Coluna Jayme Bernardo, maio de 2018 - TOPVIEW
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Quando estudar ainda era um privilégio masculino, as mulheres precisavam desafiar os padrões para levar adiante o sonho de uma profissão. Na arquitetura não foi diferente, mas elas têm conquistado espaço nesse disputado mercado. Para ilustrar o pioneirismo feminino nessa profissão, selecionei três arquitetas de projeção internacional: Lina Bo Bardi, Zaha Hadid e Kazuyo Sejima, cujas obras são referências em conceito e construção. Verdadeiros ícones da profissão, elas inspiram e abrem o olhar para um novo universo da arquitetura.

LINA BO BARDI

Ítalo-brasileira, Lina Bo Bardi (1914-1992) é uma das arquitetas de maior importância e expressividade no cenário brasileiro do século 20. Formada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma, mudou-se para o Brasil no período da Segunda Guerra Mundial. Aqui, residiu por um tempo no Rio de Janeiro, mas foi em São Paulo que consolidou o seu trabalho, projetando o Museu de Arte de São Paulo (MASP), famoso por seu vão livre. A Casa de Vidro, o Sesc Pompeia, o Solar do Unhão e o Teatro Oficina são outras obras que refletem a compreensão de Lina sobre a cultura brasileira a partir de uma perspectiva antropológica, sobretudo a partir da convergência entre vanguarda estética e tradição popular.

Sesc Pompeia, em São Paulo (SP).

ZAHA HADID

Nascida em Bagdá, Zaha Hadid naturalizou-se britânica, onde se formou em arquitetura. Conhecida por ter uma personalidade exuberante e controversa, traduzida em projetos marcados pelas formas contínuas e pelo tamanho extraordinário, Zaha foi a primeira mulher a receber o Pritzker, em 2004, a maior premiação da arquitetura internacional. Entre algumas de suas obras mais conhecidas, estão o Centro Cultural Heydar Aliyev, no Azerbaijão, que ganhou o prêmio de design do Museu de Design de Londres, em 2014, o Centro Aquático de Londres, o Museu de Riverside, em Glasgow, na Escócia, e o Museu MAXXI, em Roma, na Itália. A arquiteta mais famosa do mundo considerava-se uma “forasteira” por ser mulher, de origem estrangeira e de espírito inovador. Faleceu aos 65 anos, em 2016.

Centro Cultural Heydar Aliyev, no Azerbaijão.

KAZUYO SEJIMA

É uma arquiteta plurivalente, de traço firme e inovador. Nascida no Japão, em 1956, fundou o escritório SANAA junto a Ryue Nishizawa em 1995. Conquistou, ao longo destes 23 anos de trajetória, alguns dos prêmios mais importantes do segmento, como o Pritzker, em 2010, e projetou edificações de design singular e formas etéreas, como o Centro de Aprendizado Rolex, na Suíça. Kazuyo é uma mulher de alma inquieta que construiu uma carreira sólida, em que o material e o abstrato se equilibram e se completam, sempre cativando e inspirando todos pelo caminho.

Centro de Aprendizado Rolex, na Suíça

*Matéria publicada originalmente na edição 211 da revista TOPVIEW

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