TOP Talk especial Jazz apresenta Paul Wegmann – TOPVIEW

TOP Talk especial Jazz apresenta Paul Wegmann

O músico e compositor Paul Wegmann fala de sua relação com o jazz e da valorização da criação frente à reprodução e à convenção

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O guitarrista Paul Wegmann: "O futuro poderia ser o agora, se os músicos fossemos mais apegados à criação que à reprodução." (Foto: Divulgação)

A relação do guitarrista e compositor Paul Wegmann com o mundo musical vem de casa. Seu pai sempre foi um grande entusiasta da música. “Foi assim que conheci Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Frank Sinatra, Miles Davis, etc.”, conta Wegmann. Primeiro, ele se encantou pelo rock, gênero que se aprofundou durante a adolescência. E ele se manteve exclusivo ao gênero até se encontrar no Jazz, quando estou em Tatuí (São Paulo).

Wegmann deu uma pausa, atualmente, na guitarra, para se dedicar à composição de música eletroacústica – mas pode ser visto em apresentações ocasionais, como um eterno apaixonado pela música.

TOP Talk especial Jazz apresenta Paul Wegmann

Último e melhor concerto de Jazz: é difícil, em arte, qualificar algo como melhor ou pior – mais ainda tratando-se de um gênero em que há vozes tão prolixas. Mas um concerto que inclusive se encontra disponível em YouTube, é o de Wayne Shorter, Herbie Hancock, Brian Blade e Dave Holland. É uma das performances mais lindas que tenho visto por aí no mundo do jazz.

Um Instrumento: a despeito de ser guitarrista, adoro o som do saxofone. Creio que o prazer de tocar com guitarra distorcida vem um pouco de querer imitar, de alguma forma, a aspereza do som do sax.

Artista que queria conhecer: sempre quis tomar cerveja com os integrantes de Iron Maiden.

Maior inspiração: amigos reunidos em volta do fogo. O som em si mesmo, sem preconceito. Artistas que, além de ter nos deixado um legado artístico considerável, colocaram seus pensamentos em livros e artigos. Entre os jazzistas, destaco dois: John Coltrane e Allan Holdsworth. Acrescento o grandíssimo Nelson Veras. Se nunca ouviu, ouça!

Um lugar para curtir um bom jazz: em Curitiba, tem vários lugares onde é possível ouvir bons músicos de jazz. Entre eles, o Dizzy Café Concerto, o Purple Reis, O Pensador, na rua, no Caffeine, etc.

Jazz para você é: um grito de liberdade.

Música que está no repeat: estou ouvindo pouca música de outras pessoas. Ultimamente, estou trabalhando muito nas minhas próprias obras. Estou preparando um álbum de temas que são uma mistura de jazz com música eletrônica (industrial) e música eletroacústica. Tentando juntar esses três gêneros que gosto muito. Penso lançar esse trabalho no ano que vem.

O futuro do jazz é: é difícil reduzir o futuro de um gênero tão vasto e diverso. Não tenho uma resposta para isso, mas gostaria de fazer uma provocação: o futuro poderia ser o agora, se os músicos fôssemos mais apegados à criação que à reprodução.

Não pode faltar em um concerto: respeito com os músicos que estão tocando. Sinto que, para muita gente, a música tem uma função tão superficial, não passando de um simples pano de fundo para suas conversas. Nesse sentido, perde-se a essência da experiência de ir a um bar de jazz, posto que, se relegamos a música a mero fundo, não tem diferença alguma com ir a qualquer outro tipo de bar. Como músico, observo que ainda falta muita educação no público em matéria de música em geral, não apenas em relação ao jazz. Gostaria que as pessoas que decidem ir a um bar de jazz fossem para fruir da música que está sendo ali criada. Para fazer qualquer outra coisa existem muitos outros perfis de local.

Se não estivesse inserido no mundo da música seria: biólogo marinho, talvez.  

Por quais músicas recomenda que alguém comece a ouvir jazz? Recomendo muito ouvir ambas versões, cantadas e instrumentais, de uma mesma música. Assim é possível apreciar a interpretação por meio da sua diferenciação com outras, tocadas por outros músicos. Dessa maneira vai se criando um senso de forma musical, que no caso do jazz é a forma da canção. Essa é uma boa estratégia para entender melhor a música popular instrumental.

Músico preferido: o músico que não tem preconceito. O músico que, ao dedicar-se à arte de organizar sons, ama o som em primeiro lugar, antes que qualquer convenção. Esse é meu músico preferido.

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