessoas entendem esse valor?
Essa profissão é um pouco difícil por causa disso. A pessoa comprou uma câmera, sentou na frente do computador e acha que tem uma produtora. Aí, uma produtora que tem funcionário, que paga impostos, começa a competir com uma pessoa que trabalha em casa. Se você não mostrar um pouco desse diferencial para o cliente, ele vai falar não. Essa é a nossa grande dificuldade: mostrar para os clientes que a gente tem uma qualidade que é um pouco acima. A gente investe em equipamentos, faz uma pesquisa semanal de tendências e referências…

E já passaram algum perrengue?
Ano passado, quebraram o vidro do meu carro, levaram a mochila com uma câmera, a mais cara, custava R$ 15 mil. Estava indo para um gravação, inclusive, parei na frente de uma papelaria, juro, por sete minutos. Foi suficiente pra levarem a mochila. Fiquei arrasado! Fui pra gravação (dava pra gravar com as outras câmeras que ficaram) e, no mesmo dia, soube por uma amiga que estavam tentando vender a câmera em Colombo [Região Metropolitana de Curitiba]. No outro dia cedo, segundo dia de gravação, fui até o local e comprei a minha câmera de novo por R$ 2.500 (risos).

Não tinha como reaver sem pagar?
Tinha. Eu podia chegar lá com a polícia, mas eles sabiam o meu nome, o nome da produtora (saiu uma matéria na internet sobre o furto)… Até porque o que está gravado no cartão é muito mais importante que o equipamento, imagina!

Fazer casamento, então, nem pensar?
A gente já fez três, inclusive o da Alexia [Taques] e da Chica Aciolly. Mas a gente não faz mais hoje por causa disso. É um nervosismo que a gente passa na hora… A noiva não fala, mas deixa bem claro: se der uma cagada no vídeo ela vai acabar com a sua vida (risos).

 

Como foi trabalhar com o ALOK por seis meses? A música é um objetivo?
Por ter nascido na música [a produtora surgiu enquanto ele estava na Dance Paradise], a gente sempre teve esse lado muito forte de acompanhar DJ, fazer festival… Ficamos seis meses acompanhando o Alok direto, com a equipe dele, todo fim de semana. Era muito corrido. Quatro, cinco shows por fim de semana. A gente viajava de quinta a segunda, editava de terça a quinta e já viajava. Moramos com ele por um mês na China… Nessa hora eu vi que a produtora estava indo para um lado que era ficar refém, dependente de um cliente só – algo que eu não queria. Mas foi uma experiência bem legal. Gravamos o VillaMix Goiânia em 2018 – 60 mil pessoas em cada dia… Então, foi um processo natural [trabalhar mais com música]. Ao mesmo tempo começou a surgir trabalhos na publicidade, fashion films, uma coisa que a gente não fazia, videoclipe, e a gente viu que esse lado também era legal e muito enriquecedor. Por isso a Catalunya é uma produtora tão eclética. Hoje, a gente trabalha com praticamente todas as agências de publicidade de Curitiba. Somos da onda do “vamos trabalhar”: por mais que possa parecer simples o trabalho, sempre tem uma experiência que vai te abrir a cabeça para outro trabalho. Quem trabalha com criatividade tem que abrir a cabeça, se ficar parada…

O que gostaria de fazer pela Catalunya?
De segmentos eu meio que atendo quase tudo, já experimentei todos. Todo ano a gente grava projetos pessoais. Vai para algum lugar fora do país e grava o vídeo… São projetos pessoais em que a gente tenta usar um pouco a criatividade, fazer mais do nosso jeito. Talvez expandir essa coisa do internacional, fazer mais coisas fora, seja um desejo.

Sua equipe tem pessoas de 20, 24 e 35 anos… Qual a vantagem de ter uma equipe tão nova?
Não ter medo. Isso faz a diferença. Meu irmão tem 20 anos e trabalha comigo. Foi em uma gravação comigo e falou: “vou trancar o curso de Cinema. Hoje aprendi mais do que no curso inteiro”. Na prática, a pessoa aprende muito mais. Se você quer fazer, comece a fazer.

Fora da Catalunya, o que você gosta de fazer?
Eu saio muito a trabalho. É trabalho o tempo inteiro (risos). O +55 é um lugar que tenho frequentado bastante, que gosto. Mas curto muito assistir a série em casa…  Viajo bastante, gosto muito de conhecer lugares, a arquitetura, fotografia, tudo inspira. Quando eu quero dar uma descansada, uma renovada nas energias, eu viajo.

Seu público é um público mais A?
Sim. Até porque se torna um produto caro. Eu não vou usar a câmera simples. Vou correr o risco de levar a câmera boa porque eu sei o resultado que isso vai me trazer depois. E, por incrível que pareça, eu nunca precisei ir atrás de cliente.

A que atribui isso?
Não sei, é um ciclo que se forma. Lógico, a gente tem uma taxa de retorno gigantesca, quem já fez um vídeo com a gente provavelmente, se precisar de um novo vídeo, vai lembrar da Catalunya. E isso se torna um ciclo, uma mídia espontânea.

Quais os planos para 2019? Podemos adiantar alguns projetos?
Tem mais uma ação pra HughesNet que vai ser bem legal… Vamos soltar mais uns três materiais que a gente fez pra Volvo. Vamos fazer um vídeo-manifesto pro André Nacli, da IDEE Incorporadora, o Edifício Dsenho… Eu tô gostando muito da publicidade, esse nosso contato com as agências está criando uma troca de experiências bem legal. Estão vindo roteiros bem criativos, a gente gosta muito disso, sair da zona de conforto e fazer algo que ninguém acreditou que a gente faria, tipo isso da plantação. São desafios que a gente gosta. É a publicidade sendo tratada da forma como tem que ser, deixando a pessoa na dúvida se é real ou não.

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