Uma viagem pelo Caribe amazônico, por Sérgio Wesley

Caribe amazônico? Conheça as praias de água doce mais bonitas do mundo

Praias de água doce, florestas e carimbó – a alquimia de Alter do Chão (PA) conquista cada vez mais turistas de todo o mundo

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No início desta década, o jornal inglês The Guardian apontou Alter do Chão como um dos dez lugares com as praias mais bonitas do Brasil e o lugar com praias de água doce mais bonito do mundo. A partir daí, a pequena vila do município de Santarém, no oeste do Pará, passou a ser conhecida como a
Caribe da Amazônia e, a cada ano, atrai um número maior de turistas brasileiros e estrangeiros.

Na virada deste ano, por exemplo, uma das festas organizadas em Alter do Chão, na exclusiva Ponta do Cururu, uma pequena praia às margens do rio Tapajós, aonde só se chega de barco, encabeçou a lista das melhores festas de Réveillon do Brasil, feita pelo site Hypeness.

Uma dica é terminar o dia em uma das muitas praias para apreciar o lindo pôr do sol.
Para organizar a agenda de passeios e atividades, contrate um barqueiro já no primeiro dia.

Apesar de tanta fama, ainda hoje, quando alguém fala que vai ou foi para Alter do Chão, tem sempre um que pergunta: o quê? Onde fica isso?

Outro ritmo e muitos passeios

Para se chegar a Alter do Chão, é preciso disposição para voar até Santarém, sempre com muitas escalas e conexões. Chegando lá, o ideal é alugar um carro para percorrer os 32 quilômetros que separam o aeroporto do centro da vila. Uma dica para quem trocar o barco pelo carro para conhecer alguns pontos turísticos da região é alugar um veículo alto e mais robusto.

Chegando lá, o visitante logo descobre que a vida em Alter do Chão tem outro ritmo, regido pelas águas do rio Tapajós. Dependendo da operadora, o celular pode ficar dias sem sinal. Tem internet pública na praça central, que, em dias de grande movimento, não dá conta de atender a todas as conexões. Então, o melhor é deixar o celular igualmente de férias e curtir as belezas da natureza na região.

“Chegando lá, o visitante logo descobre que a vida em Alter do Chão tem outro ritmo.”

Para organizar melhor a agenda, contrate um barqueiro já no primeiro dia. Combine com ele os dias, horários e passeios que quer fazer. São muitas as opções, mas três lideram as listas dos melhores: Flona Jamaraqua, com trilha na Floresta Nacional do Tapajós; o passeio pelo rio Arapiuns, com visita às comunidades Coróca e Caracaraí; e o passeio pelo Jari, um canal do rio Amazonas, rico em vida animal.

Na Flona, o visitante percorre uma trilha de nove quilômetros dentro da Floresta Nacional do Tapajós, conhece o tucuman, cuja palha é usada na construção de moradias e no artesanato, aprende como se extrai o látex da seringueira e como a comunidade local o transforma em biojoias e acessórios e coloca a mão em cima de um formigueiro das formigas taxi para esfregá-las rapidamente, pois, ao serem esmagadas, exalam um cheiro que serve de repelente na mata. Nessa trilha, é possível mergulhar em um dos mais cristalinos e belos igarapés da região, com água fria para relaxar o corpo da longa caminhada.

A imensidão dos rios impressiona qualquer visitante. É literalmente um mar de água doce. Isso fica ainda mais evidente durante o passeio pelo rio Arapiuns, afluente do Tapajós. A travessia de lancha rende bons banhos aos tripulantes, com a água que se espalha com as batidas do casco da embarcação no leito do rio. Mas vale a pena. Nesse passeio, deve-se estar preparado com dinheiro para comprar muito artesanato de palha de tucuman com pintura natural. São potes, mandalas, descansos de pratos, chapéus e muitos outros itens a preços melhores que no centro da vila, que possui uma grande loja com todo tipo de artesanato indígena.

A visita ao canal do Jari é uma outra experiência marcante, com passagem por uma fazenda de vitórias-régias, trilha com a presença de macacos e bicho-preguiça e um mergulho no Lago Negro do Itapari, que de negro só tem o nome.

Para curtir Alter do Chão, indica-se as praias de Cajueiro, Pintobal, Ponta das Pedras ou Ilha do Amor.

Seja qual for o passeio escolhido, o visitante deve sempre terminar o dia em uma das muitas praias de Alter do Chão para apreciar o lindo pôr do sol. Pode ser na Ponta do Cururu ou nas praias do Cajueiro, Pintobal, Ponta das Pedras ou Ilha do Amor.

 

Quando o sol de despede, é hora de explorar a gastronomia da cidade e dançar o carimbó. A culinária regional é dominada pelos peixes amazônicos: tucunaré, pirarucu, filhote e tambaqui. Tem também o pato no tucupi, que é uma iguaria da região, com folha de jambu. Para quem for passar muitos dias e quiser variar o cardápio, as opções são mais restritas, mas há quem sirva hambúrguer e pizza. Os melhores lugares para se comer são a Casa do Saulo, Ty Comedoria e Bar, Farol da Ilha, Arco-Íris da Amazônia e Restaurante Do Italiano. E o dia só termina (ou começa) no Espaço Alter do Chão, com muito carimbó.

Existem muitas pousadas e alguns hotéis em Alter do Chão, mas a dica para entrar no clima verdadeiro do lugar é alugar uma casa, de preferência mais distante do centro, perto de um igarapé, onde você possa fazer o seu passeio particular e exclusivo. Alter do Chão, como disse, tem outro ritmo… 

Por Sérgio Wesley.

Matéria publicada originalmente na edição 220.

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