FASHION MODA

SPFW N53: Bold Strap leva cultura leather e motovelocidade com Marina Sena e Camila Queiroz

A estética motorcycle, a anatomia de diferentes corpos como protagonista e o calor do fetishcore: essa é a essência da nova coleção da Bold Strap — marca orgulhosamente queer, que celebra a diversidade e a sensualidade ao mesmo passo que brinca com os limites entre feminino e masculino. Encarregada de encerrar o primeiro dia de desfiles do SPFW N53, a grife estreou no formato físico da semana de moda, com um casting que contou com a atriz Camila Queiroz e a cantora Marina Sena para apresentar peças que resgatam a história queer e realçam a cultura leather e o universo da motovelocidade. 

O período pós-guerra é o ponto de partida para o imaginário criado pela Bold Strap, já que a época se tornou palco do surgimento da cultura leather. Mas a hipermasculinidade, que se traduzia nos uniformes de motociclistas usados por veteranos, encontra a disrupção inerente ao DNA da etiqueta e incorpora códigos comumente associados à feminilidade, como corseteria e lingerie.

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“A gente partiu da imaginação de cenas contemporâneas que dialogam bem com essas estética: uma mergulho em uma noite de muito techno, onde você conhece alguém e, depois da festa, sobe na moto dessa pessoa pra sair por aí sem destino. Tudo gira em torno desse passeio, de como esses corpos se movimentam nessa moto”, comenta Peu Andrade, idealizador e diretor criativo da marca. Na coleção, a observação da anatomia dos corpos se traduz em shapes que dão novos contornos à silhueta com elementos visuais da motovelocidade.

Modelo e influenciadora Letticia Munniz integra. o casting da Bold Strap. (Foto: Fred Othero)

A sensualidade, que a marca destaca em sua descrição, também se faz presente em cada peça — criadas a partir de matérias-primas como o couro, plumas, tule e lurex. Essa característica, inclusive, é uma das principais responsáveis por borrar os limites entre gêneros binários. Pela primeira vez apresentando peças ditas femininas, a Bold Strap aproxima ainda mais a estética entre gêneros e, assim, cria um movimento em que se apropria dessa classificação binária para quebrá-la de dentro. 

São oito famílias de peças, que passeiam por elementos que acenam para tendências expressivas, mas que são parte inerente da autenticidade dos desenhos da grife. O fetishcore da Bold Strap ainda recorre a detalhes que remetem a amarrações, fazendo alusão à volúpia do bondage, prática de BDSM, que são reforçadas por luvas de látex. 

(Foto: Fred Othero)

Sob as influências da motovelocidade, a coleção ecoa uma linguagem que transita entre o underground e a cultura pop — o disco Motomami, da cantora Rosalia, por exemplo, marcou presença nas inspirações da marca para caminhar por várias nuances dos visuais que esse universo abraça. Indo da estética ciclista aos adereços de segurança usados em corridas de alta velocidade, a etiqueta apresenta composições de looks mais robustos, que agregam volume ao brincar com a silhueta, e outros que ressaltam a anatomia do próprio corpo como protagonista. Todos os visuais são complementados por óculos da marca Rebelião Glass.

“Observei as formas das roupas de motocross, motorcycling e todos os signos de masculinidades que isso já carrega e tentei quebrar isso, borrar os limites do gênero é uma proposta da marca e eu quis realizar essa quebra manipulando as formas e signos masculinos da estética motorcycle e motocross, formas que regem a masculinidade. A ideia da coleção é brincar com o gênero e essas formas, que são quase armaduras, foram torcidas a ponto de virar um corset, um símbolo da feminilidade. Propiciando, então, a mistura entre o masculino e o feminino. Portanto, a corseteria atravessa a coleção como um todo”, diz o diretor criativo da marca. 

(Foto: Fred Othero)

Na beleza, a marca também não deixou a desejar. Refletindo um mix de inspirações grunge, futurista e underground, a make é assinada por William Cruzesbeauty artist que já trabalhou com nomes como Chameleo, Carol Biazin e Esse Menino. “Trazemos uma referência underground dos anos 90, heroin chic, em uma versão atualizada com pele leve e fresca, hidratada e corrigida pontualmente, com contornos naturais acentuados e um corpo iluminado e sensual. A nossa celebração é sobre corpos e liberdade pessoal”, comenta William.

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