Conheça os vencedores
Lago Cristal, da norte-americana Jennifer Reeder, acompanha um grupo de meninas que se apodera de um parque de skate.

Olhar de Cinema: guia para o melhor do festival

Selecionamos os principais destaques do festival Olhar de Cinema, que traz mais de 100 filmes a Curitiba

Publicado em 8 de junho de 2017

São sempre intensos os dias de Olhar de Cinema, que chega à sexta edição. A programação oferece uma centena de filmes (selecionados, neste ano, entre 2,6 mil obras inscritas), muitos em sua estreia nacional ou internacional, de países tão díspares quanto Butão, Chile e Tailândia.

Mais que quantidade ou ineditismo, o festival é intenso pela variedade de temas e linguagens e pela pluralidade de visões que as obras oferecem (e que marca os programadores, de cinco estados brasileiros).

Sua linha mestra é, afinal, o “cinema independente, de autor; não de grandes nomes, mas de grandes filmes”, define o produtor executivo do festival Antônio Júnior.

Em meio a tantas opções, e sobre as quais frequentemente não temos referência, pode soar difícil selecionar quais filmes assistir. A recomendação geral, feita por cineastas, críticos, professores e produtores da área, é “quantos você puder”: além do ingresso acessível (R$ 10), são títulos que de outra forma dificilmente chegariam a Curitiba (ou ao Netflix) e obras instigantes, com algo a dizer mesmo quando não agradam.

São, ainda, reflexo de seu tempo, e abordam temas como as guerras no Oriente Médio, a crise política brasileira, confronto de classes e imigração. O Olhar de Cinema é um festival que aposta em cinema de risco, como lembra o crítico paulista Luiz Zanin, mas que guarda “um pé na terra, sabendo que precisa dialogar com o público”.

Confira abaixo os destaques da sexta edição do Olhar de Cinema, de 7 a 15 de junho, nos cinemas Espaço Itaú (Shopping Crystal) e Cineplex (Shopping Novo Batel). E acompanhe no Instagram da TOPVIEW indicações diárias para o festival.

 

Visita internacional I

Cena de História mundana, da tailandesa Anocha Suwichakornpong.

Cena de História mundana, da tailandesa Anocha Suwichakornpong.


Anocha Suwichakornpong
(1976), cujo Graceland (2006) foi o primeiro curta tailandês selecionado para o Festival de Cannes, estará presente para uma masterclass sobre suas influências estéticas, suas temáticas e seu processo criativo.

A autora de um cinema classificado como delicado e generoso é homenageada na mostra Foco, cuja premissa é apresentar diretores pouco conhecidos no circuito brasileiro.

Dois longas– incluindo Dao khanong (2016), ficção sobre uma jovem que pesquisa a recente história política da Tailândia, que estreia no Brasil –, bem como curtas e médias metragens de Anocha serão exibidos. Confira a programação de seus filmes.

Masterclass Anocha Suwichakornpong
Segunda-feira (12), às 12h, no Espaço Itaú – Sala 2. Com tradução simultânea do inglês para o português.
Entrada gratuita. Não necessita de inscrição prévia. Sujeito a lotação da sala.

Visita internacional II
O premiado documentarista Ignacio Agüero participa de uma discussão sobre sua obra após a exibição de O que me motiva, gravado durante a ditadura de Pinochet. Nele, Agüero pergunta a seus colegas sobre o que estão filmando e para quem o fazem. Domingo (11), às 14h, no Espaço Itaú – Sala 2.

Uma sequência desse documentário, O que me motiva II (2016), aborda a paixão de filmar. Exibições no sábado (10), às 21h45, no Espaço Itaú – Sala 1; e quarta-feira (14), às 16h30, no Cineplex – Sala 4.

Longas, inéditos e brasileiros
As estreias nacionais ilustram a diversidade da produção brasileira, para além das comédias, produções religiosas e elencos estrelados. Duas integram a Mostra Competitiva:

Fernando (2017) é resultado de uma provocação para o personagem-título (um professor-artista de 74 anos) interpretar a própria vida, explorando os encontros dos gêneros documental e ficcional. Sessões: terça-feira (13), às 19h45, no Espaço Itaú – Sala 3; e quarta-feira (14), às 17h45, no Cineplex Batel – Sala 5.

Navios de terra, classificado como híbrido, acompanha a viagem de um ex-minerador brasileiro à China.

Navios de terra, classificado como híbrido, acompanha a viagem de um ex-minerador brasileiro à China.

Tal fronteira também é quebrada em Navios de terra (2017), de Simone Cortezão, definido como “híbrido”, que acompanha a viagem de um marinheiro do Brasil à China. Sessões: domingo (11), às 21h30, no Espaço Itaú – Sala 3; e segunda-feira (12), às 21h45, no Espaço Itaú – Sala 1.

“São filmes arriscados”, classifica Antônio Júnior, também diretor de programação. “Ousam na linguagem, mas sem deixar de se comunicar com o público – que ainda assim não sai ileso.”

 

Guerra documentada
Outro a integrar a Mostra Competitiva (de onde saem os principais prêmios do festival) é 300 milhas, registro realista e cru sobre a guerra na Síria, do cineasta e jornalista Orw Al Mokdad, que nos absurdos do conflito soa muito como ficção. Sessões: sexta-feira (9), às 19h45, no Espaço Itaú – Sala 1; terça-feira (13), às 21h, no Cineplex Batel – Sala 4.

 

Fábulas distantes

A fábula turca Grande, grande mundo foi apresentada no Festival de Veneza.

A fábula turca Grande, grande mundo foi apresentada no Festival de Veneza.


Em Grande, grande mundo, os carismáticos Ali e Zuhal fazem a transição da vida no orfanato ao mundo cometendo um crime e fugindo da civilização. Sessões: dias 9 (às 21h15) e 12 (às 18h45), no Cineplex Batel – Sala 5.

Hema Hema, que recebeu menção honrosa no Festival de Toronto, é uma fábula de amor no Butão, explorando o folclore do país. Sessões: dias 8 (às 16h45) e 11 (às 20h45), no Cineplex Batel – Salas 4 e 5.

 

Metáfora radical


É o recurso do filipino Khavn para falar de gangues, traficantes e seus reflexos na sociedade em Alipato. Interpretando esses foras da lei estão crianças, o que torna o filme ainda mais over. Sessões: dias 9 (às 20h45) e 11 (16h30), no Cineplex Batel – Sala 4.

 

Pequenos Olhares
Novidade desta edição, a nova mostra reúne 15 filmes e aposta na formação de espectadores, apresentando culturas e formas diferentes de cinema, com divisão por faixas etárias. Confira todos os filmes e horários de exibição aqui.

 

A volta do Nosferatu

Expoente do expressionismo alemão, Murnau é o primeiro do período mudo do cinema a ser homenageado pelo festival.

Expoente do expressionismo alemão, Murnau é o primeiro do período mudo do cinema a ser homenageado pelo festival.

Depois de Luiz Sergio Person, Jacques Tati e Stanley Kubrick, o cineasta alemão F. W. Murnau (1888-1931) é homenageado no Olhar Retrospectivo. Serão exibidos 10 filmes do diretor de Nosferatu (1922), incluindo Caminhada noite adentro (1921), restauração do filme mais antigo de Murnau que ainda existe intacto.

Confira todos os filmes e horários de exibição aqui.

 

 

Serviço

Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
De 7 a 15 de junho.
No Cineplex Batel (Al. Dom Pedro II, 255, Shopping Novo Batel) e no Espaço Itaú de Cinema (R. Comendador Araújo, 731, Shopping Crystal).
Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada).

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