O Natal de quem tem pais separados

Ex-casais devem deixar de lado as diferenças para definirem juntos a melhor forma de os filhos aproveitarem e terem boas lembranças dessa época

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Uma árvore enfeitada com capricho, uma ceia preparada com carinho e presentes escolhidos a dedo compõem o cenário perfeito para celebrar o Natal. Ainda assim, se aqueles que amamos não estiverem presentes, a cena fica incompleta – quem não se lembra da família McCallister desistindo da viagem para passar a data em casa, com Kevin e a mãe, Kate, no clássico Esqueceram de Mim?

Contudo, nem sempre a situação é contornável. Assim, é preciso encontrar a melhor forma de comemorar o Natal com seus filhos, sem esquecer que é o bem-estar das crianças que deve vir em primeiro lugar. “É importante olhar para a criança sabendo que ela tem duas famílias, que cada uma tem costumes diferentes e pensar qual vai ser o arranjo que vai beneficiá-la mais”, afirma o psicoterapeuta Akim Rohula Neto.

Para tanto, o primeiro passo é abstrair dos problemas que levaram à separação e estabelecer um diálogo com o/a ex. “Filhos de pais separados são mais felizes se pelo menos os pais se comunicam”, explica a professora de Psicologia da Universidade Federal do Paraná e autora do livro Eduque com Carinho: Equilíbrio Entre Afeto e Limites, Lidia Weber.

Conforme os especialistas, quando as crianças são mais novas, os pais devem decidir sozinhos qual será o arranjo daquele ano e depois comunicá-las. Para Lidia, separar a conversa dos adultos da que envolve a criança é importante para evitar que ela se culpe por qualquer discussão entre os pais.

Neto reforça que não há problema se a decisão não for a que mais agrada à criança. “Ser pai está relacionado à hierarquia, pois as crianças não têm maturidade para lidar com diversas situações”, diz. “[Elas podem] não gostar, mas faz parte da vida. As crianças precisam aprender a se frustrar e os pais precisam lidar com a frustração.”

Quando os filhos são mais velhos, por volta de 14 ou 15 anos, já têm mais discernimento e podem dar sua opinião, ampliando as chances de toda a família ficar satisfeita.

Dois filmes sobre o Natal para ver com as crianças

O CONTO DE NATAL DOS MUPPETS

os Muppets reencenam a história de Ebenezer Scrooge, um velho avarento que, na véspera de natal, recebe a visita dos espíritos dos Natais passado, presente e futuro, que lhe ensinam o verdadeiro sentido da data.

O ESTRANHO MUNDO DE JACK

Jack é o monstro mais popular da Cidade do Halloween, porém, está cansado de fazer sempre as mesmas coisas. Quando acidentalmente vai parar na Cidade do Natal, fica encantado com a celebração e resolve trazê-la ao seu próprio mundo.

Presentes

Os presentes que serão dados à criança também devem ser tema de conversa entre os pais. “É bom chegar a um consenso antes de presentear com algo que altera hábitos e aprendizagens, embora seja impossível regulamentar tudo”, afirma a professora da UFPR. Videogames, tablets e celulares, bastante populares entre os pequenos, entram nesse grupo. Além disso, é importante seguir à risca o combinado: dar itens “proibidos” às escondidas é, nas palavras de Neto, um conluio com a criança e não é positivo para a educação ou o relacionamento dela com os pais.

Se possível, comemorem juntos

Se a separação foi amigável e o ex-casal mantém um bom relacionamento, é interessante programar algo que envolva toda a família, mesmo que não seja na véspera ou no dia de Natal. “A família pode assistir a um filme ou fazer um passeio para ver as luzes de Natal pela cidade. As crianças vão lembrar mais dos momentos juntos e do modelo parental do que dos presentes”, aconselha Lidia. “Trabalhar e negociar juntos pode ser o melhor presente que se pode dar aos seus filhos.”

*Matéria escrita por Vivian Faria e publicada originalmente na edição 206 da revista TOPVIEW.

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