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Principal feira internacional de joalheria contemporânea ganha 2ª edição virtual

Brazil Jewerly Week vai reunir 70 artistas de oito países da região e da Europa

Após o sucesso da primeira edição, o maior evento exclusivamente dedicado à joalheria contemporânea da América Latina será realizado em dezembro. A Brazil Jewelry Week reúne artistas contemporâneos da região a fim de propagar, fortalecer e consagrar o potencial criativo desses joalheiros, criando diálogos experimentais para renovar e reinventar técnicas, conceitos e materiais. A segunda edição será mais extensa, com 20 dias de duração, e realizada por meio de plataforma 100% digital e interativa entre os dias 03 e 22 de dezembro.

Brazil Jewelry Week deve receber milhares de visitantes nesta edição. Além de artistas do Brasil, que conta com 29 representantes, marcam presença joalheiros contemporâneos da Argentina (9), Chile (11), Colômbia (11) e México (5), além de artistas da Espanha (1), Portugal (3) e Itália (1).

A feira acontece em um momento oportuno, já que o mercado da arte está cada vez mais plural e diversificado, abrindo espaço para a inclusão de uma técnica artística tão fascinante quanto as demais. Com mais de 60 anos, a joalheria autoral conta com dezenas de feiras espalhadas pelo mundo, espaço privilegiado na coleção dos melhores museus, além de mais de 200 galerias especializadas.

As vendas do varejo nacional de joias atingiram R$ 12,6 bilhões em 2018, número que pode chegar a R﹩ 13 bilhões até 2023. Foi o que apontou pesquisa do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) realizada, em 2018, pelo Núcleo de Inteligência Competitiva (NIC) em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. Mundialmente, segundo relatório da McKinsey Global Institute, as vendas anuais do setor podem chegar a US﹩ 250 bilhões já ao final de 2020.

Além da exposição de uma seleção especial de joias contemporâneas, que poderão ser adquiridas, o evento reunirá palestras, workshops e performances transmitidas ao vivo e gratuitamente. Dentre as novidades está a possibilidade do público estreitar o relacionamento com os artistas por meio de ferramenta que permite o contato direto com cada joalheiro.

“A Brazil Jewelry Week nasceu para inspirar novas experiências comportamentais e estéticas do ato de se adornar, a joia arte é uma potência que adorna corpos por dentro e por fora”, destaca Chrissie Barban, joalheira brasileira e idealizadora do evento. Além de colocar o Brasil no centro da joalheria contemporânea da América Latina, a feira pretende aproximar o público desse segmento da arte que dialoga por meio do corpo.

Desde o início, a Brazil Jewelry Week conta com a curadoria de Miriam Mirna Korolkovas, um dos maiores nomes da joalheria contemporânea nacional, que seleciona os melhores artistas brasileiros e estrangeiros para exibir suas produções mais recentes no campo da joalheria autoral, as chamadas wearable art, ou obras de arte vestíveis na tradução livre. A próxima edição terá como tema “in-corporar a obra”, abordando a relação entre corpo e peça. “Artistas joalheiros alertam, contestam, inventam por meio das suas joias, permitindo que suas expressões surpreendam nesses tempos embaçados pelo que atravessamos”, comenta Miriam.

Ao lado dela está o mexicano Jorge Manilla, um dos principais nomes da joalheria contemporânea mundial, que foi convidado para ser o embaixador do evento. Atualmente na Noruega, onde desde 2017 é professor na Academia Nacional de Arte de Oslo, Manilla tem peças espalhadas por diversos museus, coleções e fundações privadas em todo o mundo.

A curadoria de ambos selecionou joalheiros que se expressem de forma original e ao mesmo tempo pessoal, artistas preocupados em desafiar contextos e ideias, muitas delas ligadas a conceitos ultrapassados que não enquadram a joia como arte. Além de reunir e celebrar a joalheria contemporânea, a Brazil Jewelry Week possibilita reconhecer os artistas que constroem uma identidade e intensificar o relacionamento com suas cadeias e com o consumidor, desenvolvendo ainda novos mercados, sobretudo internacional.

Estudo do IBGM com a Ayr Consulting, divulgado em 2014, mostra que, dentre os seis perfis do consumidor de joias no Brasil, um dos mais ativos é o chamado “renew“, aquele de perfil informal e descontraído que procura por joias versáteis, variadas e que representem a sua própria individualidade.

“É cada vez maior a necessidade de expressão individual em uma sociedade globalizada e padronizada, sobretudo pela moda produzida em série. A joalheria contemporânea preconiza, antes de tudo, o artista atento às verdades internas de suas concepções, o joalheiro que sonha em profundidade, que mostra emoções contidas nas obras que desvela”, ressalta Chrissie. “Após uma pandemia como essa que vivenciamos, o consumo deve ficar cada vez mais consciente, ampliando a demanda por produtos autorais e elaborados a partir de técnicas e matérias-primas mais responsáveis sob os aspectos ambiental e social”, completa.

Ao final de cada edição, é lançado um livro especial com o registro dos artistas e suas criações. O livro digital da edição de 2019 será lançado durante o evento deste ano.

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