Pais ausentes que suprem a falta dando presentes: certo ou errado?

O psicólogo Akim Rohula Neto explica a gravidade de dar presentes como forma de compensar a ausência

Publicado em 15 de julho de 2017

por Redação TOPVIEW

É comum que pais ausentes que passam mais tempo fora do que dentro de casa se cobrem muito quanto à falta de atenção que dão aos filhos. Com isso, muitos pais acabam, até sem perceber, compensando essa falta com presentes, o que, de acordo com especialistas, pode transformar por completo a forma como estas crianças irão enxergar o mundo e as pessoas ao seu redor.

Como suprir a ausência que surge de pais ausentes

De acordo com o psicólogo Akim Rohula Neto, a qualidade da relação é importante, mas o tempo também: “Quando os pais trabalham muito e passam pouco tempo com as crianças, tendem a desenvolver relações menos íntimas com elas. Esses pais precisam refletir sobre como poderão criar momentos nos quais possam desenvolver a intimidade com os filhos, educá-los e tornarem-se, de fato, pais” explica ele.

Rohula Neto comenta que além dos momentos juntos com os filhos, os pais devem saber administrar os momentos distantes, dando tarefas, por exemplo. É essencial que a criança não se sinta tão livre a ponto de fazer o que quiser enquanto os p15ais estão fora, o que é muito comum nesses casos, por isso as tarefas são importantes no sentido de mesmo os pais distantes, a criança sentir que tem alguma “direção”.

O psicólogo explica sobre a gravidade de dar presentes ao invés de buscar alternativas mais saudáveis para a questão. “A natureza do brinquedo é diferente da natureza da intimidade humana”, pontua. “Não é possível compensar uma coisa com a outra. Quando se cria este padrão, ensina-se à criança que os pais são culpados por estarem ausente (ao invés de ensiná-las sobre o esforço dos pais), que elas têm direitos sobre o esforço dos pais (que, afinal de contas, são culpados), e que os pais valem menos que brinquedos (afinal de contas se compensa um com o outro).

Logo, para a criança, seres humanos passam a ser descartáveis e as relações passam a se basear em trocas que não tem ligação direta. “Isso é muito prejudicial na maneira pela qual a criança vê os outros, se vê e entende as relações e como elas se estabelecem”, conclui Akim.

Tirar a culpa da cabeça é o primeiro passo, brinquedos nunca substituirão uma relação de pai e filho e por mais duro que isso seja, é necessário abandonar essa ideia e trabalhar em cima de soluções. O psicólogo explica que é preciso criar maiores relações de pai e filho, para que exista uma proximidade e intimidade.

Outro fator importante é mostrar à criança que o tempo dos pais fora de casa tem um motivo, um sentido, muitas vezes esse tempo está relacionado ao trabalho e a busca por uma vida melhor, portanto explicar isso cria uma noção de valor significante. Akim explica que não acredita no “tempo de qualidade” mas sim na qualidade de uma relação e que essa pode ser mantida à distância se as bases dessa relação forem sólidas e bem estruturadas.

Comentários



Comente pelo Facebook



Comente pelo Facebook



Comente pelo Facebook