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Feito para causar

Um marco na história do mundo e uma das invenções mais importantes da moda, o biquíni carrega em sua bagagem uma revolução que ecoa até os dias de...

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(R)evolução do Biquíni:

Anos 1940 

• Invenção do biquíni, em Paris, em julho de 1946, por Louis Réard.
• O nome biquíni é uma homenagem ao primeiro teste nuclear realizado pelos EUA, no Atol de Bikini.
• A expectativa era que o ousado conjunto de duas peças fosse tão explosivo quanto uma bomba atômica.

Anos 1950

• A sociedade não estava preparada para peças tão pequenas e o uso do biquíni foi proibido em vários países, como França, Bélgica e Itália.
• Brigitte Bardot, Elizabeth Taylor e Grace Kelly romperam tabus usando as peças em filmes e ensaios fotográficos.
• No Brasil, o traje chega no final da década e é usado por vedetes.

Anos 1960

• Jânio Quadros, presidente da República, não demorou a proibir o uso das peças em praias e piscinas de todo o Brasil.
• As peças começaram a ficar ainda mais curtas e o biquíni brasileiro passou a invadir as praias de todo o país.

Anos 1970

• A atriz Leila Diniz foi criticada por ser muito ousada, pois posou de biquíni mostrando a barriga de seis meses de gravidez, no Rio de Janeiro. • O modelo “tanga”, com a calcinha mais cavada e a cintura baixa, é inventado.

Anos 1980

• O Rio de Janeiro se torna uma vitrine para o universo da moda de praia.
• Surgem os modelos “enroladinho”, “asa-delta” e o “fio-dental”.

Anos 1990

• A moda de praia foi repensada devido à preocupação sobre os efeitos nocivos provocados na pele humana pela exposição aos raios do sol.
• Chapéus, saídas de praias e óculos passam a fazer parte do vestuário praiano.

Anos 2000

• O “brazilian bikini” ganha o mundo, com seu estilo único e atrevido.
• A tecnologia está cada vez mais incorporada nesse vestuário, com tecidos ultrainteligentes.


Desde sua criação em 1946, em Paris, pelas mãos de Louis Réard, o biquíni tinha como objetivo chamar a atenção, tanto por ser a menor peça de vestuário do mundo como para impressionar as pessoas com a mesma proporção do efeito de uma bomba atômica. Nascido no final da Segunda Guerra Mundial, foi batizado com esse nome por conta do primeiro teste nuclear comandado pelos Estados Unidos, no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall.

A professora do curso de Design da PUCPR Taísa Vieira Sena lembra que a sociedade não estava preparada para o tamanho do biquíni nos anos 1950, o Papa Pio XII declarou o traje como pecaminoso. Contudo, isso não impediu que a peça continuasse sendo usada em fotografias publicitárias e filmes. “A cena da atriz Ursula Andress surgindo das ondas com um biquíni branco em 007 Contra o Satânico Dr. No, nos anos 1960, e a atriz brasileira Leila Diniz esfregando seu barrigão de oito meses de gravidez usando um biquíni na Praia de Ipanema nos anos 1970 são exemplos de como o biquíni sempre esteve presente para romper paradigmas e padrões já impostos”, conta Taísa.

Com 72 anos, o vestuário ganha cada vez mais novos espaços e significados. Tiane Félix é influenciadora digital e modelo plus size. Sua relação com seu corpo mudou quando ela percebeu que trocar os maiôs – que não a deixavam confortáveis – por biquínis seria uma forma de começar a amar e aceitar suas formas. “Eu lembro de me questionar por que não postar uma foto minha de biquíni nas minhas redes sociais. Um dia, eu simplesmente postei e entendi que não adianta esconder. É preciso mostrar para normalizar”, comenta Tiane.

Nesse sentido, Maria Antônia Paschoal, cofundadora da marca Leninha Roupa de Baixo, aposta em modelos confortáveis que façam as mulheres se sentirem livres, pois entende que o grande objetivo de sua marca é contar histórias que antes poderiam deixar de ser vividas ou narradas porque a protagonista deixava de viver experiências por não ter uma roupa de banho adequada para que ela se sentisse confortável. “Nossa principal premissa é: precisa funcionar para quem veste 36 e para quem veste 54. Se isso não acontece, a peça é descartada. Nosso objetivo é trazer segurança e conforto para as mulheres”, explica a empreendedora.

No decorrer da história da moda, é possível ver que todo movimento da sociedade se reflete nela. “Com o uso do biquíni, não é diferente, pois, a partir do momento em que a mulher se sente mais segura e mais dona de si, ela também se sente mais livre para usar o que ela quer na praia – e isso representa um discurso de poder sobre o seu próprio corpo”, finaliza Taísa.

*Matéria originalmente publicada na edição #244 da revista TOPVIEW.

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