ESTILO INOVAçãO & TECNOLOGIA

É urgente estar conectado, mas bom mesmo é desconectar

*por Lauriane Lindsey

O ano é 2022 e, se tem algo que é impossível neste momento, é ignorar os benefícios que a tecnologia trouxe para a humanidade. Melhorias na saúde, nas cidades e no planeta. O surgimento da tecnologia e, especificamente, da internet, fez com que a humanidade avançasse anos-luz para o futuro.

Se, no passado, as novidades tecnológicas vinham de tempos em tempos, hoje, elas surgem todos os dias. Experimente ficar semanas sem se atualizar nas trends do Instagram. Pronto, você já está ficando para trás nesse nicho. Não há como deixar de mencionar, também, um dos avanços tecnológicos mais esperados pelos entusiastas da área, o metaverso. Junção de duas palavras – “meta” (“além”) e “verso” (“universo”) –, esse mundo virtual traz a possibilidade de viver uma vida totalmente diferente da que lhe foi imposta, uma que você pode escolher: a digital.

O ex-diretor da plataforma Twitch, Shann Puri, indicou que o metaverso não é um lugar. Ele diz que a sociedade vem vivendo uma mudança gradual para uma vida digital há, pelo menos, 20 anos, e, por isso, ela pode valer mais do que a vida física. O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, apresentou a META em 2021 de uma forma totalmente inovadora. Mesmo com toda a pesquisa sobre o tema que a novidade gerou, especialistas afirmam que esse modelo de metaverso ainda não é possível. No entanto, isso não deve demorar a acontecer.

Alguns críticos ainda afirmam que a META será um fracasso tecnológico. “O metaverso de Mark Zuckerberg será o grande fracasso tecnológico em 2022”, afirma o professor, escritor e empreendedor Scott Galloway. Esse caso de possível fracasso pode ser comparado aos NFTs, que, em seu surgimento, fizeram um rebuliço no mercado financeiro. Diversas celebridades chegaram a adquirir tokens, inclusive o jogador Neymar, que comprou 2 deles em janeiro deste ano, por um valor de cerca de R$ 6,2 milhões. No entanto, se o craque resolver vendê-los, no atual valor de mercado, ele vai conseguir apenas R$ 800 mil.

Apesar de alguns “fracassos” que ocorrem com a vinda dessas novidades, diversas experiências podem ser vividas. O metaverso oferece a oportunidade de viajar para diversos lugares do mundo sem sair da própria casa e com a sensação de se estar no local. É possível, por exemplo, assistir a shows de artistas internacionais na primeira fila de forma imersiva. É verdade: eu vejo diversos benefícios trazidos pelos avanços tecnológicos. Porém, não sei se é algo geracional, mas, para mim, nada substitui uma boa e velha viagem física. Conhecer lugares pela tela do computador é novo e interessante, mas planejar um roteiro, arrumar as malas, sentir o frio na barriga ao longo da estrada, é insubstituível.

Ouso dizer que, se eu não conseguir viajar de tempos em tempos, isso acaba com a minha essência de viver. A possibilidade de viajar no metaverso é atraente e mais acessível. Porém, vejo e escuto de pessoas próximas o quanto viajar aqui, na vida real e física, preenche a alma.

De fato, não é uma vontade exclusivamente minha ou de meus conhecidos. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o número de turistas que viajaram para o exterior aumentou 130% em janeiro de 2022 em relação ao mesmo período de 2021. Eu sei que uma pandemia se agravou no meio desse período – e é por isso mesmo que digo que as viagens digitais foram muito usufruídas durante esse momento. Elas não vieram para substituir o presencial, mas, sim, para somar uma experiência.

Afinal, viajar é preencher a alma, recarregar as energias e, claro, viver a vida.

*Crônica originalmente publicada na edição #263 da revista TOPVIEW.

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