ESTILO

Decoração pode ser aliada contra o estresse infantil na pandemia

Por conta do isolamento social, crianças podem apresentar alterações emocionais. Saiba como criar ambientes criativos que auxiliem na rotina dos pequenos

Os cuidados com a saúde mental devem ser redobrados durante a pandemia da Covid-19. As mudanças impostas pela doença têm trazido muitos impactos às famílias, principalmente, para as crianças. Acostumadas com uma rotina de estudos, brincadeiras, passeios ao ar livre e interação, elas também se viram obrigadas a conviver com a realidade do isolamento social no último ano. Confinadas em casa, algumas podem apresentar alterações emocionais e comportamentais.

A cartilha “Crianças na Pandemia Covid-19”, desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alerta sobre quais mudanças podem ocorrer no comportamento das crianças em virtude do prolongamento do isolamento social. “Dificuldades de concentração, irritabilidade, medo, inquietação, tédio, sensação de solidão, alterações no padrão de sono e alimentação” são as principais alterações, conforme a fundação.

O documento também traz orientações sobre como cuidar da saúde mental dos pequenos.. “Planejar o dia e mantê-lo o mais próximo possível da rotina habitual pode ser um fator protetivo contra o surgimento de sintomas relacionados à ansiedade e ao estresse.” O texto orienta, ainda, que “ter um horário para acordar, fazer as refeições e dormir, assim como para realizar as diversas atividades, contribui para a organização do dia e também pode ser um aliado na promoção do bem-estar“.

O período do sono e as brincadeiras são essenciais para a saúde infantil. “Ter um tempo dedicado ao descanso é fundamental, assim como o lazer não pode ser esquecido. As crianças precisam se movimentar, então, atividades que envolvam o corpo são necessárias, mas pode-se diversificar, engajando-as em outras brincadeiras como jogos, desenhos, contação de histórias”, aponta a cartilha.

Ambientes mais atrativos

(Foto: divulgação)

Tornar o ambiente mais atrativo para as atividades do dia a dia ajuda a melhorar o ânimo não só das crianças, mas de toda a família. Num momento em que todos passam mais tempo em casa, é preciso que o lar seja agradável e acolhedor. “O que mais buscamos agora é acolhimento, uma casa que abrace de verdade. E podemos fazer isso sem gastar muito”, afirma a designer de interiores Renata Brum.

A especialista explica que investir em mais cores nos ambientes é uma forma de suscitar emoções. “Conseguimos isso trocando capas de almofadas, tapetes e roupas de cama, ou mesmo investindo no colorido das paredes e tetos. Hoje temos um leque infinito para ajudar nessa tarefa, que vai das tintas, revestimentos até os papéis de parede.”

Outra dica é apostar em objetos que tenham significado afetivo. “Isso nos fortalece e traz bons sentimentos. Sabe aquele espelho que herdamos de uma avó ou a caneca de uma viagem inesquecível? Tudo vai para decoração.”

Já as plantas são boas opções para quem busca renovação. “Elas trazem energia nova. Para espaços internos, há algumas espécies que se adaptam melhor, como jiboias, dracenas, espada de São Jorge e zamioculcas”, enumera Renata.

Trocar os móveis de lugar, desfazer dos objetos que não têm mais uso e abrir as janelas durante o dia para arejar os cômodos e deixar o sol entrar são outras ações simples que podem tornar a casa mais agradável.

Espaços segmentados

(Foto: divulgação)

Para as crianças, a casa tornou-se um espaço multifuncional, onde elas brincam, estudam, ajudam nas tarefas domésticas e descansam. Distinguir os ambientes de cada tarefa é uma forma de auxiliar na criação de uma rotina durante o isolamento. Para isso, a decoração também pode ser uma grande aliada.

O uso de papel de parede para quarto infantil permite não só a personalização do cômodo, como a criação de outros diferentes ambientes. É possível fazer um cantinho para estudos no escritório ou um espaço para brincadeiras na varanda, por exemplo. É uma forma criativa e de baixo custo para alegrar e separar os lugares em que a criança irá realizar cada uma de suas tarefas.

Renata alerta sobre a importância da organização dos ambientes. “Tudo se mistura nessa pandemia: trabalho em casa, filhos, escola. Ter tudo organizado facilita a nossa rotina e nos traz mais paz. E, neste momento, é o que precisamos.”

Para quem tem criança em casa, ela destaca a importância de os ambientes serem práticos e funcionais, permitindo o desenvolvimento e a autonomia dos pequenos. “Também vale a pena deixar espaço para que as próprias crianças possam inserir itens na decoração. Porque casa é isso: tem que abraçar e ter história afetiva.”

Atenção aos sintomas

(Foto: divulgação)

Além de um ambiente agradável e acolhedor, a família deve buscar proporcionar uma escuta sensível aos sentimentos das crianças e um diálogo transparente sobre o momento da pandemia da Covid-19.

De acordo com a cartilha da Fiocruz, não é preciso ter medo de conversar sobre o que está acontecendo. “As crianças já ouviram falar sobre o vírus e é possível explicar de uma forma compreensível e honesta sobre a doença, orientar com relação às medidas de prevenção, esclarecer dúvidas e permitir que se expressem a respeito. É importante que os familiares estejam disponíveis para perceber e validar as emoções das crianças frente a este momento.”

Pais e responsáveis que perceberem alterações emocionais e comportamentais devem procurar ajuda profissional de um psicólogo.

Deixe um comentário