ESTILO

Miniclássicos: negócio pra lá de criativo de Durval Magosso

Presente criativo para a filha faz sucesso em exposições e dá início a negócio rentável na produção de réplicas reduzidas de modelos famosos

Para o aniversário de 13 anos da filha Ana Claudia, o empresário Durval Magosso bolou uma daquelas surpresas que garantem simpatia eterna da maioria dos adolescentes. Ele produziu uma réplica – em escala 2/3 – de um clássico que rodou no Brasil de 1974 a 1990: o MP Lafer, conversível inspirado nos modelos da fábrica inglesa MG. Numa época de mercado fechado no país, era o suprassumo da esportividade.

O presente criativo de 2010 virou negócio rentável em 2012. Dono de quatro unidades em tamanho “oficial” e frequentador assíduo de exposições de carros antigos, o empresário passou a mostrar o mimo da filha. E o sucesso buzinou. “Perguntavam onde eu havia comprado, quem fabricava, se estava à venda…”, conta ele. Em setembro do ano passado nascia a Mini Carros Clássicos.

De lá para cá, o ritmo de produção foi de três unidades por mês em média. A maioria dos compradores vem de São Paulo. Dos 45 carros montados até agora, nove estão em Curitiba. O espírito inicial da brincadeira continua firme e forte. A maioria dos clientes, diz Magosso, é formada por pais atrás de presente para os filhos. “Onde existem condomínios de luxo, carros importados e a cultura por lazer, diversão e bem-estar fica muito evidente a colocação de nossos produtos”, avalia.

Os charmosos carrinhos exigem alguns cuidados. Eles se enquadram na categoria “brinquedo”, então não precisam de licenciamento nem de documentação. Mas não podem circular em via pública; só em áreas privadas. É a lei. Magosso ainda instala um controle de velocidade, que pode ser regulado entre 10 km/h e 55 km/h.

Hoje a empresa produz dois modelos: o Lafer e o Hot Rod baseado no Ford 1932 Hi-Boy – que custam R$ 19.500 e R$ 16.500, respectivamente. Outros quatro estão no forno: Escort XR3, F-100 1953, Jeep e Porsche. Todos clássicos. A linha de montagem segue o processo que o empresário chama de “artesanotecnologia”, que resulta numa série de detalhes que fazem a alegria dos fãs de carros antigos.

O Lafer, por exemplo, tem painel e volante em madeira, porta-luvas, capô traseiro com calota, capô dianteiro com a mira da marca, conjunto de faróis dianteiros e de milha, entre outras minúcias. Já os Hot Rods são moldados em uma peça única, com suspensão dianteira cromada, grade em aço inox, bancos em couro ecológico e pinturas personalizadas.

A buzina, com som de calhambeque antigo, e a regulagem dos pedais são iguais para os dois modelos. O receptáculo se ajusta para receber desde crianças até adultos de até 1,90 m.

A fábrica funciona com seis funcionários em um barracão de 500 m2 no Bairro Alto – tamanho que Magosso considera ideal para manter a aura de exclusividade dos minicarros. A empresa mantém dez unidades à pronta entrega. Os modelos encomendados levam 30 dias para serem produzidos. O motor é o mesmo utilizado em quadriciclos, com 125 cilindradas e três marchas, entrega uma potência de sete cavalos.

O esforço para achar um presente bacana não poderia ter dado mais certo.

*Coluna editada por Newton Gomes Rocha Jr., com reportagem de Daniel Batistella, e publicada originalmente na edição 159 da revista TOPVIEW.