Talentosos e desbravadores

por Greyci Casagrande   Fetiche Design para Casa Até alguns anos atrás, era difícil acreditar na ideia de viver do design autoral, principalmente em Curitiba. Para Carolina Armellini...

0
Diego Cagnato

por Greyci Casagrande

 

Fetiche Design para Casa
Até alguns anos atrás, era difícil acreditar na ideia de viver do design autoral, principalmente em Curitiba. Para Carolina Armellini e Paulo Biacchi, no entanto, isto sempre foi algo possível. Frustrados com a indústria, eles decidiram unir o conhecimento acadêmico dela e a experiência técnica dele para criar seus próprios projetos. Hoje, chamam a atenção de grandes empresas e colecionam prêmios com suas criações.

Paulo e Carolina enxergam o design como um processo. “Nossa inspiração é consequência de muito estudo e consumo sobre o assunto. Não vem do nada”, explica Carolina. Em suas peças, é possível identificar alusões bem regionais, como a referência ao cavalete de construção na mesa Vergalho e o conceito caipira no banco Pai João.

Cinco anos após o primeiro lançamento, o jovem casal de designers já prova que é possível criar objetos conceituais e comerciais, a exemplo do banco R540 – uma das primeiras peças da marca, criada em 2009. Publicado em mais de 200 sites nacionais e internacionais, exposto no Museu da Casa Brasileira e vencedor de vários prêmios, o banco tem uma loja virtual só pra ele, a r540shop.com. De acordo com Paulo, o R540 representa toda a experimentação inicial da Fetiche – e vende bem até hoje.

Ainda assim, o reconhecimento não se deve a uma peça ou outra, mas a um conjunto de fatores e produtos bem-sucedidos. “Nossas peças chamam a atenção. Seja por um detalhe, pela forma, por um material”, afirma. Entre os clientes da Fetiche estão Artesian, Florense, Schattdecor, Schuster, Tok Stok e a própria Holaria. “A indústria nos achou. Quando nos procuram é porque querem a Fetiche na marca deles”, completa Carolina.

 

Divulgação
Para Luiz (à esquerda) e Aleverson (à direita), o design ainda está vinculado apenas à estética e ao visual. Falta enxergá-lo também como ferramenta. Foto: Divulgação

Holaria
Olaria é o local onde se fabricam tijolos, telhas e vasilhames de barro. Para dois jovens talentosos designers, porém, Holaria se escreve com H e significa forma, intuição, emoção. Foi pensando nisso que Aleverson Ecker e Luiz Pellanda apostaram, ainda nos corredores da UFPR, em um campo pouco explorado e bastante promissor: o da porcelana.

O lema da dupla é ir além dos limites dessa matéria-prima e, assim, fugir do óbvio, sensibilizar o cliente e, por que não, gerar tendência. A inspiração para suas criações vem do que conhecem, sentem e veem. A peça Vento, por exemplo, lembra movimento e pode sugerir um vestido esvoaçante, a cortina perto da janela ou as asas de um pássaro.

Os sócios trabalham também pela valorização da matéria-prima. “Não por acaso a porcelana era chamada de ouro branco na Idade Média”, lembra Aleverson. Da paixão por esse “ouro branco” surgiu a sociedade com a Germer Porcelanas Finas. Uma parceria que coleciona sucessos, entre eles, a coleção de xícaras Pingada, que conquistou a prata no Prêmio Idea/Brasil, de 2009, na categoria Casa.

Com a marca própria, a dupla reúne prêmios importantes, como o 1° lugar no Salão Nacional de Cerâmica de Curitiba (conquistado duas vezes consecutivas). Ironicamente, acrescenta Luiz, as peças que mais vendem (como a linha Plissan, de 2007) não ganharam nenhum prêmio. Mas não é algo que os preocupa. Afinal, o maior projeto da Holaria, segundo seus criadores, é a própria Holaria. “O objetivo é torná-la referência no Brasil. Fazer algo que dure, que seja fértil”, conclui Aleverson.

 

Divulgação
Hoje, 99% do escritório atende à indústria. O desejo de desenvolver as próprias peças permanece em stand by. Foto: Divulgação

Asa Design
Com estes sobrenomes, Daniela Ferro e Alexandre Rocha não poderiam ter ido para outro caminho, senão o do design de produto. Casados e pais de duas meninas, eles comandam o escritório há 13 anos e admitem: a indústria consome 99% de suas criações. De lá pra cá, viram o mobiliário brasileiro se transformar – e trabalham cada vez mais por essa mudança. “A intenção é ajudar grandes marcas a adquirirem sua própria identidade”, objetivo que, de fato, vem sendo alcançado.

Indústrias de móveis de alta decoração como Butzke, Arte Nova, Casalecchi, Brisa Móveis e Estofados Jardim utilizam os desenhos da Asa Design. Ao produzir para essas marcas, Daniela procura utilizar sempre materiais duráveis e naturais, como a madeira. E foi com a cadeira Buriti, feita com madeira certificada, que a empresa conquistou recentemente uma importante premiação no Salão Design da Casa Brasil na modalidade Indústria.

Mesmo tendo conquistado o mercado com suas criações, Daniela ainda sonha em produzir suas próprias peças. Há dois anos, porém, a head designer constatou que não é fácil viver de design autoral. Ao criar a Formaludens – sua marca própria – ela queria trabalhar com uma linha criativamente mais livre, conceitual e expressiva, onde pudesse colocar em prática as ideias que não conseguia propor à indústria. O projeto rendeu algumas peças e permanece em stand by. “Ainda não desistimos”, garante.

Ainda assim, jamais deixaria de atender a indústria. “É realizador ver aquilo que você projetou na casa das pessoas.” Para ela, cada móvel tem uma história, é quase como roupa, como moda. “Você veste o móvel, faz parte da sua vida por anos. E quando incorpora este tempero de arte, faz toda a diferença.”

Neste Artigo


Converse com a Gente