As novas técnicas contra a obesidade

A dieta tradicional e exercícios físicos não são mais os únicos aliados no combate à doença. Confira as novidades para uma vida mais saudável

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Os números são impressionantes: estamos vivendo praticamente uma epidemia de obesidade. No Brasil, a taxa da população obesa passou de 7% em 1980 para 18% em 2015, de acordo com o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde. E mais: o índice de pessoas com sobrepeso (ou seja, com Índice de Massa Corporal entre 25 e 30) triplicou nesse período, chegando a 58%.

Nutricionistas apontam que a causa está ligada ao aumento no consumo de alimentos industrializados (cujas vendas cresceram 25% no mundo entre 2011 e 2016, segundo a empresa Euromonitor) e aos hábitos de vida modernos nas grandes cidades, mais propensos ao sedentarismo, ao estresse e à falta de tempo para cuidar da saúde.

Outro fator complicado é a popularização, nos últimos anos, de dietas milagrosas que prometem eliminar muitos quilos em pouco tempo e de forma restritiva. Resultado: sem um planejamento que leve em conta mudança de hábitos a longo prazo, o peso é recuperado facilmente.

Então, não tem jeito. Para emagrecer ou evitar um quadro de obesidade, é imprescindível reeducar o corpo e a mente para comer de forma saudável e praticar exercícios com regularidade. Selecionamos algumas técnicas que podem ajudar nesse processo.

Nutrição comportamental

A vertente investiga a relação pessoal e afetiva que as pessoas criam com a comida. Mais que indicar uma dieta padrão para ser seguida, o nutricionista faz uma análise de como a pessoa moldou seus padrões alimentares – se tem algum trauma, por exemplo – e os sabores da memória afetiva. Assim, ao longo das consultas, é possível identificar se a comida está sendo usada como válvula de escape para lidar com a ansiedade, o estresse ou algum medo, encontrar o motivo de compulsões e até mesmo aprender a comer alimentos que não agradam tanto ao paladar. “Há uma interpretação de pratos bons ou ruins, como se um prato de macarrão, por exemplo, fosse bom, e um de salada, ruim. Todos os alimentos podem ser bons e têm o seu momento, eles só precisam ser ressignificados”, explica a nutricionista especializada nessa linha, Ariane Bomgosto. “Criar um cardápio sem levar em consideração ambiente, hábitos, rotina, memória afetiva e organização alimentar não tem resultado”, continua.

Mindful eating

A técnica é utilizada por alguns nutricionistas para tornar o ato de comer mais consciente. Assim como em outras áreas, os exercícios de mindfulness buscam trazer uma atenção plena ao momento presente. Funciona quase como uma meditação. Na hora da refeição, o aconselhado é cheirar os alimentos, observar as cores, mastigar com calma, identificar sabores e texturas e perceber como o corpo reage. Com isso, é possível perceber quando se come mais ou menos do que o necessário e também alimentos que trazem prazer momentâneo, mas depois causam indisposição (como fast food) e, assim, perder peso. “Ajuda a entender a relação com a comida, quebrar a resistência com alguns alimentos e ajustar o paladar”, comenta Ariane Bomgosto.

Retorno ao passado

Usar banha de porco no lugar do óleo de girassol pode ser uma maneira de emagrecer. Essa técnica nutricional aposta nos alimentos que nossos avós comiam, que, geralmente, são menos processados e quase sempre livres dos vilões de hoje: o açúcar e a farinha refinados, gordura, excesso de sal e aditivos químicos. “É uma proposta de resgate do alimento ao natural, o alimento de verdade, minimamente processado. Passa também pela preocupação com se alimentar de alimentos orgânicos, ensinar às crianças essa cultura, como fazer uma horta”, diz Angélica Maurício, professora de Nutrição da UFPR.

Autoconhecimento nutricional

O principal foco é fazer experimentações na dieta e, com a ajuda do nutricionista, identificar que tipos de alimento funcionam melhor para o seu corpo. “Em alguns organismos, por exemplo, funciona melhor comer vegetais refogados do que os crus. A ideia é auxiliar a pessoa a identificar essas características, que são únicas e, ao mesmo tempo, montar uma dieta equilibrada”, diz a nutricionista Priscila Riciardi. Ela também aponta que, por causa das variações metabólicas, existem casos de pessoas que conseguem emagrecer mesmo comendo bastante carboidrato (indo contra a moda da dieta low carb) – tudo depende da resposta do corpo e da percepção individual.

Por que o Japão tem as menores taxas de obesidade do mundo? O Nexo responde: bit.ly/ObesidadeJP.

Raio X corporal

Fazer um exame minucioso do sangue pode identificar deficiências que estejam impedindo o emagrecimento, como falta de vitaminas ou minerais, cortisol e desequilíbrios hormonais. “Um paciente com deficiência no funcionamento da tireoide dificilmente conseguirá emagrecer sem corrigir o problema”, diz a nutróloga Márcia Simões. Segundo a médica, com as adequações, aliadas à reeducação alimentar e a atividades físicas, é possível ver os resultados em um mês.

Medicina na academia

Existem academias preparadas para seguir planos de exercícios recomendados por médicos. A academia Companhia Athletica tem o Programa Prevenção, que oferece treinamentos individuais elaborados por educadores físicos e médicos, como parte da terapia de pessoas com doenças relacionadas ao sedentarismo e à obesidade. Depois, é feito um feedback para a equipe médica que já trata do aluno. A academia recebeu um certificado da Medical Fitness Association, entidade norte-americana de medicina ligada à área fitness.

Consultoria

Emagrecer é um processo complexo e demorado, que geralmente envolve dores emocionais. Hoje, há métodos que dão um auxílio constante para quando a pessoa precisa desabafar ou necessita de alguma ajuda. O Afine-se (afinese.com.br), por exemplo, tem consultores em várias cidades que escutam as queixas da pessoa que quer emagrecer e dão orientações, além de ajudar no planejamento para a inclusão de atividades físicas no dia a dia e aumentar o consumo de água e chás. Ainda, ensinam técnicas para reduzir o estresse e a ansiedade. Há o acompanhamento de nutricionista, que propõe a adoção de alimentos que auxiliam na perda de peso e a exclusão daqueles ricos em gordura ou que desencadeiam compulsão. A promessa é separar a fome emocional da fome física e, depois, levar isso para a vida.

*Matéria escrita originalmente por Amanda Audi na edição 207 da revista TOPVIEW.

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