No livro A Gorda, Isabela Figueiredo fala sobre obesidade e preconceito

Obesidade é mote de romance “engraçado-cruel” escrito por Isabela Figueiredo

A obesidade, para além de problemas de saúde, pode ser sinônimo de inseguranças e preconceito social. E é disso que fala Isabela Figueiredo neste livro

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No livro A Gorda, Maria Luísa dá sinais de se preocupar com sua saúde em alguns momentos. Em outros, ela sofre por causa da aparência. Como narradora da história, ela discorre sobre as inseguranças e dores de alguém que sofre de obesidade, da infância à vida adulta.

Logo no começo, ela diz ter feito uma gastrectomia e que esse foi o ponto de partida para perder 40 quilos. Sem esse “segundo corpo” que carregava consigo, ela passou a caminhar por quilômetros e a subir escadas por oito andares sem ficar ofegante (uma proeza mesmo para pessoas magras, considerando que nem todo mundo tem preparo físico para encarar esse tipo de exercício).
A vida dela muda muito, mas algumas coisas continuam as mesmas. “Ainda penso como gorda. Serei sempre uma gorda. Sei que o mundo das pessoas normais não é para mim. Continuo a ter o defeito, mas não se vê tanto; tornou-se menos grave”, diz Maria Luísa.

Se você procurar imagens da autora do livro, a moçambicana Isabela Figueiredo, na internet, vai descobrir que ela mesma já foi obesa. E que, assim como a personagem do livro, também fez uma operação do estômago e acabou perdendo 40 quilos.
Isabela chegou a afirmar em entrevistas que a experiência de ter sido gorda foi muito violenta. Ela se sentia “desamada”. Exatamente como sua personagem.

A médica Maria Edna de Melo, doutora em Endocrinologia pela Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), explica que, entre as piores coisas que podem acontecer a alguém obeso, estão a limitação física e o preconceito social.

Não é por acaso que Maria Luísa, no livro, sofre horrores nas mãos de outras pessoas — sendo chamada de “baleia” pelos coleguinhas de escola ou, mais tarde, abandonada pelo amor de sua vida.

As metáforas que a personagem usa para falar de si são perturbadoras. Ainda se referindo à cirurgia que reduziu o tamanho de seu estômago, ela diz: “Foi como se os médicos me tivessem separado de um gêmeo siamês que se suicidara de desgosto e me dissessem, no final, ‘fizemos o nosso trabalho, faça agora o seu e aguente-se. Aprenda a viver sozinha’”.

E há pessoas como a modelo Fluvia Lacerda, autora de Gorda Não é Palavrão, que agem em defesa daqueles que fogem aos padrões ditados pela sociedade. O subtítulo do livro diz: Como Ser Feliz Gostando do Seu Corpo Como Ele É. Porém, a médica Maria Edna de Melo argumenta que autoaceitação e o cuidado com o próprio corpo “devem andar sempre juntos”.
“Mesmo com exames e pressão arterial normais, os pacientes com obesidade vivem menos que os de peso normal. Assim, é importante manter o menor peso saudável possível sempre”, diz a médica.

É nesse ponto que pode surgir a pergunta: mas como? Maria Edna de Melo diz que, no caso de crianças, é preciso que a família inteira mude seu estilo de vida: aumente o consumo de vegetais e limite o consumo de alimentos industrializados, por exemplo.
Na vida adulta, mudar hábitos alimentares também é algo fundamental. “E reconhecer que, para isso, muitas vezes, faz-se necessário o uso de medicamentos, pois a fome dos pacientes com obesidade é diferente”, explica a médica.

Onde comprar o livro A Gorda

A Gorda
Isabela Figueiredo
Editora Todavia
208 págs.
Preço sugerido: R$ 49,90. À venda na Amazon, Fnac, Livraria da Travessa e Saraiva.

*Matéria publicada originalmente por Irinêo Netto na edição 210 da revista TOPVIEW.

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