Maria Dolores: a designer cheia de graça

Maria Dolores: a designer cheia de graça

A curitibana comemora a abertura da sua primeira loja fora do Brasil e mostra por que é considerada modelo da sua própria marca

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Ela poderia ser só mais uma entre as mais de 11 milhões de Marias do Brasil. Mas não é. Há oito anos, a curitibana Maria Dolores Gasparin emprestou seu nome à marca de acessórios finos da qual é proprietária e, hoje, comemora o sucesso do seu negócio com a inauguração da primeira loja internacional, na Carrer del Consell de Cent, ao lado do Paseo de Gracia, um dos pontos mais nobres de Barcelona, na Espanha.

Agora, são nove lojas: três em Curitiba, uma em São Paulo, Maringá, Goiânia, Brasília e Vitória. Quatro delas são próprias e cinco, franqueadas – isso sem contar as 68 revendedoras autorizadas pelo Brasil (incluindo virtuais como Gallerist e Shop2Gether).

Nascida em Curitiba e formada em Desenho Industrial pela UFPR, Maria Dolores trabalhou quatro anos na Bergerson – uma das maiores joalherias deo país –, “onde me apaixonei perdidamente pelo mundo das joias”, estudou joalheria contemporânea em Florença, na Itália, e voltou ao Brasil com o desejo de criar uma grife em que pudesse mostrar sua arte, suas referências de cores e formas vindas de artistas como Frida Kahlo, Gustav Klimt e Pablo Picasso.

Assim surgiu a primeira loja, no Shopping Crystal, em 2008. A combinação de um design original e contemporâneo e, ainda assim, elegante e ultrassofisticado, em paralelo com a mistura inusitada – e altamente equilibrada – de materiais como madeira, pedras nacionais e cordas talvez seja o segredo do sucesso de Maria Dolores.

Com esse trabalho, a designer de 36 anos elevou o status da bijuteria e caiu no gosto de blogueiras de moda e fashionistas como Lalá Noleto, Fernanda Lima, Deborah Secco, Marina Ruy Barbosa, Taila Ayala, Juliana Paes e Alice Ferraz que, em agosto do ano passado, no lançamento do F*Hits Fashion Day, no ParkShoppingBarigüi, usava um anel da curitibana e declarou: “estou encantada com estas peças”.

De Barcelona, a designer conversou com a Top View sobre a nova loja e também falou da relação que mantém com Curitiba, onde vive com o marido e o casal de filhos.

Brincos – R$359.
Anel – R$302.

TOP VIEW: Como sua marca foi parar em Barcelona?

Maria Dolores: Estávamos querendo expandir para o exterior, levar o design brasileiro para fora e, nesse meio tempo, fomos procurados por uma pessoa [a empresária Manuelli Mendes] que queria levar a  marca para a Espanha. Ela é brasileira e mora por lá há 12 anos. Conheceu minha marca por meio de uma amiga e se encantou.

No final de 2015 nos conhecemos em Paris, quando eu estava participando de uma feira, e lá mesmo começamos a planejar esse novo passo. Formatamos a franquia internacional e depois foi questão de tempo para o projeto da loja se concretizar. Temos uma estrutura na nossa matriz que atende a gestão a distância. Deu tudo certo, a loja está linda, é bem localizada e tem tudo para conquistar as europeias.

TV: A loja de lá tem alguma diferença das brasileiras?

MD: Não. Todas seguem um padrão, tanto de produto e processos como até mesmo de layout.

TV: São mais de 20 coleções lançadas. Tem alguma que é sua favorita?

MD: Toda coleção que lanço se torna minha preferida (risos), mas admito que tenho um xodó pela U-rock [lançada em abril de 2015]. Foi a mais desafiadora para mim.

TV: E sobre Curitiba, qual a sua relação com a cidade? Quais lembranças tem daqui?

MD: Amo minha cidade. Sinto-me prestigiada e fico muito feliz de ter começado aqui, onde meu trabalho foi bem acolhido. Lembro-me da infância, os sábados com minha família no Passeio Público. Na adolescência, os shows incríveis na Pedreira Paulo Leminski. Já na faculdade, andar muito a pé pelo Centro… Agora, com filhos, as manhãs no Parque Barigüi, os encontros com amigas ou rápidas reuniões em algum dos muitos e deliciosos cafés que a cidade oferece.

TV: Tem algum lugar preferido?

MD: Adoro a Rua XV! Amo ver as pessoas indo e vindo, aquela rua comprida cheia de surpresas e cores. Por muitos anos andei por lá, pois trabalhava perto. Comprava por lá o material que eu usava para fazer as bijuterias que eu mesma confeccionava. Faz parte de um período bem especial da minha vida.

TV: De alguma forma a cidade influenciou ou reflete o seu trabalho?

MD: Desde muito novinha eu estive envolvida com a arte. Quando criança, minha mãe percebeu que eu levava jeito para isso e me matriculou em cursos de pintura. Foi quando tive meu primeiro contato com a arte local. Foi bacana iniciar meu trabalho aprendendo sobre Poty Lazzaroto, Alfredo Andersen, Theodoro De Bona… Com certeza todo esse conhecimento adquirido, desde muito nova, acentuou minha sensibilidade à arte e o desejo de materializar meus sonhos por meio dela.

TV: E em um típico dia chuvoso curitibano, quais seus hobbies?

MD: Quando não estou trabalhando, estou com meus filhos. Meu maior hobby é estar com eles, fazer algum programa com eles, viajar, passear, ficar de grude (risos). Amo filmes, cinema é uma paixão, pena que não tem dado tempo. Também gosto do canal GNT e de algumas séries do Netflix. Estou lendo Grande Magia, de Elizabeth Gilbert [autora de Comer, Rezar, Amar], onde ela fala sobre viver criativamente. E amo ouvir cantoras inglesas como Adele, Joss Stone, Florence Welch e Amy Whinehouse.

Acima, a 9a loja da marca curitibana, instalada em um dos pontos mais nobres de Barcelona. Ao lado, a coleção mais recente da designer, Precious, que homenageia a mulher cosmopolita e multifacetada. Cada peça custa em média R$ 250.

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