FASHION

Artigo: Moda sustentável e empreendedorismo

Leia o artigo escrito por Ana Carolina de Camargo Clève

Mulheres inovadoras colocam prioridade em pautas de liderança feminina ao mesmo tempo em que geram efeitos práticos no seu entorno. É o caso de profissionais que, ao desenvolverem projetos para ampliar a acessibilidade a peças de roupas, acabaram influenciando no controle do consumo desenfreado, na democratização da moda e em ações voltadas à proteção do meio-ambiente. Na condição de advogada que adora transitar entre o direito, a moda e a política e que tem como pauta a ascensão das mulheres nos mais diversos espaços de poder, escrevo este artigo como homenagem às mulheres que, no mercado da moda, souberam transformar o difícil cenário em oportunidade.

Recentemente afirmei aqui na TOPVIEW que não há como falar de moda isoladamente, porquanto ela representa ação, atitude, empreendedorismo, comportamento e muito mais. O diálogo desse segmento com outros relevantes campos do conhecimento é constante. Não à toa, as diversas contingências do mundo e da vida influenciam na evolução do mercado da moda – que a todo tempo está a se reinventar.

No presente artigo, explico esse fenômeno tratando de dois temas objeto de preocupação global: moda sustentável e empreendedorismo feminino. Até porque, considerando que a moda também funciona como instrumento de afirmação de relevantes pautas, parto desse viés para mostrar – por meio de dois exemplos relacionados aos temas acima indicados – como o mercado da moda tem se transformado.

Atualmente, sabe-se que o meio-ambiente reclama proteção. Ações visando a preservação dos recursos naturais e uma gestão consciente dos resíduos sólidos são pensadas pelo mundo todo. Empresas têm se preocupado cada vez mais com o desenvolvimento de estratégias visando a redução dos impactos socioambientais. Só no Brasil, gera-se aproximadamente 175.000 toneladas de resíduos têxteis no ciclo pré- consumo, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit)

No segmento da moda, a necessária atenção para o desenvolvimento sustentável, bem como a exigência de inovação que esse contexto impõe funcionaram como guia para o tino empreendedor de mulheres curitibanas.

Exemplo extremamente bem-sucedido de moda sustentável e que – sem dúvidas – trata-se de empreendimento que marca a transformação desse mercado é a empresa TROC –startup de moda circular considerada o maior brechó on-line do Brasil. A exitosa experiência da jovem empresária Luanna Toniolo Domakoski (co-fundadora e CEO da empresa) consagra a tese de que a moda corresponde a relevante espaço de transformação e evolução: com o olhar voltado ao novo contexto, a empresária apostou na inovação e mostrou a capacidade e competência feminina ao conquistar espaço de liderança no segmento da moda. Vale dizer que, para além do exemplo pelo sucesso na trajetória, a empresária possui importante papel social ao incentivar outras mulheres no desenvolvimento profissional.

Ainda, outro interessante exemplo de empreendimento que contribui para a moda sustentável e foi idealizado por mulheres é a empresa Use – clothes for us , das empresárias Caroline Regio e Lorena Schluga. A Use – localizada em Curitiba – funciona como closet compartilhado. Estimulando o consumo consciente, a partir de acervo de roupas casuais as clientes compram pacotes para o aluguel de determinado números de peças por semana. Além da Use – clothes for us, as empresárias recém inauguraram a Use Brand, que se trata de confecção própria através de tecidos gerados pela indústria têxtil e não aproveitados.

Os exemplos citados são a demonstração da possibilidade de uma combinação virtuosa de três elementos aparentemente contraditórios: o constante lançamentos de novas tendências (que implicam na necessidade de geração de novas roupas); o equilíbrio de padrões de consumo e a consciência em relação à sustentabilidade.

*Escrito por Ana Carolina de Camargo Clève, advogada, presidente do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral (Iprade) e pós graduanda em Fashion Law

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